Cachorra surpreende ao adotar um gambá que ficou órfão como se fosse seu próprio filhote

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Ela recolheu um filhote em apuros, sem se importar por ser uma cachorra e ele, um gambá. 

Hantu é uma simpática cachorra que vive em Myrtle Beach (Carolina do Sul, na costa leste dos EUA), em um santuário para preservação da vida animal. Revelando instintos maternais, ela adotou um filhote órfão. Mas, ao contrário de outras cadelas, ela escolheu um gambá. 

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A adoção de filhotes de outras espécies não chega a ser um fato insólito na natureza, mas é bastante comum. Neste caso, seria mais previsível se o instinto de caça inerente aos predadores tivesse sobressaído. Mas Hantu decidiu ser mãe do gambazinho. 

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Hantu e Poncho 

Um gambá ainda filhote, que foi batizado de Poncho, foi encontrado em uma estrada na zona rural da Carolina do Sul. O animalzinho ainda estava grudado ao corpo da mãe, atropelada momentos antes por um carro, que não resistiu aos ferimentos. 

O marsupial foi resgatado e transferido para uma clínica veterinária, mas as chances de sobrevivência eram mínimas. O prognóstico não era nada bom, porque o filhote ainda estava em fase de amamentação e seria muito difícil encontrar uma ama de leite para ele. 

Apenas um milagre poderia salvar a vida de Poncho – e felizmente o milagre aconteceu. Os veterinários conseguiram adaptar o filhote a uma fórmula especial, para substituir o leite materno, mas ele precisava ser aquecido por uma mãe voluntária. 

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Na natureza, além de fornecerem o leite com todos os nutrientes necessários, as fêmeas dos mamíferos também proporcionam conforto térmico, abrigo e estimulação para as crias. É muito difícil reproduzir, de forma artificial, todas as providências tomadas pelas mães. 

Então, Hantu entrou em cena. Ela é uma linda pastora alemã branca. Trata-se de um animal de grande porte, que atinge 55 cm de altura na cernelha e pesa em média 35 kg. Uma curiosidade: os pastores brancos não são albinos, e são considerados ancestrais dos pastores alemães contemporâneos. 

Hantu nunca tinha se acasalado, nunca tinha tido filhotes. Ninguém sabe explicar por quê, mas a cachorra se interessou pelo gambazinho. A aproximação foi cercada de cuidados, já que a pastora poderia abocanhar o filhote com muita facilidade. 

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Mas Hantu se aproximou gentilmente, de maneira muito doce e tranquila. Instintivamente, a cachorra começou o cuidar do pequeno órfão. Em pouco tempo, era praticamente impossível separar a mãe improvisada do filhote. 

A capacidade de amar e proteger indefesos aflorou totalmente em Hantu. Os vínculos entre os dois animais foram se tornando cada vez mais estreitos. A cachorra se transformou em suporte e proteção – e o gambazinho não poderia escolher um apoio mais poderoso do que uma zelosa pastora alemã. 

Os dois animais se tornaram inseparáveis. Hantu já era uma das guardiãs do Rare Species Fund, uma fundação que zela pelos animais silvestres nativos dos EUA e já estendeu as atividades para diversas partes do mundo. Agora, ela faz as rondas pelo parque sempre com Poncho agarrado à sua pelagem. 

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Graças ao apoio total e completo de Hantu, Poncho conseguiu se desenvolver plenamente. Ele está saudável e forte, já não depende do apoio da mãe adotiva, mas não abre mão da companhia da cachorra. E, como os gambás são animais de pequeno porte, Hantu continua a carregar o filhote o tempo todo, abraçando-o e transportando-o aonde quer que ela vá. 

Tanto Hantu quanto Poncho estão entre os milhares de animais protegidos pelo Rare Species Fund, o local que acolheu a pastora e onde ela teve a oportunidade de salvar a vida do gambazinho. Talvez esta mãe e seu filho sejam os melhores símbolos de uma organização que zela pela vida, em qualquer forma de expressão. 

Os pesquisadores do parque estão controlando os movimentos da dupla, para verificar se Poncho se reintegrará na vida selvagem, ou se continuará na companhia da mãe adotiva. Ele já é um adulto, mas parece que terá dificuldades em viver como um gambá, na mata. 

Seja como for, isso não importa. Talvez Poncho siga os chamados da natureza e encontre uma família para chamar de sua na mata. Talvez ele permaneça para sempre agarrado aos pelos da mãe que essa mesma natureza lhe concedeu. 

O importante é que, durante meses, Poncho e Hantu simbolizaram a importância da amizade. Ela garantiu a manutenção da vida do gambazinho que, em troca, ofereceu momentos inesquecíveis. A vida tem segredos que só revela muito lentamente – e apenas para quem tem muita paciência para observar. 

É como disse William Shakespeare, através de Hamlet, o príncipe da Dinamarca: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”. A vida deve ser comemorada sempre. 

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