O funeral de um veterano de guerra

Rico serviu no Afeganistão. Ao morrer, o dono, sargento Russ Beckley, providenciou um funeral digno.

Quando Rico, um pastor alemão, se aposentou, ele passou a morar com o sargento Beckley e sua família, em Saugatuck, Michigan (EUA), uma cidade de pouco mais de 1.000 habitantes. Em 2012, aos 12 anos e meio, no entanto, ele começou a apresentar problemas graves de saúde.

Em sua última visita, em junho de 2016, o militar teve de tomar uma decisão muito difícil: mandar sacrificar Rico, para poupá-lo das muitas dores que ele vinha sentindo, o que ocorreu no dia 18/06/16, às 10h. A idade estava cobrando a sua parte e o animal não teria muito tempo; além disto, a qualidade de vida estava totalmente comprometida.

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O animal estava com displasia coxofemoral e apresentava problemas de visão e audição. Fotos – muitas fotos – de suas temporadas pelo Afeganistão, no entanto, atestam que o cão de guerra estava com todas as forças em suas incursões nos campos de batalhas.

Rico participou de 240 missões e sobreviveu a 30 ataques a bala. Beckley Jr. também foi ferido, pelo que recebeu a estrela púrpura, uma condecoração conferida pelo presidente dos EUA para os integrantes das Forças Armadas que tenham sido feridos ou mortos em batalha. A homenagem é conferida desde abril de 1917.

No front, o sargento e Rico dividiram uma cama de campanha por mais de um ano e, felizmente, conseguiram sobreviver sem lesões graves. O sargento continua na ativa no Corpo de Fuzileiros e reside na Carolina do Norte, distante cerca de 1.000 km de Saugatuck, com a mulher e filhos.

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Quando chegou o momento final, Rico morreu pacificamente, ao lado da família, em uma clínica veterinária. Beckley fez questão de demonstrar todo o afeto que sentia pelo cachorro, durante o curto período entre a injeção letal e a morte.

O funeral

A família Beckley providenciou uma cerimônia na própria residência e recebeu o apoio e conforto de militares, amigos e vizinhos (foram reunidas dezenas de pessoas). O sargento e seu pai, Russ Beckley Sênior, que também serviu nos marines (o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA), vestiram os uniformes, fizeram as últimas homenagens e carregaram o caixão, coberto com a bandeira americana, até a sepultura, para a despedida final.

A deposição do caixão na tumba foi acompanhada por uma salva de 21 tiros. Uma despedida especial, feita pela família deste herói americano. O sargento afirmou: “Rico era tudo para mim e eu era tudo para ele; ele sempre estava ao meu lado e agora é a minha vez de estar ao lado dele”.

Esta é a quarta geração de marines na família. A coragem e lealdade de Rico sempre surpreenderam, mas, em seu discurso, Beckley Sr. afirmou que, nas ausências dos dois filhos (um humano e um canino), era preciso dormir com o celular ao lado do travesseiro, imaginando onde eles estavam e o que estavam fazendo, sempre temendo por uma notícia ruim.

Seja como for, continua o pai, “Rico nos honrou nestes anos todos e agora chegou a nossa vez de prestar as homenagens; eu sempre me pego pensando em quanto este cachorro foi leal ao meu filho, a mim e ao nosso país”. Rico morreu nos braços de Beckley Sr.: “foi uma despedida agradável”, completa.

Foi uma despedida adequada para o cão, feita pela família. Beckley Jr. afirma que, um dia, eles voltarão a se reunir em um lugar melhor.

Uma curiosidade: outro cão pastor alemão chamado Rico também recebeu honras militares. Em agosto de 2007, ele e seu parceiro Keith Duckett estavam perseguindo um caminhão no Arizona quando o animal recebeu um tiro e não resistiu aos ferimentos.

O Departamento de Segurança Pública do Arizona criou um memorial para o cão policial. A homenagem está instalada no Quartel General de Tucson, sede do Condado de Pima. A visitação pode ser feita das 10h às 16h.

Veja o vídeo:

Qual sua opinião sobre o sacrifício do cão? Você teria coragem de fazer o mesmo?

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2 Comentários

  • Sim teria. Se ele estivesse sofrendo e não houvesse mais o que fazer pro seu bem estar. Mandei eutanasiar dois dos meus 5 cachorros. Não dá pra ficar vendo aquele ser que amamos tanto sofrendo como os meus que morreram com câncer. Com todos eles estive até o último suspiro. Não fiquei com culpa, fiz tudo que se poderia fazer até veterinário dizer pra mim que não tinha mais jeito, era o fim da linha. Pra que deixar o bichinho sofrer mais. Fica uma saudade imensa e a sensação que fiz tudo que foi possível.

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