Cachorra se salva de canil clandestino e ganha transformação para adoção

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Ela foi encontrada em um local clandestino. Sã e salva, a cachorra ganhou uma bela transformação. 

Brie é uma cachorra da raça bichon frisé que foi encontrada em um canil clandestino no interior de São Paulo. Depois da operação abandonada, a cadelinha foi encaminhada à Associação Focinho Abandonado, de Campinas (SP), onde recebeu os primeiros cuidados e passou por uma transformação surpreendente. 

Os pelos de Brie estavam tão longos e embaraçados que ela ficou com a aparência de um puli ou komondor, raças húngaras conhecidas pelos dreadlocks. A diferença é que, para estes cães, as tranças emaranhadas são naturais – para um bichon frisé, elas são incômodas e até mesmo dolorosas. 

O resgate 

Em outubro de 2020, depois de receber denúncias anônimas, a Polícia Civil de Boituva (SP) apreendeu mais de 90 animais (89 cães e nove gatos) em um canil clandestino instalado em uma chácara na zona rural da cidade. O local foi considerado insalubre e perigoso. 

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Vivendo a um ano dentro de uma gaiola, a cachorra ficou assim. Créditos: Focinho Abandonado

Todos os animais estavam confinados em pequenas jaulas. Alguns estavam machucados e todos exibiam sinais de maus tratos e desnutrição. A proprietária da chácara foi presa em flagrante, mas liberada dias depois mediante pagamento de fiança. O processo ainda está em andamento. 

Os cães em piores condições foram encaminhados ao Focinho Abandonado, entidade especializada no acolhimento e recuperação. Entre eles, estava Brie. A bichon frisé estava infestada por carrapatos e pulgas, subnutrida e não era tosada há mais de um ano. A aparência da cachorrinha era lamentável. 

A transformação 

O Focinho Abandonado recebeu parte dos animais apreendidos em Boituva no mesmo dia em que foi realizada a operação policial. Os animais em melhores condições foram recolhidos por outros abrigos e por particulares. 

Brie estava no grupo dos animais em maior risco. Durante as três semanas seguintes, ela passou por uma série de atendimentos. Ela precisava recuperar peso e eliminar os parasitas que cobriam toda a pele. O mais impressionante, no entanto, era a aparência. 

Não era possível identificar a raça da cachorra. Na verdade, nem era possível afirmar que se tratava de um cachorro – ela parecia um pano de chão usado. Brie não conseguia enxergar direito, estava coberta por urina ressecada e tinha fezes grudadas na pelagem. 

A cadela havia vivido uma longa história de maus tratos no canil clandestino. Provavelmente, ela passou a vida trancada em uma gaiola, com pouco ou nenhum acesso a ambientes externos: Brie não sabia o que era Sol, nem grama. 

Finalmente, chegou o momento da tão esperada tosa. O procedimento, corriqueiro em pet shops e clínicas veterinárias de qualquer cidade, acabou se tornando um grande evento. A transformação foi registrada em vídeo e publicada no Facebook do Focinho Abandonado. 

Canis inescrupulosos 

O canil clandestino criava cães de raças pequenas – entre elas, bichon frisé e lhasa apso. As cadelas matrizes eram obrigadas a acasalar até quatro vezes por ano – mal dava tempo de amamentar os filhotes e um novo cio já era induzido. 

Estes canis visam somente ao lucro, sem se preocupar com características da raça ou com o bem-estar de padreadores e matrizes. O importante é obter o maior número possível de filhotes, sem se importar com a qualidade de vida. 

Eles “produzem” dezenas de filhotes anualmente, pouco se importando com a saúde das mães e também das crias, que tendem a nascer fragilizadas e com problemas congênitos. 

Alguns desses estabelecimentos inclusive oferecem pedigree – o registro oficial dos cachorros, que garante a pureza da linhagem. A maioria, no entanto, oferece filhotes por preços mais baixos, inclusive cruzando cães consanguíneos (até mesmo irmãos), o que aumenta a probabilidade de problemas genéticos. 

O ideal é adotar um cachorro. Há milhares de animais abandonados em abrigos do Brasil inteiro, à espera de uma família afetuosa e responsável. Quem faz questão de ter um cão de raça precisa se certificar da seriedade do canil. 

Criadores responsáveis exibem toda a documentação dos animais envolvidos nos acasalamentos. Eles também permitem as visitas às instalações dos potenciais compradores, que devem checar as condições em que os animais são mantidos. 

Tudo isso, claro, custa dinheiro. Por isso, os cães de raça são mais caros. Mas muitas pessoas irresponsáveis simplesmente adquirem dois animais para acasalamento e exploram os cachorros até a exaustão física, gerando crias fragilizadas e adoecidas. Elas são mais baratas, mas não merecem este sofrimento.