Antes de morrer, cachorro passa dias esperando o tutor para se despedir

A história mostra a falta que fazemos quando os cachorros ficam sozinhos. Ele passou dias esperando.

Cotton (algodão, em inglês) é um nome mais do que apropriado para um cão branco da raça pitbull. Ele vivia há muitos anos com a família no Estado do Oregon (noroeste dos EUA), desde que foi resgatado de um abrigo.

O tutor de Cotton, Phil, passou boa parte da infância e adolescência ao lado do parceiro fiel. O cachorro era o parceiro das brincadeiras e também um defensor e guardião, tanto da casa, quanto da família. Cotton era especialmente devotado ao tutor – que ele, na verdade, considerava ser um irmão.

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A espera

Aos 18 anos, Phil foi incorporado à Guarda Nacional do Oregon – um grupo das Forças Armadas americanas que atua apenas no território do país. O jovem deixou a casa paterna e seguiu para Portland, a maior cidade do Estado, para um fim de semana de exercícios militares.

Foi a primeira vez que Cotton passou tanto tempo longe do amigo e, claro, não entendeu o motivo da ausência. Durante três dias, ele permaneceu junto à porta de entrada da casa, esperando a volta de Phil.

No vídeo, é possível observar que, em alguns momentos, Cotton levanta a cortina da porta envidraçada com o focinho, na esperança de avistar Phil. E, mesmo com os dias amanhecendo e anoitecendo, ele não arredou pé do saguão da casa.

Para Cotton, a situação era aflitiva. Afinal, um membro da matilha estava desaparecido e, além dele, ninguém parecia se importar com a ausência. Os pais e irmãos de Phil tentaram distraí-lo de formas diferentes, mas o cachorro se recusou a sair de perto da porta.

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Até mesmo a comida e a água de Cotton tiveram de ser colocadas no saguão da residência. O cachorro permaneceu no seu posto durante mais de dois dias, rondando a porta e erguendo a cortina para tentar antecipar boas notícias.

Finalmente, Phil retornou para casa. As boas vindas de Cotton não poderiam ter sido mais doces e efusivas. Nas guerras, quando os soldados partem, deixam muitas saudades para trás, mas este vídeo prova que não são apenas os humanos que sentem falta.

Cotton permaneceu ao lado da família durante mais alguns meses, sempre atento para “servir e proteger” da melhor maneira possível. Os cães são guardiães naturais e este pitbull é um excelente exemplo desta característica que aproximou humanos e caninos.

Mas, Cotton já era um cachorro velho e doente. Ele estava quase completamente surdo, havia perdido parte dos dentes e desenvolveu problemas cardiorrespiratórios. Phil e os parentes tiveram que tomar uma decisão difícil: amenizar os sofrimentos do pitbull, que estava sofrendo com falta de ar e insuficiência cardiorrespiratória cada vez mais aprofundadas.

O pitbull foi levado a uma clínica, onde recebeu medicamentos para dormir para sempre. Phil ficou ao lado de Cotton enquanto ele dava os últimos suspiros – é difícil despedir-se de um grande amigo, mas a chamada “boa morte” é talvez a melhor solução para evitar o sofrimento desnecessário.

Tristeza e solidão

Assim como nós, os cachorros são seres sencientes. Isto significa que eles são capazes de sentir tristeza e alegria, raiva e medo. Os cães são seres vivos altamente sofisticados, que agem e reagem de acordo com as situações que vivenciam.

Nossos peludos também são capazes de antecipar situações. Eles gostam de rotinas muito bem definidas – é por isso que eles sabem que vão caminhar com o tutor ao vê-lo pegando a coleira, ou que o passeio será motorizado, quando o objeto escolhido são as chaves do carro.

Assim como Cotton, todos os cachorros se sentem tristes quando um membro querido da família sai de casa. Eles não fazem ideia de que precisamos e queremos trabalhar, estudar, namorar, sair com amigos. Para eles, o universo se resume à casa da família, com algumas breves incursões pelas ruas, durante os passeios, consultas médicas, etc.

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Uma solução possível para atenuar o problema é dedicar alguns minutos para brincar com o cachorro. O exercício físico provoca cansaço e eles dormem na maior parte do tempo de ausência, especialmente quando a casa fica vazia e silenciosa: não há nada para explorar, nem para investigar.

Alguns brinquedos deixados ao alcance também permitem que o peludo ocupe o tempo em que está solitário. Pode ser feito um revezamento dos objetos, para que as brincadeiras tenham sempre um ar de novidade.

Uma peça de roupa do tutor, deixada sobre uma cadeira no ambiente em que o cachorro fica durante as ausências, também ajuda a diminuir a saudade – é como se ele entendesse que o tutor está fora, mas algo dele continua ali. Mesmo lavadas e perfumadas, as roupas fornecem rastros importantes para o faro dos peludos.

É importante manter alguma coisa com que eles possam se ocupar: uma janela entreaberta, um áudio programado para reproduzir músicas ou conversas em alguns horários, brinquedos e conforto: o ambiente precisa ser arejado, limpo, com proteção para o sol, a chuva e o frio.

De qualquer forma, os tutores precisam saber que os cachorros sentem muita falta nas ausências. É possível atenuá-la e impedir que eles desenvolvam problemas emocionais, como ansiedade e depressão, para é impossível eliminá-la.

Por isso, é importante, na volta para casa, acolher o peludo – que passou minutos, horas ou dias à espera. Quem nunca tem disponibilidade para isso precisa considerar a possibilidade de adotar outro pet, como um furão, um aquário ou terrário.

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