Cão ajuda menina autista a se comunicar

Garotinha americana consegue se comunicar através de um cão porta-voz. Confira este caso curioso.

Esta é a história de Sophia Reither, uma garota de 11 anos, estudante do 6º ano do ensino fundamental, e de seu cão Rylee, o seu melhor amigo. Sophia é uma garota teimosa, aventureira e um pouco tola, na descrição feita por sua mãe, Michelle. Esta garota é autista, o que torna os relacionamentos sociais tensos, difíceis e estressantes.

O autismo faz parte dos transtornos do espectro autista, juntamente com o transtorno desintegrativo da infância, transtorno do desenvolvimento não especificado e síndrome de Asperger. É uma condição geral de desordens complexas do cérebro, ocorridas durante a gestação, no parto ou logo após o nascimento. A doença se caracteriza pelos comportamentos repetitivos e pela dificuldade de interação com outras pessoas.

É possível classificar Sophia como uma “muda seletiva”. Em outras palavras, ela não se comunica com algumas pessoas – e a insistência em estabelecer o contato pode levar a menina a crises de pânico. Seja como for, a comunicação da menina está bem distante à da esperada para a maioria das crianças. Mesmo nos relacionamentos mais próximos, ela não demonstra habilidades para o diálogo.

Sophia
Sophia

A garota também é propensa a birras, praticamente não interage com colegas e professores e, às vezes, pode revelar comportamento agressivo. Antes da chegada de Rylee, a vida era caótica não apenas na escola, mas também em casa: os pais precisavam dormir com ela, para atenuar os terrores noturnos e assegurar-se de eu Sophia não iria fugir.

O cavalo

Michelle Reither procurou várias terapias e outras técnicas para tornar menos penosa a rotina da filha Sophia. Finalmente, ela encontrou os tratamentos com animais e decidiu submeter a menina à equoterapia. Os resultados foram espantosos.

A equoterapia é um método educacional e pedagógico que utiliza o cavalo como instrumento para terapias nas áreas de saúde, educação e equitação, com o objetivo de atingir o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas portadoras de deficiências, incluindo o autismo.

A andadura do cavalo imprime três movimentos: de trás para frente, de um lado para o outro e de cima para baixo. São movimentos sensoriais somáticos (que incluem sensações de temperatura, tato e de experimentações das diversas partes do corpo), proprioceptivos (que permitem a localização espacial do corpo) e vestibulares (respondem pelo equilíbrio) que obrigam o cavaleiro a se organizar durante todo o trajeto.

A mãe de Sophia relata que a reação da garota foi imediata. Houve risos e comentários. A menina realmente ficou empolgada com os trotes e galopes do cavalo. Vale lembrar que os comentários de Sophia são extremamente raros.

Havia um problema. Uma sessão de uma hora de equoterapia em Blaine (Minnesota, EUA) custa US$ 500 – e a família Reither não dispõe deste valor para aplicar em sessões semanais. Sophia saiu do haras sorrindo e conversando sobre o cavalo, mas Michelle Reither precisava encontrar uma solução que coubesse no seu orçamento.

O cão terapeuta de Sophia

Sophia estuda na Roosevelt Middle School, em Blaine, uma cidade de pouco mais de 40 mil habitantes. Todos os dias, centenas de estudantes descem dos ônibus escolares em busca das salas de aula. Em 2016, estes bípedes ganharam a companhia de um auxiliar especial de quatro patas: Rylee.

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Encorajada pela experiência com os cavalos, a família Reither decidiu adotar um cachorro. Afinal, um amigo de quatro patas poderia exercer o mesmo efeito positivo verificado na equoterapia. No entanto, o primeiro animal, um retriever dourado, ficou confuso com o vaivém de Sophia, seus muitos gritos e silêncios.

A família Reither teve conhecimento da “Can Do Canines”, uma ONG de Minnesota fundada em 1989, que treina cachorros para a assistência de pessoas com deficiências – cegos, surdos, portadores de problemas de mobilidade, distúrbios de pânico e autistas.

Nesta ONG, Rylee foi encontrado. Trata-se de um labrador preto bastante afetuoso e descontraído. Rylee demonstrou ser “o par perfeito” para Sophia. Rylee realmente percebe quando Sophia está incomodada com a aproximação de colegas e consegue afastá-la para uma “zona segura”.

A interação entre o cachorro e a garota parece ser perfeita. Sophia compartilha tudo com Rylee: quando está triste ou contrariada, é o pet que faz as vezes de confidente. Mas os resultados são visíveis também na atividade escolar: a garota suspende a mão para participar das aulas, conversa com os colegas e consegue evitar perdas de controle.

É a primeira vez, na histórica da Roosevelt School, que um cão é autorizado a “assistir às aulas”. Rylee está transformando a vida de Sophia. Todos os colegas querem brincar com o cachorro e isto permite a aproximação tranquila com a garota autista, sem necessidade de interação direta, nem de toques, que são especialmente incômodos para Sophia.

Um dos professores da menina, Bobbi Jo Rzeszutek, que leciona Ciências, confessa estar maravilhado. “É incrível, realmente incrível, de cair o queixo”, diz o professor. Na verdade, todos – familiares, professores e colegas – concordam que o sucesso de Sophia é devido a Rylee.

A professora de Matemática de Sophia, Jill Augustine, resume os progressos da garota: ela está interagindo no intervalo, participando das aulas e se prontificando a ir ao quadro negro; é uma voluntária perfeita em todos os sentidos. Rylee acompanha a menina em todas as atividades. “É algo excitante e inacreditável de se ver”, completa a professora.

Rzeszutek confirma: “em alguns momentos, ela baixa o braço até encontrar e acariciar o cachorro”. A presença de Rylee tranquiliza Sophia. Aparentemente, o cachorro confere segurança e permite que ela se sinta segura. Durante as aulas, a menina faz mimos em Rylee, mas, na verdade, ela está apenas se certificando de que o pet está ali, pronto para defendê-la.

Quando Sophia está ficando ansiosa, estressada, lutando com uma situação difícil ou simplesmente precisando de um apoio, o alívio está muito próximo. É a própria garota quem diz: “quando eu me sinto oprimida, Rylee chega e encosta a cabeça; ele me visita”.

Can Do Canines informa que o treinamento dos cães não sai por menos de US$ 25 mil. As famílias adotantes não pagam nada, mas assumem as despesas com o animal (alimentação, veterinário, etc.). A ONG promove eventos (jantares, bailes, etc.) para sustentar as atividades.

Michelle Reither, a mãe, confirma o sucesso do investimento: “Rylee devolveu a liberdade a Sophia; também nos deu a certeza de que ela é capaz de desenvolver habilidades, conquistar um emprego e comunicar-se com outras pessoas; a partir de Rylee, Sophia é uma criança diferente”.

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Fonte: Kare11

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