Cachorra aprende a falar com sua humana fonoaudióloga

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Ela usa uma placa de áudio, mas é um feito e tanto, mesmo assim. Conheça a cachorra que sabe falar. Entenda como isso foi possível…

Uma fonoaudióloga americana, que passa a vida ajudando pessoas com problemas de fala, também conseguiu ensinar a sua cachorra a falar. Christina Hunger decidiu aplicar as técnicas do seu trabalho com crianças de um e dois anos em Stella, que aprendeu a formar pequenas frases com o suporte de uma placa de áudio. 

Etologistas e adestradores tentam há décadas decifrar a linguagem dos cachorros. Afinal, o que significa ficar com o traseiro para o alto, abanando a cauda? Ou então, por que os peludos se deitam de barriga para cima quando querem fazer a paz e ficar de bem? 

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Todo tutor deve aprender o básico destas formas de comunicação, para garantir uma coexistência pacífica e produtiva. Christina, no entanto, foi um passo além. Ela treinou Stella a falar, com alguns equipamentos usados no dia a dia do consultório. 

A “fala” de Stella 

Stella é uma cadela mestiça de Catahoula cur, o cão leopardo da Catalunha. Para ensinar a cachorra a falar, Christina adaptou uma caixa de ressonância – um dispositivo com vários botões, identificados por cores diferentes, presos a uma placa. 

Cada um destes botões, ao ser acionado, reproduz o áudio de uma palavra. O treinamento teve início logo que Stella foi adotada, quando tinha oito semanas de idade. Com um ano e meio de exercícios diários, a cadela aprendeu a “falar” 29 palavras diferentes e a formar cinco frases – a mais complexa é formada por cinco vocábulos. 

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A placa foi desenvolvida para uso em consultório: as crianças atendidas, com dificuldades de expressão, usavam os botões coloridos para realizar a tarefa da comunicação de uma maneira divertida e lúdica. Surpreendentemente, Christina descobriu que Stella podia usar o equipamento de maneira bastante eficiente – mesmo para crianças humanas. 

Stella consegue informar à tutora, por exemplo, que está cansada de uma brincadeira, quer trocar de objeto e fazer outra coisa. A cachorra também “fala” quando está com fome, o que gostaria de comer (ração ou petisco) e avisa sobre o momento do passeio diário. 

A cachorra avançou um pouco: além de avisar sobre a hora da caminhada, ela também tem opções para escolher para onde gostaria de ir. Christina e Stella vivem em San Diego (Califórnia, EUA) e a cachorra opta pela praça ou pelas escadarias. 

Christina Hunger disse, em entrevista à rádio KQED, que Stella usa linguagens diferentes de acordo com o humor do momento: ela escolhe algumas palavras quando está tranquila, que são trocadas quando a cachorra está excitada. 

Certo dia, Stella ouviu ruídos estranhos vindos da rua e queria sair para investigar. A tutora, no entanto, disse que elas ficariam dentro de casa. A cachorra respondeu com uma série de expressões: “Veja”, e, em seguida, “Vamos para fora”. 

Nessa experiência, a cadela estava em um ritmo frenético e as palavras escolhidas denunciavam o ritmo acelerado. De acordo com a especialista, todos nós nos expressamos de maneiras diferentes quando estamos calmos, atentos ou preocupados – e Stella não é exceção à regra. 

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A tutora e pesquisadora observou que Stella usa a caixa de ressonância principalmente quando está em atenção ou alerta, como se precisasse de recursos extras para a comunicação. O uso é facultativo nos momentos de descanso e relaxamento. 

Para Christina, o uso da linguagem em momentos de excitação e perigo é semelhante a situações em que crianças pequenas passam a verbalizar o que querem, em vez de apenas chorar e apontar. Stella está aprendendo a real utilidade das palavras e escolhe as situações em que o uso é mais eficiente do que os latidos e a expressão corporal – as formas de comunicação típicas dos cachorros. 

A cachorra também sofisticou um pouco mais o uso da linguagem. Além dos alertas – e dos desejos – ela passou a “falar” também sobre o que acabou de fazer, como está se sentindo, etc. Estas são formas mais complexas de comunicação. 

As experiências de Christina com Stella foram adotadas apenas para que a fonoaudióloga pudesse testar a eficácia das técnicas usadas no consultório – ela atende crianças pequenas, de até dois anos, com dificuldades de fala ou de enriquecimento do vocabulário. 

Stella, no entanto, revelou um nível de inteligência insuspeitado. Ela consegue construir pequenas frases, contestar ordens e determinações. O aprendizado foi muito rápido e o projeto da fonoaudióloga está atraindo a atenção de pesquisadores de diversos países.