Cachorra se assusta com fogos e cai do terraço

O incidente aconteceu em Goiânia. Com medo dos fogos, a cachorra caiu do terraço no 4º andar.

As cenas são impressionantes. Um morador do bairro Parque Amazônia, na zona sul de Goiânia, conseguiu gravar o momento em que uma cachorra, que se assustou com o barulho dos fogos de artifício na noite do Réveillon, tentou escapar e acabou caindo do terraço no quarto andar de um edifício residencial.

Para os cachorros, as festas de fim de ano não são muito agradáveis. Apesar de a maioria dos municípios brasileiros proibir a queima de fogos de artifício com barulho, os estampidos são muito comuns e os peludos, sem conseguir entender o que está acontecendo, sofrem bastante com o “bombardeio”.

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O incidente

No último dia do ano, poucas horas antes das comemorações da Virada, uma cachorra da raça shih tzu, de 11 anos, ficou desesperada com o barulho ensurdecedor e conseguiu se esgueirar por uma fresta na porta do terraço.

Ao jornal “Mais Goiás”, o casal que filmou a situação declarou ter ouvido um barulho muito estranho, de gritos vindos das alamedas internas do condomínio. Eles moram em uma torre no mesmo conjunto residencial da cachorrinha.

Tina, a shih tzu apavorada, tentou se esconder no terraço, sem saber o que estava acontecendo, nem de onde vinha o ruído tão assustador. Ela passou pela porta de vidro, ultrapassou o gradil do terraço e despencou de uma altura de 15 metros.

Alguns moradores estavam comemorando a passagem de ano na churrasqueira do condomínio e logo a promotora de vendas Flávia Cattarina, moradora que filmou a queda, percebeu que eles apontavam para alguma coisa errada na torre vizinha.

Tina estava dependurada, para o lado de fora do gradil. Um dos moradores do condomínio conseguiu encontrar um lençol e o zelador começou a reunir voluntários para atuar no salvamento. Enquanto os vizinhos se juntavam, a cachorrinha tentava bravamente se segurar na mureta abaixo do nível do terraço.

Ela estava realmente apavorada. No vídeo postado nas redes sociais, é possível ouvir o barulho dos fogos de artifício, que não davam trégua, aumentando ainda mais o sofrimento da shih tzu. Por fim, sem conseguir aguentar mais, Tina despencou.

O salvamento

Felizmente, os vizinhos conseguiram ampará-la com o lençol, improvisado como uma rede de segurança. Enquanto isso, o tutor de Tina não fazia ideia do que estava acontecendo. Tudo se passou em apenas alguns minutos.

O gerente de loja Gean Siqueira, tutor da shih tzu, havia saído do apartamento com uma amiga, carregando algumas coisas para a festa de Réveillon que se realizaria em poucas horas. Aos repórteres, Siqueira disse que tinha deixado apenas uma pequena abertura no terraço.

“Eu saí para levar algumas coisas para a festa com uma amiga e, como o meu apartamento pega sol na parte da tarde, deixei uma fresta para que Tina pudesse aproveitar o calor do final do dia. Em poucos minutos, o vizinho do lado telefonou para mim, contando o que estava acontecendo”.

O tutor de Tina não teve tempo de se desesperar. Ao receber a notícia de que a cachorrinha estava dependurada no terraço, ele deixou tudo para trás e correu para o apartamento. A shih tzu já tinha sido resgatada e estava a salvo, no colo do vizinho. Ela estava ansiosa e estressada, mas não sofreu nenhum ferimento.

Siqueira contou que não conseguiu acreditar no que estava acontecendo. Ele acredita que, se não fosse pela mobilização do zelador e dos vizinhos, alguma coisa muito pior teria acontecido: “Quando vi o vídeo, só quis chorar. Ela é minha filha”, resumiu o tutor.

Cachorros e fogos

Episódios envolvendo cachorros e fogos de artifício são comuns durante o ano inteiro, mas se intensificam durante as festas de fim de ano. Relatos de fugas, acidentes e traumas são bastante comuns – e muitos não têm o final feliz da história de Tina.

Grandes cidades como Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Goiânia, Rio de Janeiro e São Paulo já proibiram a queima de fogos de artifício barulhentos, uma medida que beneficia não só a maioria dos cães e gatos, mas também os bebês, idosos e enfermos.

Os cachorros têm uma capacidade auditiva muito superior à dos humanos e, para eles, ruídos acima de 60 decibéis (uma conversa mais acalorada, por exemplo) são suficientes para deixá-los incomodados, estressados e ansiosos.

Comparado ao dos humanos, o ouvido dos cães consegue perceber uma frequência maior de sons, que podem ser detectados a uma distância até quatro vezes maior. Por isso, comemorações ruidosas, como as do Réveillon, se tornam verdadeiras sessões de tortura para eles.

O veterinário Daniel Prates, que atua no Distrito Federal, afirma que se trata de um problema seríssimo: “Já atendi um cachorro que atravessou uma vidraça durante a queima de fogos. Ele chegou à clínica cheio de cacos de vidro no rosto, peito e braços. Também já recebi um cachorro que sofreu um infarto do miocárdio por causa do barulho”.

Para os tutores cujos cães sofrem com os estampidos dos fogos de artifício, o ideal é usar uma estratégia de dessensibilização. É possível encontrar áudios de queimas de fogos na internet, que podem ser reproduzidos, em volume mais baixo, para os peludos ouvirem.

À medida que os animais vão se acostumando, o volume pode ser ampliado. É importante associar o barulho a um gesto positivo para os cães e gatos – como um carinho, uma brincadeira ou um petisco.

A estratégia reduz a ansiedade e o medo, mas estas são sensações naturais. Fogos de artifício lembram o barulho de trovões e, quando relâmpagos riscam o céu, o melhor a fazer é encontrar um esconderijo e ficar a salvo. Evidentemente, os animais não sabem que a barulheira é apenas uma forma de comemoração.

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