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Cachorro doente escondido debaixo do carro, recebeu amor de uma família que conseguiu transformá-lo

Ele foi encontrado sem pelos, debaixo do carro. Mas uma nova família é tudo de que precisava.

Elliot é um cachorro que impressiona pela beleza, mas não teve um bom começo de vida. Ele foi encontrado escondido embaixo do carro, sem pelos e doente. A nova família, felizmente, fez tudo que ele precisava para se transformar em um pet saudável e brincalhão.

Alguns cachorros não conseguem expressar a inteligência, lealdade e capacidade de amar. Abandonados, eles passam a vida tentando garantir a comida e impedir os maus tratos. Elliot passou por tudo isso, conheceu a fome e a doença, até ser encontrado e adotado.

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Créditos: Becky Moder

Karla e Becky

Elliot é um cachorro sem raça definida que costumava perambular por uma área de estacionamento em Tijuana, cidade no noroeste do México, na fronteira com os EUA. Ele sabia que ali era um bom lugar para conseguir restos de alimentos, mas também havia muitos perigos.

Algumas pessoas não se importam com os animais de rua – é um direito delas. Mas algumas chegam a maltratar os peludos, como se eles não tivessem lugar no mundo. Elliot ficava escondido embaixo dos carros, esperando algum gesto amigável para conseguir sobreviver mais um dia.

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Créditos: Becky Moder

A vida do cachorro, contudo, estava prestes a sofrer uma grande transformação. Nesse dia, a mexicana Karla Solis encontrou-se por acaso com um cachorro sem pelos, faminto e aparentando muito medo. O estado do peludo inspirava compaixão.

Karla sabia que não poderia seguir caminho e ignorar Elliot. Naquelas condições, era surpreendente que ele estivesse vivo, ainda que em uma situação na qual apenas conseguia inspirar piedade. A jovem mexicana decidiu seguir o cachorro.

O cachorro sentia tanto medo que tinha dificuldade até mesmo de aceitar contato visual. Mas Karla é muito persistente e insistiu até que Elliot cedeu. Ele permitiu que a jovem o pegasse no colo e o carregasse para o carro, apesar de continuar demonstrando muito medo e ansiedade.

A doença

Do estacionamento, Karla seguiu diretamente para a clínica veterinária. Aparentemente, Elliot sofria de uma forma severa de sarna, que teria prejudicado a pele e a pelagem a ponto de deixá-lo quase totalmente careca. Mas o caso era bem mais grave.

Efetivamente, Elliot apresentava uma série de infecções secundárias na pele, que mantinham o tecido inflamado e coberto de feridas. A causa original, no entanto, foi diagnosticada rapidamente pelo veterinário: o cachorro estava com erliquiose.

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Créditos: Becky Moder

A erliquiose monocítica canina (ou pancitopenia tropical) é uma infecção bacteriana que afeta toda a família dos canídeos (lobos, raposas, hienas, etc., além dos cachorros). A bactéria já foi identificada em organismos humanos e felinos, mas a doença não costuma se manifestar nessas espécies.

Popularmente chamada de “doença do carrapato”, a erliquiose é causada pela bactéria cujo vetor é o Rhipicephallus sanguineus, conhecido no Brasil como carrapato-vermelho. A infecção causa redução das plaquetas e dos glóbulos brancos, dor, febre e anemia.

A doença pode causar sintomas diversos nas fases iniciais, como falta de apetite, vômitos, palidez nas mucosas e sangramentos. Sem o tratamento adequado, ela passa a afetar também a pele e os pelos, gerando infecções e inflamações secundárias. Nos casos graves, a erliquiose pode causar convulsões, hemorragias pronunciadas, inflamação nas patas, cegueira e morte.

O tratamento é relativamente simples, feito à base de antibióticos (tetraciclina), antitérmicos e suplementos vitamínicos. Nos casos prolongados, transfusões de sangue podem ser necessárias, além do uso de produtos para eliminar as irritações de pele.

Resgate e adoção

O cachorro também apresentava magreza extrema. Não apenas as costelas estavam salientes, mas até mesmo os ossos da pelve eram visíveis e protuberantes. O veterinário avaliou que Elliot estava pesando a metade do esperado para um cachorro do seu porte.

