Cachorro aprende a comprar petiscos com folhas de árvores

Por: em

Um cachorro colombiano muito inteligente aprendeu a usar folhas para pagar os petiscos. 

Há mais de cinco anos, um cachorro sem raça definida aprendeu os principais conceitos do comércio. Ele vive no campus do Instituto Educativo Técnico Diferenciado, localizado em Monterrey (Distrito de Casanare, na Colômbia). Ele compra petiscos e paga com folhas de árvores. 

O cachorro pode ser considerado como uma espécie de “guardião do campus”. Ele circula entre os prédios, cumprimenta os conhecidos – a maioria das pessoas que frequentam o instituto – e dá o alarme quando alguma coisa está fora de ordem. 

Cachorro aprende a comprar petiscos com folhas de árvores
CRÉDITOS: ANGELA GARCIA BERNAL

Em compensação, ele ganha alimento, agasalho, carinho e um lugar seguro para passar as noites. Mas ele acabou se tornando uma atração local, pela técnica que desenvolveu para ganhar petiscos e guloseimas – “alguma coisa para mudar a rotina”, deve pensar o peludo. 

De acordo com informações obtidas pelo site The Dodo, cujo nome é Negro, “compra” os biscoitos em uma lanchonete da instituição sempre que sente fome e nunca deixa de pagar. 

A história do Negro 

O cachorro perambula pelas alamedas do campus do Instituto há pelo menos cinco anos. Ninguém sabe como ele chegou lá, mas Negro ainda era um filhote quando teve de assumir sozinho as responsabilidades da vida. 

Negro é um cão sem dono. Os professores e funcionários fornecem abrigo, água, alimento e muito carinho, mas o cachorro parece saber que precisa “ir à luta”. Por isso, ele encontrou um método genial para custear as suas necessidades básicas. 

O peludo recolhe folhas de árvores caídas no chão, sempre que sente fome. Na verdade, sempre que sente vontade de comer alguma coisa diferente, porque a ração está sempre disponível. Com as folhas, ele se dirige à lanchonete e “paga” os petiscos que consome. 

Cachorro aprende a comprar petiscos com folhas de árvores
CRÉDITOS: ANGELA GARCIA BERNAL

Ângela Garcia Bernal, professora do instituto, arriscou explicar o comportamento do cachorro para o The Dodo. A docente diz que Negro observou os alunos trocarem lanches e materiais escolares por folhas coloridas – o dinheiro. E, como a cada vez que as folhas eram apresentadas, alguém oferecia uma guloseima, o peludo decidiu arriscar e fazer o mesmo. Deu certo. 

Os funcionários do instituto afirmam que ninguém treinou Negro para o truque. Ele traçou a estratégia sozinho, através da observação e posterior imitação do comportamento. A atitude demonstra que o cachorro é especialmente inteligente, capaz de observar, assimilar e reproduzir gestos que garantam recompensas. 

O cachorro inventou a sua própria moeda. Não existe nenhuma regra imutável de que o dinheiro deve ser de papel, com inscrições, números e imagens. A humanidade já usou conchas, metais e até sal para fazer trocas. Negro decidiu usar folhas (e o mais importante: elas foram aceitas). Para ele, o dinheiro literalmente cresce em árvores. 

Cachorro aprende a comprar petiscos com folhas de árvores
CRÉDITOS: ANGELA GARCIA BERNAL

A primeira troca deve ter sido um divisor de águas: Negro conseguiu o que queria. Alguma coisa nova e muito positiva havia acontecido. E, como “em time que está ganhando, não se mexe”, o peludo mantém até hoje a tática desenvolvida. 

Mas a abordagem do cachorro não se limita apenas a coletar as folhas de árvores. Ele chega à lanchonete bastante solícito, balançando o rabo, em atitude francamente amistosa. Negro se comporta de forma simpática e envolvente – ninguém ofereceria um petisco para um cão agressivo ou violento. 

A troca de folhas por biscoito se tornou uma ocorrência constante – é quase um cartão de visitas da lanchonete. Negro é um cliente pagante, como todos os outros. Ele entra, oferece o “dinheiro” e espera a mercadoria. 

“Ele pode ser bastante insistente, quando o petisco demora um pouco”, declarou Gladys Barreto, funcionária da lanchonete de longa data. “Negro está sempre bem-humorado, é bastante expansivo, mas não sai da loja enquanto não consegue o que quer”. 

A estratégia de Negro pode ser entendida apenas como um gesto calculado para ele obter o que quer ou precisa. Seja como for, é impossível presenciar a compra e o pagamento pela primeira vez e não se emocionar com a atitude do cachorro. 

“Ele encontrou uma maneira de se fazer entender. Ele é muito inteligente”, completa a Professora Bernal. Negro continua sendo paparicado e cuidado pelos funcionários da instituição, mas todos os dias vai comprar lanches, “com seus próprios meios”. 

De qualquer forma, os funcionários da loja limitam as compras diárias de Negro e só oferecem petiscos saudáveis. O cachorro é querido por todos, ninguém quer que ele ganhe peso em excesso e acabe ficando doente.