Cachorra se torna mãe adotiva de 7 gambás órfãos

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A mãe gambá foi morta e a cachorra não teve dúvidas: adotou os filhotes e cuidou deles. 

O cachorro é o melhor amigo dos humanos e, no caso desta cachorra, a fidelidade não se limita apenas à nossa espécie. Ela se deparou com filhotes de gambá órfãos e não pensou duas vezes: abrigou-os, acasalou-os e cuidou da segurança. Pretinha é a orgulhosa mãe adotiva de uma ninhada de gambás. 

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A atitude de Pretinha é mais um exemplo de como os animais são capazes de solidariedade e altruísmo. A cachorra sempre demonstrou afeição extrema pelos humanos, mas deu provas de que o amor pode ser necessário também em outras relações. 

Cachorra se torna mãe adotiva de 7 gambás orfãos
Foto: Stephanie Maldonado

Pretinha e os gambás 

Esta história ocorreu no Rio de Janeiro. Um cachorro das redondezas atacou e matou um gambá fêmea, que estava com filhotes. Na espécie, as crias em fase de amamentação permanecem agarradas aos pelos da mãe. 

O ataque foi violento. A mãe gambá e um dos filhotes não resistiram às investidas do cachorro. O restante da ninhada, porém, teve a sorte de cruzar o caminho de uma adestradora de cães. Stephanie Maldonado encontrou os bebês assustados, perdidos e com muita fome. 

Cachorra se torna mãe adotiva de 7 gambás orfãos
Foto: Stephanie Maldonado

A adestradora recolheu os gambazinhos e os levou para casa. Stephanie entrou em contato com o CETA – Centro de Triagem de Animais Silvestres. A ideia inicial era entregar os filhotes e obter orientações sobre o que fazer enquanto esperava o resgate. 

O CETA, no entanto, informou que não dispunha de espaço para acolher os gambás. Stephanie decidiu cuidar dos bichinhos até que eles crescessem e estivessem em condições de ser soltos na natureza. Mas a adestradora não contava com uma ajuda que se mostrou providencial. 

Ao chegar em casa, Stephanie mostrou os filhotes para Pretinha, uma cadela sem raça definida com quem a adestradora divide o lar. A cadela rapidamente se tornou a maior aliada nos cuidados com os gambás: ela lambe os filhotes para mantê-los limpos, cuida de deixá-los aquecidos e vigia os menores movimentos dos gambazinhos. 

Cachorra se torna mãe adotiva de 7 gambás orfãos
Foto: Stephanie Maldonado

Pretinha só não conseguiu amamentar os filhotes. Apesar de aconchegá-los junto ao corpo, na posição de amamentar, a cadela já era castrada na época da “adoção” – ela não tinha condições, portanto, de produzir leite materno. 

Os filhotes receberam uma forma especial, preparada por veterinários, para garantir o desenvolvimento adequado. Eles foram alimentados a conta-gotas por Stephanie, sempre sob o olhar atento de Pretinha. 

Pretinha cuidou dos sete filhotes sobreviventes com amor e zelo inconfundíveis. Ela até mesmo passou a carregar os gambazinhos nas costas, como faria a mãe gambá na natureza. A dedicação da cachorra é uma mostra efetiva do amor mais puro. 

Cachorra se torna mãe adotiva de 7 gambás orfãos
Foto: Stephanie Maldonado

Finalmente, quando começaram a mastigar frutas e grãos, os gambás foram preparados para o retorno à natureza. Stephanie e Pretinha acompanharam algumas tentativas, até que os sete animais finalmente entraram na mata. 

Estes gambás recém-nascidos receberam uma segunda chance improvável, através de Stephanie e principalmente de Pretinha. As cenas “maternais” ocuparam durante algumas semanas as páginas da adestradora nas redes sociais e geraram milhares de curtidas e compartilhamentos. 

Outra história 

Um dos principais motivos para encontrar animais silvestres em ambientes urbanos é a destruição dos hábitats naturais. Notícias de onças-pardas invadindo condomínios residenciais, micos e saguis invadindo mercados e outras semelhantes têm se tornado relativamente comuns. 

Cachorra se torna mãe adotiva de 7 gambás orfãos

Em 2020, em Monte Alto (350 km de São Paulo), biólogos foram chamados para socorrer nada menos que quatro ninhadas de gambás, cujas mães haviam se aventurado pelas ruas da cidade e acabaram sendo atacadas por cachorros. Os ambientalistas da região tiveram muito trabalho durante as queimadas ocorridas no segundo semestre, que expulsaram os animais das matas que circundam a cidade. 

Aliás, vale uma explicação: o comportamento esperado de um cachorro, quando se depara com um gambá, é o ataque. Além do forte instinto de caça, os cachorros são extremamente guardiães e protetores, sempre prontos a defender suas matilhas – e os tutores fazem parte dessas matilhas. 

Nos quatro ataques registrados em Monte Alto, as mães morreram, bem como a maior parte dos filhotes, sem recursos para sobreviverem sozinhos. Restaram apenas sete gambazinhos, que foram socorridos por uma estudante de Biologia. 

Algumas crias ainda estavam dentro do marsúpio, a bolsa externa que alguns mamíferos possuem no baixo ventre, cuja função é abrigar os embriões (presos a um mamilo, até que completem o desenvolvimento fetal). 

A estudante Talita Peixoto, tutora de Jojo Toddynho, auxiliou os ambientalistas de Monte Alto no cuidado com os sete gambazinhos. E a cadela também fez a sua parte. A jovem conta que os filhotes se agarraram aos pelos da cachorra instintivamente – e a adoção foi praticamente instantânea. 

Os gambazinhos de Monte Alto, que também conquistaram fama na imprensa e nas redes sociais, foram soltos na mata quando venceram a fase de amamentação. Fica a torcida para que todos eles encontrem espaço para viver da forma como a natureza os criou. 

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