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Cachorro doente levado para santuário de chimpanzés é curado com a ajuda de uma família de chimpanzés

Um cachorro faminto e doente foi levado a este santuário. Os chimpanzés ajudaram na recuperação.

Uma ativista internacional dos direitos dos animais trafegava por uma estrada na Libéria (costa ocidental da África) quando encontrou um filhote de cachorro faminto e doente – na verdade, ele estava à beira da morte. O animal foi levado a um santuário de chimpanzés e, com a ajuda dos primatas, conseguiu recuperar a saúde.

A ativista americana Jenny Desmond passou a maior parte da vida atuando na proteção animal, na Ásia e na África. Ela e o marido Jimmy fundaram, em 2015, o Centro de Resgate e Proteção de Chimpanzés da Libéria (LRPC, na sigla em inglês), com o apoio da U.S. Humane Society. Logo no início das atividades, o centro acolheu 66 primatas.

Cachorro doente levado para santuário de chimpanzés é curado com a ajuda de uma família de chimpanzés

O resgate do cachorrinho

Jenny sabia que o animal não sobreviveria naquelas condições: dificilmente ele resistiria por mais de dois ou três dias. Não havia sinais de outros cachorros nas redondezas e ele parecia ter sido abandonado na estrada.

O trabalho do casal Desmond teve início centrado na reintrodução de chimpanzés no habitat natural. No entanto, Jenny e Jimmy sempre se viram às voltas com muitas outras espécies que são foco de contrabando na Libéria. Nas palavras de um funcionário do santuário, Jenny salvou “um pouco de tudo, de galinhas a gafanhotos”.

O cachorrinho perdido não foi uma exceção: ele rapidamente foi inserido no ambiente do LRPC. Curiosamente, os chimpanzés do local decidiram cuidar do filhote, com o apoio de Jimmy, que é veterinário.

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A primeira providência foi colocar um colar elisabetano no cachorro, que estava com o corpo coberto de feridas e irritações causadas por parasitas e por ferimentos na pele. Curiosamente, os chimpanzés decidiram garantir que o filhote não retirasse a proteção.

Os primatas perceberam que o colar elisabetano restringia os movimentos do cachorro – e provavelmente também entenderam que o equipamento era necessário para protegê-lo. Para atenuar o incômodo da situação, os chimpanzés começaram a transportar o filhote no colo, para que ele não tivesse dificuldades em se alimentar, descansar e fazer as necessidades.

O cachorrinho recebeu o nome de Snafu, termo usado para indicar confusão, em inglês (é o acrônimo de uma expressão militar: “situation nominal: all fucked up” – situação: tudo perdido, em tradução literal).

Apesar da situação crítica de Snafu, ele conseguiu superar a doença, a fome e a falta de carinho, com ajuda dos tutores humanos e quase humanos. Ele passou todo o ano de 2021 na companhia dos chimpanzés, até atingir a recuperação total.

Com o afeto, o carinho e os cuidados dos chimpanzés, Snafu recuperou a saúde e tornou-se um cachorro forte e muito brincalhão. O casal Desmond providenciou a transferência do peludo para os EUA, onde foi adotado.

O vídeo mostra a situação atual de Snafu. O cachorrinho, encontrado quase morto em uma estrada nos confins da Libéria, atualmente vive uma vida de popstar no Colorado (estado americano conhecido pelo ecoturismo), graças à dedicação dos ativistas e dos primatas que o acolheram.

Os chimpanzés

Desde a década de 2000, entidades de defesa dos direitos dos animais têm reivindicado o fim do uso de chimpanzés em laboratório. Estes primatas foram úteis no desenvolvimento de vacinas (contra as hepatites A e B, por exemplo) e na pesquisa sobre a AIDS.

A discussão é se um animal tão complexo pode servir como cobaia em experimentos humanos. Em 2010, Japão e Comunidade Europeia aboliram o uso de chimpanzés em pesquisas. No ano seguinte, foi a vez dos EUA, o último país do Ocidente a empregar os nossos primos mais próximos em experiências.

Dezenas de animais foram aposentados desde então. Alguns santuários foram criados nos EUA e no Canadá e parte foi repatriada para a África – a espécie se desenvolveu no centro do continente. O trabalho de Jenny e Jimmy Desmond acolhe atualmente 73 chimpanzés.

A população nativa decaiu muito: estima-se que 80% dos chimpanzés ocidentais tenham desaparecido no século 21, em função do desmatamento observado especialmente no Congo e na costa da Guiné, onde fica sediado o LRPC.

Assim como ocorre no Brasil, os animais silvestres africanos são vítimas do comércio ilegal – aves, mamíferos e anfíbios são retirados do ambiente natural para servirem como animais de estimação em outros países. É igualmente comum o abate de primatas na África, para consumo da carne e da pele.

Amaury Almeida Costa
Amaury de Almeida Costa ([email protected]) é redator publicitário há mais de 30 anos. Escreve para diversos blogs desde 2008. Presente nas redes sociais desde a época do Orkut, foi editor da revista Animanews, sucesso editorial do final dos anos 1990, que trazia informações sobre pets – além de cães, gatos e aves, trazia informações sobre répteis, anfíbios, peixes e invertebrados de estimação.
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