Ave passou a latir depois de ser adotada por um cachorro

Depois que foi adotada por uma cachorra, esta ave passou a latir e comportar-se de forma canina.

Peggy é uma cachorra da raça staffordshire terrier, que foi resgatada em um abrigo por um casal australiano. Certo dia, durante uma caminhada, Peggy recolheu uma ave que havia sido abandonada pelo bando. Levada para casa, a ave passou a se comportar como um cachorro – inclusive latindo para chamar a atenção.

A ave – uma pega-cotovia – foi batizada de Molly. Peggy não poupou esforços para ambientar a recém-chegada na casa nova e as duas se tornaram melhores amigas. Desde então, e por imitação, a pega se comporta como se fosse um cachorrinho.

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A amizade

As pegas-cotovias são gregárias. Elas vivem em bandos, geralmente com um macho dominante, algumas fêmeas e vários filhotes. Estas aves se distribuem por toda a Austrália e gostam de viver perto de cursos d’água.

O nome científico da espécie é Grallina cyanoleuca. As aves, que também se adaptaram a ambientes urbanos, exibem penas brancas e pretas (ou de um azul-profundo, daí o nome da espécie).

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Pode parecer cruel, mas, na natureza, os filhotes menos viáveis acabam sendo rejeitados pelos pais, para não prejudicar os outros membros. Uma cria frágil e doente pode representar sérios riscos para a sobrevivência do grupo inteiro.

Provavelmente, foi isto que aconteceu com Molly. Ela foi abandonada pelos pais e irmãos e provavelmente não teria nenhuma chance se não tivesse sido encontrada pela família de Peggy. Talvez o destino tenha favorecido o encontro.

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A família da staffordshire terrier vive em Coomera, cidade na região metropolitana de Gold Coast (Estado de Queensland, na costa leste da Austrália). Há alguns meses, Peggy e os pais foram passear em um parque à beira-mar distante 26 km de casa.

Foi lá que Peggy encontrou Molly. As pegas-cotovias constroem ninhos em arbustos baixos ou até mesmo no chão – elas não são aves que costumam alçar longos voos. Mas Molly estava sozinha. Apesar de já emplumada, ficou evidente que se tratava de um filhote abandonado.

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Juliette Wells, a tutora de Peggy, ainda inspecionou a região, na tentativa de encontrar o bando de aves. Havia alguns grupos nas redondezas, mas nenhum deles deu importância ao filhote rejeitado. Por isso, Juliette e seu marido Reece resolveram levar a pega para casa.

Juliette e Reece trataram da ave durante vários dias seguidos, cercando-a de todos os cuidados necessários, sempre sob os olhos atentos de Peggy. Acostumada a receber alimento e carinho, a ave acabou se incorporando à família.

Em pouco tempo, a cachorra se tornou enfermeira, babá e guardiã da ave. Peggy vigiava todos os passos da pega-cotovia, que começou a imitar a amiga: ela corre ao lado da staffie, faz festa para os tutores, aprendeu a latir e até deita-se com a barriga para cima quando quer um carinho a mais.

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Havia um bom motivo para a dedicação de Peggy: ela estava se preparando para cuidar dos próprios bebês. Poucas semanas depois da adoção de Molly, a staffie deu à luz seis lindos filhotes. Inicialmente, os tutores recearam a proximidade da ave.

Na fase da amamentação, as cachorras podem se mostrar agressivas, se entenderem que essa atitude é necessária para proteger a cria. Juliette e Reece tentaram afastar Molly, mas ela já estava totalmente adaptada à convivência com a staffie.

Felizmente, a cachorra não esboçou nenhum gesto violento. Apesar de sempre tentar ocultar os filhotes dos estranhos, ela partilha o ninho com Molly, que passeia tranquilamente sobre os filhotes. Os dois animais firmaram uma parceria altamente improvável, mas muito bonita de se observar.

Os vínculos entre Peggy e Molly são muito profundos, apesar de contrariarem todas as “regras” da natureza. Molly, que se tornou uma ave saudável e segura de si, aproximou-se dos cãezinhos, sempre de olho para que eles não sofressem nenhum dano. Os filhotes rapidamente se tornaram amigos da ave.

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A relação desta família inusitada é algo muito agradável. A aproximação atraiu a atenção da imprensa australiana e fotos da dupla, ao lado dos cãezinhos, viralizaram nas redes sociais. Mesmo assim, o casal Wells sabe que, para o bem de Molly, ela precisa ser livre.

A ave percorre toda a casa, mas não vive em uma gaiola – aliás, ela prefere se aninhar na cachorra quando quer relaxar e cochilar. Mas Molly é livre para ir e, tendo a opção de voar para longe e encontrar um “bando de iguais”, por enquanto, ela prefere ficar com a família, cuidando dos cãezinhos e divertindo-se com a amiga.

Desta maneira, a amizade entre uma cachorra e uma ave segue firme e forte. É possível que Molly, algum dia, atenda ao chamado da natureza e forme um bando – talvez até traga os próprios filhotes para apresentar à família.

Enquanto isto não acontece, Peggy e Molly são as estrelas de páginas nas redes sociais – apenas no Instagram, elas são seguidas por mais de 44 mil internautas. Os vídeos e fotos cativam um número cada vez maior de fãs, encantados com as características caninas de uma ave.

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