Um homem foi internado às pressas e a cachorra ficou na porta do hospital durante o tempo todo.

Aconteceu em Trabzon, no nordeste da Turquia, em janeiro de 2021. Boncuk é uma cachorra extremamente fiel à família humana. Quando Cemal Senturk, o tutor, teve de ser internado, ela acompanhou a ambulância e ficou à espera na porta do hospital durante seis dias.

A administração do hospital comunicou à família que a cachorra havia seguido a ambulância e a filha de Senturk, Aynur Egeli, rapidamente foi buscar o pet. O “resgate”, no entanto, não funcionou: a cachorra insistiu em permanecer o mais próximo possível do tutor.

A vigília

Durante seis dias, Boncuk escapou de casa e refez o caminho até o hospital, distante seis quilômetros. Mesmo com a vigilância da família, a cachorra chegava ao hospital por volta das 9h e ficava esperando o tutor.

Boncuk voltava para casa quando o sol se punha. Funcionários do hospital relataram que a cachorra fica ansiosa e atenta, tentando identificar algum sinal do tutor, mas nunca se mostrou agressiva ou amedrontada: ela queria receber notícias do parente, que sabia estar ali, em algum lugar.

Não se sabe como Boncuk aprendeu o trajeto. Ela seguiu a ambulância, mas, na ocasião, estava aflita, sem entender o que se passava. Nos dias seguintes, ela refez o caminho com facilidade, apesar de não estar acostumada a andar sozinha nas ruas de Trabzon.

Cachorra espera tutor em hospital
Foto: Medical Park Hospital/ Reprodução

Boncuk é mais um exemplo para confirmar que o cachorro é o melhor amigo do homem. Senturk teve um problema neurológico e permaneceu isolado: não lhe era possível nem sequer observar a rua a janela do quarto. A cachorra, mesmo assim, permaneceu como um fiel escudeiro.

O diretor clínico do Hospital Medical Park, Murat Ercan, contou para jornalistas que Boncuk se comportou muito bem durante os seis dias da internação de Senturk: “ela conseguiu ganhar o amor e a atenção de toda a equipe médica e de enfermagem”.

A família não consegue explicar como Boncuk conseguiu fugir com tanta facilidade – e ela fez isso durante seis dias seguidos. Os parentes dizem que a cachorra é dócil e obediente. Além disso, eles vivem em um apartamento e Boncuk teve de cruzar a porta de casa, a portaria e o portão do edifício.

Mas não foi apenas Boncuk que sentiu a ausência. Senturk também se ressentiu da falta da cachorra. Eles vivem na mesma casa há nove anos e são muito apegados; de acordo com relatos os outros membros da família, é um relacionamento especial, diferenciado.

Senturk tentou tranqüilizar a amiga canina. Assim que pôde se levantar do leito hospitalar, ele acenou para a cachorra da janela, na esperança de que ela se resignasse e ficasse em casa. Mesmo assim, Boncuk escapou de novo nos dois dias seguintes e provavelmente continuaria fugindo, se o tutor não tivesse recebido alta.

Finalmente, depois de seis longos dias, o reencontro aconteceu. Boncuk não cabia em si de alegria quando percebeu a aproximação de Senturk. Mesmo antes que a porta do hospital se abrisse, ela começou a abanar o rabo freneticamente. Ao rever o tutor, a cachorra não parava de latir e pular.

Fidelidade

Não é raro que cachorros acompanhem os tutores. Eles são animais fiéis “na saúde e na doença”. Qualquer pessoa que convive com um cão sabe que eles realmente se preocupam com o bem-estar de toda a família e, se alguém fica doente, é difícil retirar o cachorro do pé da cama – ou da porta do quarto.

Recentemente, no México, um cachorro perdeu o tutor para a Covid-19. O homem não identificado foi internado em novembro de 2020 e, desde então, o peludo não deixa a porta do Hospital General Solidaridad, de Nuevo Laredo.

Cachorra espera por 6 dias na porta do hospital por seu humano hospitalizado
Foto: Medical Park Hospital/ Reprodução

O tutor, infelizmente, não resistiu à doença e veio a óbito no final de dezembro. A fidelidade do cachorro – batizado de Covito –, rendeu bons frutos. Ele foi adotado pela equipe do hospital e está em treinamento para trabalhar como cão terapeuta.

Em Nova Lima (região metropolitana de Belo Horizonte), o cão sem raça definida apelidado de Negão espera há sete anos pelo tutor, também na porta do hospital. Os funcionários do Hospital Nossa Senhora de Lourdes contam que Negão chegou com o tutor em 2013 e não saiu mais da porta.

A dedicação de Negão também foi recompensada. A equipe do hospital instalou uma casinha para o cachorro ao lado da ala pediátrica, doada por um paciente. Desde então, o peludo vive no hospital, recebendo alimento e carinho de todos que usam a lanchonete local. Mas, aparentemente, ele continua à espera do tutor.


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