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Acreditando que era um filhote de cachorro, família leva para casa uma raposa

Eles queriam um novo pet, mas acabaram levando uma raposa, pensando que era cachorro.

Uma família do Peru encontrou um lindo filhote em uma feira. Como o filho adolescente queria uma mascote, o animal foi adquirido. Todos acreditavam que se tratava de um cachorro, mas acabaram levando uma raposa para casa.

A confusão só foi descoberta por autoridades ambientais peruanas, depois que o filhote fugiu de casa e passou a atacar criações de galinhas e porquinhos-da-índia na vizinhança. A família mora na periferia de Lima, a capital do país.

Run-Run

O pretenso cachorro foi batizado com o nome de Run-Run, algo como “corra-corra” em inglês, por ser um animal muito ágil. Maribel Sotelo encontrou o “cãozinho” em uma feira no centro da cidade, mas ela nunca poderia imaginar que estava literalmente levando uma raposa para o galinheiro.

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Imagem: Reprodução/TikTok

Inicialmente, o cachorro brincava tranquilamente com todos os membros da família e era amigável com os animais de estimação dos vizinhos. Mas, à medida que o peludo crescia, começaram a surgir sinais de que alguma coisa estava errada.

O “cachorro” passou a perseguir patos e galinhas, gerando revolta entre os moradores. Não era apenas o gesto de brincadeira ou de guarda: Run-Run realmente pretendia matar e comer as aves.

O focinho pontudo, as orelhas proeminentes, as pernas altas e finas e a causa espessa, além do comportamento mais “selvagem”, diferente do esperado para os cachorros, “denunciaram” o animal, que havia sido vendido como um filhote de husky siberiano, por menos de R$ 70.

O tutor acabou descobrindo que, na verdade, Run-Run era uma raposa-andina (Lycalopex culpaeus), também conhecida como raposa-colorada ou zorro-colorado, o segundo maior canídeo da América do Sul, com porte menor apenas que o do brasileiro lobo-guará.

Assim como outras espécies do gênero Lycalopex, a raposa-andina não é uma “raposa verdadeira” (cujas espécies pertencem ao gênero Vulpes). Ela é mais próxima dos chacais e dos lobos. A espécie se distribui desde o norte do Equador até a Patagônia argentina.

Em poucos meses, Run-Run fugiu definitivamente de casa, mas nunca se afastava demais: ele era sempre avistado pela família e pelos moradores do local. O “cachorro” continuou invadindo galinheiros, gaiolas e viveiros.

Uma senhora da vizinhança reclamou que a família Sotelo pagasse por três preás mortos por Run-Run, mesmo depois que ele escapou de casa. Desde então, os antigos tutores da raposa tiveram de ressarcir as perdas de diversos criadores locais.

A raposa-andina não está em extinção. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que regularmente publica uma lista vermelha das espécies ameaçadas, a L. culpaeus está classificada como “pouco preocupante”, apresentando baixo risco de desaparecer.

Run-Run foi adquirido no início de 2021 e fugiu em maio. Desde então, o Serviço Nacional de Florestas e Vida Selvagem (SERFOR), do Peru, vem tentando capturar o animal. Como é possível que ele tenha nascido em cativeiro e esteja adaptado à vida urbana,  Run-Run deverá ser colocado em um zoológico peruano.

Maribel conta que Run-Run é muito inteligente. Como ele continua rondando a casa da família, como se entendesse o local como uma “base de operações”, os técnicos do SERFOR passaram a deixar alimentos com anestésicos, na tentativa de apreendê-lo.

A raposa, no entanto, separa cuidadosamente a carne dos remédios e não se deixa enganar. Por enquanto, as tentativas de agarrá-la estão sendo infrutíferas. moradores do local já filmaram o animal em seus ataques e fugas.

Tráfico de animais

A venda de animais silvestres nativos e exóticos (isto é, pertencentes à fauna de outros locais), apesar de proibida pelas legislações nacionais da maioria dos países e condenada por diversos tratados internacionais, é largamente praticada no mundo inteiro.

O tráfico internacional de animais é a terceira atividade criminosa mais lucrativa do mundo. A atividade perde apenas para o contrabando bélico (armas e munições) e de drogas ilícitas.

O Brasil é um dos principais pontos deste tipo de tráfico, tanto em função da fauna exuberante e muito diversa, quanto por ajudar a escoar o contrabando proveniente de outros países da América do Sul, principalmente andinos e amazônicos.

De acordo com a legislação brasileira, a criação e comércio de animais silvestres nativos é crime com penas a partir de três meses (para quem apenas adquire um animal e quer criá-lo em casa) a um ano de detenção (para quem movimenta efetivamente o tráfico).

Existem diversos agravantes para o crime, como o transporte inadequado, a morte de animais, a classificação na lista vermelha da IUCN, etc. Atualmente, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei para ampliar as penalidades.

Amaury Almeida Costa
Amaury de Almeida Costa ([email protected]) é redator publicitário há mais de 30 anos. Escreve para diversos blogs desde 2008. Presente nas redes sociais desde a época do Orkut, foi editor da revista Animanews, sucesso editorial do final dos anos 1990, que trazia informações sobre pets – além de cães, gatos e aves, trazia informações sobre répteis, anfíbios, peixes e invertebrados de estimação.
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