Cachorro comunitário é ‘contratado’ e se torna segurança de farmácia com direito a crachá de identificação

Por: em

A notícia chega do México. Um cão da comunidade é contratado para a segurança da farmácia local. Ele vive na rua e é cuidado pelas pessoas da localidade.

Ele é idoso e é de rua. Estes “atributos” quase sempre são sinônimos de histórias tristes. Mas este cachorro de Pachuca de Soto, cidade de 270 mil habitantes situada 96 km a norte da Cidade do México, está chamando a atenção por ter conseguido um emprego. 

Seguir Cães Online no Facebook

O nome do cachorro é Matute – mesmo nome de uma banda mexicana de pop rock, famosa pelos remixes de sucessos dos anos 1980. Ele foi abandonado pela família há alguns anos e acabou se tornando um “cão comunitário”: é alimentado e tratado pelos moradores da vizinhança, mas não vive com ninguém. 

Cachorro comunitário é 'contratado' e se torna segurança de farmácia com direito a crachá de identificação

O segurança 

No início de agosto de 2021, Matute foi contratado oficialmente como chefe da segurança de uma farmácia de Pachuca de Soto. O cachorro costumava perambular pelas vizinhanças do bairro o tempo todo e conhece todos os moradores locais. 

Matute vive nas ruas há cerca de dez anos e faz parte da comunidade desde que ainda era filhote. Mas, apesar da simpatia e do ar camarada do cachorro, ele nunca havia sido formalmente adotado por ninguém. Agora, ele exibe crachá da farmácia e permanece a postos em todo o período no qual o estabelecimento permanece aberto. 

Cachorro comunitário é 'contratado' e se torna segurança de farmácia com direito a crachá de identificação

Uma vez encerrado o expediente, ele se recolhe à nova casa, no mesmo prédio da farmácia. Mamute agora tem endereço e domicílio fixos. A notícia foi bem recebida pela população da comunidade, especialmente por Adriana Dorazco, uma defensora dos animais que alimentava o cachorro todos os dias. A ativista contou, em entrevista ao portal Milênio: 

“Dizem – mas eu não posso afirmar – que Matute chegou aqui ao bairro com a família, mas, quando eles se mudaram, não quiseram levá-lo, ele ficou abandonado. Em suas perambulações pela vizinhança, ele dormia um pouco em cada porta ou portão. Eu comecei a alimentá-lo, mas ele nunca quis ficar dentro de casa.” 

Adriana completa a história: 

“Havia outras duas famílias que também queriam dar uma casa para ele, mas não sei o porquê, ele nunca se adaptou a viver trancado. Então, eu o levei para ser esterilizado e tomar as vacinas.” 

Ao longo dos anos, Matute conquistou amigos em diversas famílias de Pachuca de Soto, mas nunca ficava muito tempo em uma casa só. Ele gostava de andar pelas ruas, onde se acostumou a viver ainda quando era filhote. O cachorro é um verdadeiro sobrevivente. 

Cachorro comunitário é 'contratado' e se torna segurança de farmácia com direito a crachá de identificação

Antes de ser contratado pela farmácia, Matute passou um tempo considerável na loja de videogames local, onde encontrava abrigo para o calor e a chuva. Quando sentia fome, procurava a casa de Adriana. 

Mas, com o avanço da pandemia do novo coronavírus, a loja de videogames, que também funcionava como lan house, teve de fechar as portas – os clientes estavam com medo de se aglomerar em um estabelecimento fechado. Há cerca de um ano, o cachorro havia voltado a ser um sem teto. 

A situação durou por mais de um ano, no qual Matute continuou dormindo na porta da loja, até que os funcionários da farmácia decidiram abrigá-lo. O estabelecimento tem o sugestivo nome de “Buenos momentos, buena salud”. 

Ele foi oficialmente admitido, ganhou um crachá que o identifica como segurança e estabelece a jornada de trabalho (das 9h às 22h30min). Lá, ele tem sombra e água fresca. Adriana conta, no entanto, que o verdadeiro ofício do Matute é ser paparicado, receber cafunés e petiscos dos clientes. 

Adriana concluiu o seu depoimento: “Faço um apelo para que o exemplo do Mamute possa ser replicado em cada bairro no qual haja um cachorro abandonado. No final, não precisamos ser protetores de animais em tempo integral para fazer a diferença e mostrar empatia com os vulneráveis”. 

Fotos: Reprodução / Facebook: Dian Rivera

Gostou? Siga o Cães Online no Facebook, Instagram e Google News