Obesidade Canina – prevenção, causas e tratamento

Ela é responsável por diversos problemas de saúde. Nos casos da obesidade canina, a culpa é exclusiva dos donos.

A maior parte dos casos de obesidade canina, assim como ocorre entre os humanos, é provocada por alimentação inadequada ou excessiva, aliada à falta de exercícios físicos. As exceções são algumas alterações hormonais e problemas ósseos ou musculares que impeçam ou limitem a locomoção.

No Brasil, não existem estudos abrangentes sobre o total de animais afetados, mas, nos EUA, mais de 55% dos cães já apresentam sobrepeso e entre 20% e 40% dos pets estão obesos (isto significa um total de 34 milhões de indivíduos). Esta parece ser uma tendência entre totós e bichanos acima dos quatro anos de idade nos países ocidentais.

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Muitos pugs apresentam problemas respiratórios e, por isto, são pouco ativos.

Os animais com sobrepeso apresentam-se até 15% acima do peso corporal considerado adequado, sem alterações sensíveis na proporção entre tronco, pescoço e membros. Valores acima deste percentual indicam a obesidade canina.

Os proprietários precisam ser responsáveis por alguns cuidados essenciais:

• oferecer alimentação adequada de acordo com a raça, sexo, porte físico, idade e condições gerais de saúde;

• levar os cães para consultas regulares com veterinários e seguir rigorosamente os tratamentos médicos indicados;

• passear diariamente com os animais, independentemente das condições climáticas.

Como detectar a obesidade nos cães

Muitos proprietários acreditam que a oferta ilimitada de alimentos para os cães é uma boa prática, uma vez que os animais teriam condições, por si sós, de estabelecer as porções diárias adequadas. Este é um erro grave: os cachorros (e também os gatos) tendem instintivamente a devorar tudo o que estiver ao seu alcance.

Na natureza, felídeos (linces, onças, tigres, etc.) e canídeos (lobos, raposas, coiotes, etc.) consomem toda a carne disponível, inclusive disputando carcaças com animais oportunistas, como abutres e hienas. É uma maneira de formar depósitos de gordura – que podem ser transformados em energia para as atividades metabólicas, que são indispensáveis nos períodos em que a caça escasseia, como no inverno e na estação chuvosa.

Este bassê é um exemplo de obesidade canina mórbida.

Os animais domésticos apresentam a mesma conduta, apesar de a maioria nunca conviver com períodos de “vacas magras”. Trata-se de uma estratégia evolutiva de sobrevivência, bastante semelhante à que faz os humanos de ambos os sexos acumularem principalmente gordura no abdômen e quadril.

Mas, ao contrário do que pensavam os antigos, “gordura não é sinônimo de saúde”. Até a década de 1960, pais orgulhosos exibiam bebês rechonchudos para comprovar que as crianças estavam sendo bem cuidadas. E, como os cães são praticamente filhos dos humanos, o mito se transferiu para eles.

A prevenção da obesidade canina

A partir do desmame, o tutor precisa educar o novo membro da família a “não fazer cara de pidão” durante as refeições e lanches dos parentes humanos. Os petiscos devem ser reservados para o adestramento, nunca utilizados como estratégia para “abrir o apetite”.

A oferta de alimento para os cães deve seguir uma rotina relativamente rígida. A tigela de ração (ou de alimentação natural) deve ser apresentada sempre em horários preestabelecidos, com as mesmas porções, a não ser que o veterinário recomende um aumento ou redução. Os cães não precisam de lanchinhos entre as refeições, nem experimentam grandes prazeres com a comida, que, para eles, é apenas uma necessidade fisiológica.

Também por motivos de higiene, o comedouro deve permanecer disponível durante um período pré-definido. Esta estratégia evita que o alimento coma à hora que quiser (o que ele entende como um ato de submissão por parte da família humana).

No momento da refeição, é ideal deixar o cão sozinho, sem que ele consiga perceber eventuais observações. Os especialistas contraindicam o oferecimento de recompensas, mesmo quando os animais se recusam a alimentar-se. Caso eles “limpem o prato” antes do tempo estipulado, é necessário atrair a atenção para outra atividade e só então retirar a tigela.

Avaliando cães obesos

A avaliação meramente física pode ser bastante subjetiva. Com exceção de veterinários e criadores, que conhecem as características gerais de cada raça, é muito difícil que um leigo identifique a obesidade canina apenas com o olhar e o toque.

Seja como for, os proprietários sabem identificar o formato, silhueta e conduta geral de seus companheiros de quatro patas. Desta forma, em boa parte dos casos, é possível avaliar o comprometimento do corpo e a perda da vivacidade. Estas ocorrências devem ser informadas durante a consulta, para o veterinário; elas servirão de subsídios para o diagnóstico.

