Cachorro desfigurado pela mãe é adotado e se torna terapeuta

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Brodie é “diferentão”, mas foi adotado e está treinando para se tornar um cão terapeuta. 

Quando tinha apenas 13 dias de vida, Brodie, um mestiço de pastor alemão e border collie, foi atacado pela mãe. Ele ficou com algumas sequelas – tem reduzida a visão do olho direito, a face e o crânio foram desfigurados. Mesmo assim, Brodie deu a volta por cima, foi adotado e está prestes a se tornar um cão terapeuta. 

A agressão da mãe não foi suficiente para tornar Brodie um cachorro desajustado, medroso ou antissocial. Socorrido a tempo, ele se recuperou dos traumas e passou a se comportar como todo filhote: curioso, amigável e um pouco desengonçado. Ele é um cachorro cheio de energia e só precisava de alguém que enxergasse além das aparências. 

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INSTAGRAM: BESTBOYBRODIE

A vida de Brodie 

Não é totalmente incomum que cadelas ataquem a própria ninhada. Existem vários motivos, como a insegurança e despreparo (especialmente quando se trata de fêmeas muito jovens), a interação inadequada dos tutores com as crias, o medo de ataques e a presença de doenças ou anomalias nos filhotes. 

Depois de recuperado da agressão materna, o cachorrinho foi adotado ainda filhote, mas, com cinco meses de vida, foi devolvido aos criadores. O tutor alegou que Brodie era hiperativo e não conseguiu se adaptar ao ritmo da nova família. 

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INSTAGRAM: BESTBOYBRODIE

O abrigo de Brodie – Old McDonald Kennel – rapidamente postou fotos do animal nas redes sociais, na esperança de atrair candidatos a tutores. Amanda Richter e o namorado Brad Ames, que vivem em Alberta (Canadá), gostaram do cachorro e decidiram com ele. 

Amanda e Brad ficaram sensibilizados com Brodie. A jovem diz que olhava as fotos diariamente e chegou a chorar algumas vezes. Por algum motivo desconhecido, o casal se sentiu atraído. Depois de conhecê-lo, Amanda e Brad passearam com Brodie, ficaram juntos por algumas horas e decidiram levá-lo para casa. 

A experiência do trio foi muito positiva. O casal se adaptou perfeitamente a Brodie, que ganhou um perfil exclusivo no Instagram (@bestboybrodie), no qual é descrito como “apenas um cachorrinho resgatado, parcialmente cego, que se parece um pouco com uma obra de Picasso”. A página está repleta de fotos com as aventuras do cachorro e já conta com mais de 160 mil seguidores. 

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INSTAGRAM: BESTBOYBRODIE

Os tutores de Brodie revelam que o cachorro é extremamente inteligente. De acordo com o casal, o peludo “aprende novos truques em menos de dez minutos”. As duas raças misturadas em Brodie são conhecidas pela inteligência e pela boa convivência com humanos. 

O border collie está classificado em primeiro lugar no ranking de inteligência canina de Stanley Coren – uma espécie de bíblia para adestradores. Igualmente bem posicionado, o ancestral pastor alemão agrega a coragem e um forte instinto de preservação e cuidado a Brodie. 

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A terapia 

Amanda Richter está treinando Brodie para atuar como cão terapeuta. Ela acredita que a aparência assimétrica do cachorro pode contribuir para a autonomia, o bem-estar e a autoestima de pessoas que sofreram amputações ou mutilações. 

Cachorros não sofrem com preconceitos. Eles podem sentir que alguns humanos não gostam deles, mas não conseguem imaginar que esses sentimentos sejam devidos à aparência ou a limitações físicas. Desta forma, eles procuram se adaptar às condições de vida da melhor maneira possível. 

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O trabalho de cães terapeutas como Brodie consiste em exemplificar de forma clara, às pessoas que estão à sua volta, que não há nada errado em algumas deficiências ou limitações, que podem ser compensadas com outros talentos. 

Por exemplo: para Brodie, não há nada errado em ser deficiente visual. Ele só precisa, em algumas ocasiões (mas não sempre), que alguém o dirija, para evitar choques e quedas. A convivência com o cão terapeuta faz os pacientes refletirem sobre as limitações e as maneiras que podem encontrar para superá-las, contorná-las ou simplesmente conviver com elas. 

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A atuação de cães terapeutas é muito eficaz. Em hospitais, por exemplo, sabe-se que a presença de um cão durante a convalescença torna a recuperação mais rápida e menos traumática. Cães-guia devolvem a autonomia a portadores de deficiências visuais e auditivas. 

Assim como Brodie. Os cães terapeutas estão sempre disponíveis. Eles observam os pacientes e definem a melhor estratégia a ser adotada: uma brincadeira, um carinho ou até mesmo a simples presença ao lado, que parece dizer: “tudo vai dar certo”.