Cachorrinha é abandonada por criador que queria obter “o menor teacup”

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O criador queria o menor teacup do mundo, mas a cachorrinha nasceu cega e foi abandonada. 

“Teacup”, ou “xícaras de chá” são os menores cães do mundo. Alguns criadores cruzam os menores animais obtidos em ninhadas de chihuahua, pinscher miniatura, maltês, lhasa apso ou outras raças caninas para obter animais nanicos. Infelizmente, esta cachorrinha nasceu cega e foi abandonada. 

Esta história, no entanto, tem um final feliz. Mas, antes disso, a cachorrinha foi desprezada pelo tutor, em função das múltiplas deficiências que ela apresentava. Aparentemente, para o criador, ela é uma experiência que não deu certo. 

A história 

A cachorrinha resultou de um cruzamento entre schnauzer miniatura e terrier escocês, duas raças comumente usadas para a obtenção de teacups. Infelizmente, ela nasceu sem os olhos. Além disso, ela tinha a bexiga urinária aderida ao útero. 

Quando o pequeno animal foi deixado no Centro de Resgate Big Fluffy (“Fofão”, em tradução livre), em Nashville (Tennessee, sul dos EUA), ele pesava apenas 500 gramas. A cadela estava desnutrida e teve de aprender a mamar – a incapacidade de alimentá-la foi provavelmente o motivo de o criador tê-la abandonado. 

Nicole Butler, a coordenadora de adoção do abrigo, tomou para si a tarefa de cuidar da cachorrinha. Logo, a tratadora percebeu que o animal não sente dores – e, evidentemente, não sabe que é deficiente, uma vez que nunca enxergou. 

A equipe do abrigo afirma nunca ter se deparado com um cachorro tão pequeno. A cachorrinha é realmente minúscula, mas, depois de corrigida a aderência da bexiga, ela está se desenvolvendo normalmente e já está brincando e interagindo com outros animais. 

A tratadora disse para o Mail Online:

“Eu não podia acreditar como ela era pequena e eu estava tão ansioso para dar-lhe um pouco de comida. A xícara de chá não tem dor e não sabe que é deficiente, pois nunca conheceu a vida com visão.”

Por isso, ela vive como qualquer outro cachorrinho feliz; apenas esbarra nas coisas de vez em quando, mas não se cansa de explorar o ambiente. 

A “xícara de chá” chegou ao abrigo quando tinha cerca de um mês de vida. A principal dificuldade enfrentada foi a alimentação: ela precisava receber leite especial com conta-gotas e seringas. O leite (de cabra) foi enriquecido com nutrientes para compensar a desnutrição grave. 

O pequeno animal teve também de ser aquecido artificialmente, porque o corpinho não conseguia manter a temperatura adequada e corria risco constante de hipotermia. Depois de ganhou algum peso, esse problema foi superado. 

A cachorrinha ainda precisava de cuidados constantes nas órbitas vazias. A pele da região dos olhos era muito fina e suscetível a infecções, que poderiam levar o animal à morte. Os primeiros dias da Teacup foram muito difíceis. 

Atualmente, a cachorrinha está com 18 semanas e já ultrapassou os 2 kg. Ela está muito bem adaptada à vida no abrigo e não corre mais risco de morte, mas os tratadores esperam que, em breve, possam encontrar uma família adotiva para ela. 

Algumas famílias já demonstraram interesse em cuidar da cachorrinha cega. O abrigo, no entanto, estabeleceu alguns requisitos: a nova casa não pode ter cachorros grandes e precisa de espaços livres e amplos, para facilitar a mobilidade. 

Um alerta 

Enquanto o dia da adoção não chega, a cachorrinha se diverte com os colegas de abrigo e está se recuperando dos traumas vividos nos primeiros dias. Nicole e os demais tratadores, no entanto, fazem um alerta para os candidatos a tutores de cães. 

Em primeiro lugar, os novos tutores devem pensar seriamente na possibilidade de adotar um cachorro, e não comprar. Por maior que seja o desejo de ter um animal de raça, há milhares de cães mestiços e sem raça definida nos abrigos, à espera de uma oportunidade com uma família amigável e afetuosa. 

Mas, mesmo que a opção seja adquirir um cão de raça, é imprescindível pesquisar muito bem. Existem muitos canis irresponsáveis, que exploram padreadores e matrizes (principalmente): algumas cadelas chegam a dar à luz três crias em apenas um ano. 

Outro fato comum é o cruzamento entre irmãos, especialmente nos canis que oferecem teacups: criadores inescrupulosos criam os menores filhotes da ninhada, na tentativa de obter cachorrinhos minúsculos. 

O problema é que a pouca variedade genética acaba predispondo os filhotes a uma série de doenças e deficiências congênitas. As raças caninas “puro sangue” já são conhecidas por problemas hereditários – e o cruzamento entre irmãos potencializa as propensões genéticas. 

Na verdade, esses canis pensam apenas no lucro – e é extremamente vantajoso financeiramente obter cinco ou seis filhotes, duas ou três vezes por ano. Muitos criadores não se importam com as doenças que estão eternizando. 

A cachorrinha do Big Fluffy teve sorte em encontrar tratadores solícitos, generosos e competentes. Por isso, ela conseguiu uma nova chance na vida. Outros cãezinhos, no entanto, são simplesmente desprezados e até mortos, quando se percebe que eles não serão viáveis para os negócios.