O exame veterinário consiste em um verdadeiro arsenal de fórmulas matemáticas: o diagnóstico analisa e apalpa diversas partes do corpo do cão (especialmente pescoço, tórax, abdômen e membros anteriores com o animal em pé, sentado e deitado), além de mensurar a relação entre peso e perímetro torácico e comparar estas medidas com os padrões das federações cinológicas e, claro, com o prontuário médico.

Este é um dos motivos por que o acompanhamento regular das condições fisiológicas é tão importante, quando se trata de medicina preventiva e corretiva.

A melhor forma de acompanhamento do peso corporal é o exame biométrico, uma avaliação clínica básica sobre o estado geral de saúde que inclui a verificação do perfil lipídico, peso, altura, índice de massa corporal, entre outros.

Este exame é realizado anualmente com os cães adultos e pelo menos bimestralmente entre os animais em fase de desenvolvimento físico. Com estas avaliações, é possível identificar precocemente o ganho de peso anormal e é sempre mais fácil reverter o sobrepeso: quando a obesidade canina se instala, os depósitos de gordura já estão delineados.

Os problemas da obesidade nos cachorros

Da mesma forma que o sobrepeso, a obesidade em cachorros é considerada pelos especialistas em saúde e nutrição animal como uma doença por si só, independente de estar associada a outras condições patológicas. A gordura em excesso naturalmente forma coágulos (trombos) que passam a circular mais ou menos livremente na corrente sanguínea, que fica prejudicada.

Estes coágulos podem se fixar às paredes das artérias e veias. Neste estágio, surgem a aterosclerose e a trombose, enfermidades responsáveis por problemas cardíacos, cerebrais e vasculares inclusive no curto prazo, especialmente entre os cães de menor porte.

A obesidade pode comprometer ou até inviabilizar a locomoção.

A obesidade canina, no entanto, pode se associar a outras condições patológicas que prejudicam mais ou menos gravemente a qualidade de vida dos animais de estimação, chegando inclusive a reduzir a expectativa de vida. As mais comuns são:

• dificuldade para respirar e perda de fôlego progressivamente mais frequente;

• problemas de movimento e deslocamento, determinados pela sobrecarga extra aos ossos, músculos, tendões e articulações;

• intolerância ao calor (mais facilmente sentida entre os cachorros pequenos e os pertencentes a raças como samoiedas e huskies siberianos);

• distúrbios geniturinários;

• insuficiência cardiovascular;

• problemas respiratórios crônicos;

• alguns tipos de câncer.

Os problemas de locomoção são particularmente sentidos entre os cães com displasia coxofemoral (ou com histórico familiar da doença). Esta enfermidade é caracterizada por anormalidades nas articulações do quadril com o acetábulo, na cabeça e colo do fêmur e gera dificuldade de andadura e perda de equilíbrio motor.

A displasia coxofemoral afeta cães de todas as raças, podendo inclusive ser determinada por desenvolvimento físico acelerado, mas é mais comum entre os molossoides, como pastores alemães, rottweilers, dogues alemães e filas brasileiros.

A partir dos sete anos, cães e gatos se tornam mais suscetíveis a desenvolver artrites e problemas na coluna vertebral, que podem gerar dificuldades de diferentes níveis, desde uma inflamação leve rapidamente corrigida com medicação e fisioterapia, até a perda da funcionalidade dos membros posteriores.

O tratamento para obesidade canina

Tão logo a obesidade no cão seja diagnosticada, o tratamento deve ser iniciado. Nos estágios iniciais, a doença não requer grandes estratégias, nem o emprego de medicamentos: a redução das porções de alimento e a adoção de exercícios físicos mais vigorosos são suficientes para reverter o quadro.

A regra geral da nutrição adequada é o chamado balanço positivo de energia. Os cães devem consumir um total de calorias suficiente para repor a energia consumida nas atividades do dia a dia: se comerem em excesso, eles engordam; abaixo do necessário, perdem peso; se o dono controlar o balanço de energia, o peso corporal permanece em níveis adequados.

Em alguns casos, no entanto, a obesidade canina provoca diversos aparelhos anatômicos. Os animais podem desenvolver doenças cardiovasculares, respiratórias, osteomusculares, renais, hepáticas e geniturinárias.

Estes males podem ser mais ou menos graves – e apenas o veterinário pode diagnosticar com presteza a necessidade de intervenção ambulatorial ou até mesmo cirúrgica. Nestes casos, os animais domésticos podem ter de:

  • adotar dietas de restrição alimentar;
  • trocar a ração para produtos específicos para diabéticos, cardiopatas, etc.;
  • submeter-se a treinamentos físicos específicos;
  • tratar as enfermidades decorrentes da obesidade negligenciada por períodos relativamente longos com medicamentos, cirurgias e próteses.

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