Cachorro e gato se tornam doadores de sangue regulares para ajudar outros animais que precisam

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Weasley e Spock já doaram várias vezes e se tornaram heróis ajudando cachorros e gatos doentes. 

A enfermeira e professora universitária Mandie Pannel e seu companheiro, o motorista de caminhão Thomas Mills, vivem com a gata Ginger Moggie Weasley, de cinco anos, e o cachorro Spock, de seis, em Potters Bar, Hertfordshire, a 20 km de Londres (Inglaterra). Ginger e Spock são doadores habituais de sangue. 

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Os tutores estão orgulhosos dos seus pets. O pointer inglês Spock já doou cinco vezes, enquanto Ginger (sem raça definida) superou as dez doações. A gata inclusive foi inscrita por Mandie em um prêmio por heroísmo: o Petplan Pet Awards. 

Ginger e Spock 

Como enfermeira, a tutora sabe da importância das doações de sangue. Pacientes submetidos a cirurgias, traumatizados e portadores de diversas doenças necessitam de transfusões e nem sempre os bancos de sangue têm estoques suficientes. 

Mandie conta que Weasley se comporta surpreendentemente bem quando é levada para doar sangue. Desde a primeira vez, motivada pela necessidade de um gato amigo da família que estava internado, a gata fica totalmente tranquila. 

Quando Spock se tornou doador, a gata fez questão de ficar com o cachorro no momento da retirada do sangue. O pointer inglês (e muitos de nós) tem um pouco de medo de agulhas, mas Weasley fica por perto para dar apoio moral e tranquilizar o irmão. 

A família adotou recentemente outro gato – Beasley – que também acompanha os irmãos nas idas aos bancos de sangue. O filhote também se tornará doador, assim que completar 18 meses de vida, de acordo com a avaliação dos veterinários. 

Ainda de acordo com a tutora, Weasley fica tão confortável que não são registradas alterações nos batimentos cardíacos nos momentos preparatórios, em que ela está sendo avaliada. Ao contrário, em algumas ocasiões, foi possível observar a gata ronronando enquanto a equipe de enfermagem fazia o seu trabalho 

Mandie disse ao Mirror (um tabloide diário britânico que circula há mais de cem anos) que inscreveu Weasley no prêmio Petplan, na categoria Pet of The Year (2021) por acreditar que a história dos dois animais de estimação ajudaria a divulgar a doação de animais entre pets. “Poucas pessoas sabem dos doadores animais – especialmente os felinos”, resume a tutora. 

Weasley chegou às finais da premiação e recebeu uma menção honrosa. Os ingleses levam os cuidados com os pets muito a sério. A tutora de Spock e Weasley completa: “Esta é a Inglaterra. Nós somos uma nação de amantes de animais, fazemos coisas uns para os outros. É uma coisa boa ser capaz de ajudar os animais de outras pessoas”. 

As doações no Brasil 

Doar sangue é um gesto de amor que salva vidas. Muitos animais necessitam de sangue em função de doenças que levam a anemias, de procedimentos cirúrgicos e de acidentes e traumas com perda sanguínea – de quedas a atropelamentos. 

O Hemovet, para citar apenas um exemplo, já realizou procedimentos que salvaram a vida de mais de 15 mil cães e gatos, graças às doações voluntárias. Todas as grandes cidades brasileiras possuem bancos de sangue e esperam os voluntários. 

A doação é rápida, segura e indolor. Os animais voluntários ainda ganham um exame físico completo e check-ups periódicos para os doadores regulares. Os cachorros devem seguir os pré-requisitos abaixo-relacionados: 

  • ter entre um e oito anos de idade; 
  • ter peso mínimo de 27 kg; 

Já os gatos devem: 

  • estar entre um e sete anos de idade; 
  • ter mínimo de 4 kg. 
  • estar com a vacinação e a vermifugação em dia. 

Todos os doadores precisam ainda: 

  • estar com a vacinação e a vermifugação em dia; 
  • não apresentar infestações de pulgas, piolhos e carrapatos; 
  • não ter doenças prévias, nem ter recebido transfusões sanguíneas; 
  • não fazer uso contínuo de medicamentos. 

Nos gatos, são retirados de 20 ml a 40 ml de sangue a cada doação. Nos cachorros, até 450 ml de cada vez. As fêmeas não castradas não podem estar no cio (é preciso respeitar uma janela de um mês a partir do último estro). 

Os animais voluntários são submetidos aos seguintes exames: 

  • hemograma completo; 
  • níveis de ureia e creatinina, para verificar as funções renais; 
  • testes de leishmaniose (vale lembrar que animais assintomáticos também transmitem a doença); 
  • sorologia contra FIV (o vírus da imunodeficiência felina) e FELV (leucemia viral felina), para gatos; 
  • testes de micoplasmose, para gatos; 
  • testes de dirofilariose (verme que se instala no músculo cardíaco); 
  • testes de erliquiose em cães (a doença transmitida por carrapatos-estrela pode levar até cinco anos antes de manifestar os primeiros sintomas); 
  • testes da doença de Lyme (também transmitida por carrapatos, provoca febre e dores nas articulações); 
  • testes de brucelose, doença que pode ser transmitida nos acasalamentos dos cães. A brucelose causa abortos espontâneos e diversos tipos de câncer. 

Além disso, diversos bancos de sangue oferecem brindes e brinquedos para entreter os doadores. A melhor recompensa, no entanto, é a certeza de estar contribuindo com a saúde e o bem-estar dos cães e gatos. 

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