Como proteger seu cachorro dos rojões e fogos de artifício

Os cachorros possuem acuidade auditiva muito maior do que a nossa. Veja algumas dicas para protegê-los do barulho dos rojões e fogos de artifício.

Finais de campeonatos, festas de fim de ano, muitas confraternizações e barulhos. E também muitas oportunidades de pânico para os cães. Alguns animais, ao que parece, nem percebem o estouro dos rojões, mas a maioria fica apavorada. Um cão consegue ouvir até 40 vezes mais do que um humano, o que pode dar um panorama do pavor provocado por fogos de artifício e rojões.

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Os fogos têm a capacidade de aliar o “pavor sonoro” ao “pavor visual”. Um cão não tem condições de entender que se trata apenas de uma celebração. Para ele, o barulho e as alterações visuais são sempre uma ameaça – algo semelhante ao que nossos ancestrais sentiram há alguns milênios quando observavam relâmpagos e trovões.

Consequências dos fogos de artifício

Nas festas de fim de ano, algumas cidades promovem queimas de fogos que podem ultrapassar os 16 minutos de duração. Isto é um sério problema para os cães: além da maior acuidade auditiva, eles costumam associar o excesso de barulho a uma ameaça imediata.

Um cão pode se sentir muito ameaçado com o barulho dos rojões. A solução principal é não deixá-lo sozinho, especialmente no réveillon. Infelizmente, isto nem sempre é possível: muitas famílias viajam e não têm condições para deixar os pets em bons hotéis, protegidos dos ruídos.

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Sozinhos em casa, muitos cães querem fugir e, se houver alguma fresta, eles certamente procurarão um refúgio seguro. Para protegê-los, no entanto, e possível adotar algumas estratégias, lembrando sempre que a posse responsável de um cão ou gato exige algumas renúncias, como desistir de pular as sete ondas do mar na virada do Ano Novo.

Medidas protetivas

Uma medalha de identificação, com os dados do cão e formas de contato com o dono, garante o encontro de 90% dos animais perdidos (ou foragidos), de acordo com sociedades protetoras dos animais. Em algumas cidades do país, o RG animal já é obrigatório.

Vale lembrar que, em pânico, um cão consegue escapar dos ambientes mais protegidos. Não importa que ele saia para passear diariamente (ou até mais de uma vez por dia) ou que permaneça isolado em um apartamento. Em alguns casos, a aparente segurança pode representar riscos maiores (como despencar de uma sacada, por exemplo).

Estando em casa, é preciso evitar que o cão fique nos degraus de uma escada, mesmo que este seja, para ele, um “ambiente natural de proteção”. Fugas de emergência provocadas pelo barulhos de rojões podem determinar quedas, algumas delas fatais.

Garanta que o cãozinho tenha um ambiente adequado. Feche as portas, espalhe os brinquedos preferidos no local e ofereça petiscos nos momentos mais críticos. O cachorro não vai se condicionar imediatamente, mas, em alguns anos, é possível que ele alie a barulheira a momentos bastante raros de recompensa.

Nunca deixe o cão amarrado: em momentos de desespero, ele pode até de enforcar na coleira. É preciso raciocinar como cachorro: uma saraivada súbita de rojões equivale a um bombardeio – ou o lançamento sequencial de pedras, que, para os animais, tem o mesmo efeito.

Deixe o cachorro livre para encontrar um refúgio seguro – embaixo de uma mesa ou mesmo bem grudado em você. Mesmo a coleira (ou guia) pode ser responsável por acidentes desnecessários – e muitas vezes trágicos.

Caso haja mais de um cão na casa, convém separá-los. As situações de estresse favorecem as brigas e eventuais ferimentos. Caso ele se mostre irritado (quem não conhece um humano que “mostre as garras” quando está com medo?), deixe-o isolado na cozinha, por exemplo. Ninguém está interessado em ser mordido por um pet acuado.

Com relação à alimentação, ela não deve ser eliminada, mas oferecida em pequenas porções. Um cão não pode associar barulho excessivo e fome: o resultado seria desastroso. Experimente oferecer petiscos especiais, como biscoitos de treinamento. Não exagere: episódios de vômito e diarreia são comuns quando os pets estão ansiosos ou amedrontados. O excesso de comida pode causar até torções de estômago.

Para os animais muito apavorados, é possível ministrar calmantes e ansiolíticos. Os medicamentos, no entanto, devem ser prescritos pelo veterinário: nada de usar o “remedinho milagroso” usado pelo amigo ou vizinho. As condições físicas de cada pet precisa ser avaliada. Cachorros que gostam de vegetais podem ganhar uma porção de maracujá ou de camomila, por exemplo. A dose não pode exceder meia fruta por cinco quilos de peso.

Dicas especiais

Uma hora antes dos fogos, convém deixar o cão perto da TV ou do aparelho de som. O volume deve ser elevado gradualmente, para que o animal se acostume ao barulho constante e variado.

Muitos veterinários aconselham o uso de tampões de ouvido, que podem ser improvisados com chumaços de algodão. Em momentos de comemoração, os tampões podem ser colocados 30 minutos antes e retirados quando a febre dos fogos passar. A providência ajuda bastante a aliviar o medo.

 O truque do pano

O medo de barulho, inclusive de trovoadas, comumente é associado à hipersensibilidade nas patas traseiras, que tendem a se resfriar mais rapidamente. A condição pode estar associada à tensão na linha da coluna vertebral.

Toques atrás da orelha estimulam a circulação sanguínea e, consequentemente, favorecem a elevação da temperatura corporal: corpo quente significa redução do medo (nós suamos frio quando sentimos muito medo, certo?).

Vale o mesmo com um pedaço de pano: basta embrulhá-lo com um tecido (o cobertor preferido pelo cão é ideal, mas basta uma faixa de algodão que cubra o dorso), mesmo em dias quentes. A elevação da temperatura, conhecida como método Tellington Touch, aumenta a circulação do sangue nas extremidades (pernas e patas) e alivia a tensão nas costas, tornando o cão mais confiante em situações que causam medo. Veja a imagem:

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