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Créditos: Becky Moder

Karla Solis percebeu que Elliot precisaria de atendimento especializado. Ela entrou em contato com Becky Moder, uma resgatadora de animais que trabalha no México e transporta alguns animais em situação de abandono para os EUA, quando os tratamentos necessários são mais complexos.

Becky também organiza campanhas de arrecadação, para custear os tratamentos para cães e gatos. O cachorro permitiu tudo sem reclamações: a avaliação médica, os exames de laboratório e o transporte para os EUA.

Mas, apesar de ser um animal ainda jovem – estima-se que ele tem cinco anos – as condições de saúde de Elliot não permitiram que Karla e Becky tivessem muita esperança. Mas o cachorro respondeu bem ao tratamento.

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Créditos: Becky Moder

Outro problema surgiu. O tratamento médico estendeu-se por mais tempo do que o esperado e os recursos financeiros de Karla estavam chegando ao fim. Felizmente, Becky assumiu parte da dívida e acabou pagando quase metade do valor dos exames, consultas e medicamentos.

As duas benfeitoras chegaram a fazer vaquinhas virtuais para garantir que Elliot recebesse o atendimento necessário. E o cachorro, antes tímido e medroso, começou a se mostrar mais afável e curioso, à medida que recuperava a saúde.

Dois meses depois do início do tratamento, os pelos de Elliot começaram a crescer. No início, era apenas uma penugem esbranquiçada, mas logo se mostrou uma pelagem avermelhada, cada vez mais vistosa.

Por fim, quando Elliot estava forte o suficiente, ele se despediu de Karla e de Tijuana e atravessou pela última vez a fronteira entre os EUA e o México, com destino a um abrigo em San Diego, na Califórnia (as duas cidades são separadas apenas por uma fronteira seca).

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Créditos: Becky Moder

Elliot foi levado para o Barking Lot (“latindo muito”, em tradução literal), um abrigo mantido por voluntários sediado em El Cajon, na região metropolitana de San Diego. Poucos dias depois, um casal foi visitar o abrigo, procurando um animal mais velho.

Kim Forrest e sua namorada não queriam um filhote. Elas estavam à procura de um cão já adulto, de temperamento doce e tranquilo. No Barking Lot, eles conheceram Elliot – foi amor à primeira vista.

Elliot foi quase imediatamente levado para a casa de Kim. Ele ainda se mostrava tímido e um pouco amedrontado: os fantasmas do passado são difíceis de afastar. Ele não tinha coragem de subir nos sofás, mas ficou impressionado com o tapete da sala.

O cachorro recebeu um novo nome: Asher. Em dois anos de convívio com Kim, ele foi revelando lentamente o comportamento sereno e brincalhão. Kim já tinha comprado muitos brinquedos para o pet, mas, no início, ela achou que ele não tinha interesse em jogos e correrias. Só mais tarde, Asher se sentiu seguro para aceitar um brinquedo como propriedade inteiramente sua.

O cachorro também tinha outro motivo para ficar escondido embaixo dos carros: a pele ferida não suportava o sol direto. Durante algum tempo, Asher continuou evitando banhos de sol, mesmo já curado e com a pelagem restabelecida.

Agora, porém, ele adora sair de casa para brincar no sol. Asher também se revelou um excelente “chantagista”, porque conseguiu ganhar todos os ursos de pelúcia da coleção de Kim. Além disso, ele tem predileção por brinquedos que emitem algum tipo de som.

Ele é um cachorro calmo, não gosta de estranhos e prefere brincadeiras menos intensas, como os longos passeios no parque. Mas “ele é o melhor amigo do mundo”, de acordo com Kim e a sua parceira.

Amaury Almeida Costa
Amaury de Almeida Costa ([email protected]) é redator publicitário há mais de 30 anos. Escreve para diversos blogs desde 2008. Presente nas redes sociais desde a época do Orkut, foi editor da revista Animanews, sucesso editorial do final dos anos 1990, que trazia informações sobre pets – além de cães, gatos e aves, trazia informações sobre répteis, anfíbios, peixes e invertebrados de estimação.
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