Esporotricose: doença felina e canina também ataca humanos

Causada pelo fungo Sporothrix schenkii, a Esporotricose afeta cães, gatos e seres humanos.

A esporotricose, também conhecida como doença do jardineiro, é uma micose profunda e, no Brasil, a doença também é transmitida por uma variedade do fungo, a Sporothrix brasiliensis. A enfermidade afeta a pele, o tecido subcutâneo, os vasos linfáticos e, em casos graves, pode atingir órgãos internos.

Micoses profundas são as afecções com potencial para atingir órgãos internos, afetando o funcionamento regular. Caracterizam-se por um processo inflamatório granulomatoso (uma resposta das células de defesa à invasão dos agentes nocivos) e podem causar lesões em todo o corpo.

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Não se conhecem casos de transmissão da esporotricose de pessoa para pessoa. A infecção ocorre através da boca ou das vias aéreas superiores, com o contato frequente com gatos, cachorros e outros animais domésticos, como vacas e cabras, além de pequenos mamíferos criados em gaiolas, como hamsters e esquilos-da-mongólia.

A doença é considerada endêmica no meio rural, mas pode atingir os centros urbanos. Desde a década de 1990, a doença vem afetando grande número de humanos e de pets; apenas nos primeiros seis meses de 2012, foram diagnosticados, no Rio de Janeiro, foram diagnosticados 824 casos em animais de estimação. A maioria dos casos foi registrada na zona oeste da capital fluminense.

Sintomas e prevenção da esporotricose

Não há vacina contra a esporotricose. O tratamento, relativamente longo, tanto para humanos como para cães e gatos, é feito com medicamentos orais, que são caros e não estão disponíveis na rede pública de saúde. Os gatos ficam mais expostos à doença, em função do seu instinto de caça.

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Os felinos costumam circular por mais tempo em ambientes externos, escalando árvores ou afiando as garras em troncos. Tudo depende, no entanto, do temperamento dos animais de estimação (alguns cachorros são bastante “curiosos”).

A contaminação ocorre através do contato das garras dos animais com material orgânico em decomposição (cascas de árvores, espinhos, palha, tábuas úmidas de madeira, etc.), na presença do fungo, que pode ser trazido na sola dos sapatos, através de outros animais e mesmo através das correntes de ar.

Uma vez que a esporotricose tenha se instalado, ela passa a ser transmitida através de arranhões, mordidas e contato direto com a área lesionada da pele dos animais infectados com outros pets e com os donos.

Nos seres humanos, a doença é curável (mas pode provocar ulcerações gravíssimas na pele, de difícil tratamento), mas, em animais de pequeno porte, ela pode ser fatal. Nestes casos, o corpo deve ser cremado; enterrado, ele continuará sendo um vetor de transmissão da esporotricose.

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Perda de apetite (com rápido emagrecimento), cansaço, apatia, espirros e secreção nasal abundante, além da lesões na pele (inclusive com perda de pelos), são os principais sintomas da esporotricose. Muitos donos irresponsáveis abandonam os animais afetados, contribuindo para o aumento de casos da doença.

A principal providência é levar os pets ao veterinário e seguir o tratamento de forma adequada, tomando algumas precauções, como isolar os cães e gatos afetados, usar luvas cirúrgicas nos momentos de aplicação dos medicamentos e lavar as mãos com água e sabonete sempre que houver contato direto.

Nas médias e grandes cidades, existem algumas clínicas veterinárias de baixo custo e até mesmo gratuitas, quase sempre vinculadas a faculdades de Medicina Veterinária. No Rio de Janeiro, a unidade veterinária da prefeitura atende de segunda a sexta-feira, de manhã e à tarde. Para obter maiores informações, ligue 1746 ou acesse o site www.1746.rio.gov.br.

Para prevenir, é importante restringir os “passeios” de gatos e cães pelos quintais e manter os ambientes domésticos em que os animais circulam sempre higienizados, fator que ajuda a eliminar os fungos dispersos da esporotricose.

A esporotricose nos humanos

Em seres humanos, a esporotricose pode apresentar os primeiros sintomas de poucos dias a três meses depois da exposição ao fungo e apresenta formas cutâneas avermelhadas (restritas especialmente à pele do rosto e dos membros superiores), subcutâneas e linfáticas. Estas são as formas mais frequentes da doença; em casos mais raros, os microrganismos podem se alojar em órgãos torácicos e abdominais.

A esporotricose, nos estágios iniciais, pode ser confundida com outras micoses e doenças da pele. Lesões em fileira, no entanto, são típicas da infecção. No caso de feridas ou verrugas persistentes, recomenda-se consultar um dermatologista.

As formas cutâneas da esporotricose são as seguintes:

• forma cutânea localizada – restrita à pele, podendo provocar ínguas, uma forma de comprometimento do sistema linfático. Esta forma, que também pode atingir a boca e os olhos, se caracteriza por nódulos (lesões elevadas), que podem ser verrucosas (endurecidas e com pele áspera) ou ulceradas (com aspecto semelhante ao de um ferimento);

• forma cutâneo-linfática – esta é a forma de manifestação mais frequente da esporotricose. A inflamação tem início com nódulos que podem apresentar ulcerações. A partir deles, formam-se cordões endurecidos que atingem os vasos linfáticos em direção aos gânglios. Ao longo destes cordões, formam-se outros nódulos, que também podem ulcerar;

• forma cutânea disseminada – as lesões da pele, verrucosas ou ulceradas, se disseminam pela pele. Esta forma é mais comumente encontrada em idosos e pacientes imunodeprimidos.

Na forma extracutânea da esporotricose, a infecção atinge órgãos internos, tais como pulmões, ossos, testículos, articulações e sistemas nervoso central. Nestes casos, pode ocorrer imunodepressão, facilitando o surgimento de outras infecções, uma vez que as defesas do organismo ficam mais ou menos seriamente comprometidas.

O tratamento para esporotricose

Na maioria dos casos de esporotricose, o tratamento é feito com base em iodeto de potássio (100 mg) e antimicóticos tópicos (pomadas) e orais. As doses e o período de tratamento precisam ser determinados por um dermatologista. Nas formas mais graves, pode ser necessário adotar o uso de antimicóticos intravenosos.

O iodeto de potássio é bastante eficaz no tratamento da esporotricose, mas apresenta efeitos colaterais e contraindicações. Gestantes até o terceiro mês e lactantes não devem tomar o medicamento. Idosos com mais de 65 anos só podem se submeter ao tratamento sob rigoroso controle médico, com ajuste severo da posologia.

As contraindicações são as seguintes:

  • hipersensibilidade ao iodo;
  • tuberculose pulmonar ativa;
  • insuficiência renal ou hepática;
  • hipertireoidismo.

Durante o tratamento, podem surgir as seguintes reações adversas:

  • irritação gastrointestinal;
  • hipersensibilidade aguda (como doenças do soro, que são reações tardias de hipersensibilidade);
  • hipertireoidismo medicamentoso, caracterizado por febre, parotidite (aumento das parótidas, as maiores glândulas salivares pares) e erupções cutâneas;
  • no uso concomitante com outros medicamentos formulados à base de iodo ou diuréticos, podem surgir arritmias cardíacas e hipercalemia (caracterizada pela presença de altos índices de potássio no sangue).


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