Cachorro olha para os dois lados espera o sinal fechar e atravessa a rua em segurança

Ao contrário de muitos humanos, um cachorro de rua foi filmado esperando o sinal fechar para atravessar a rua em segurança.

Alguns cachorros podem desenvolver hábitos de cidadania com mais facilidade do que certos humanos. Este cachorro foi filmado enquanto esperava, na calçada, o sinal fechar para os carros. Só então ele sentiu segurança para atravessar a rua.

As imagens foram flagradas por um casal de namorados – a jovem disse depois que encontrou o cachorro de rua quando estava indo a uma praça para alimentar uma cadela comunitária. O vídeo foi postado no canal do Viral Hog, do Youtube, e já foi acessado por sete milhões de internautas. Quase 180 mil deles curtiram as imagens.

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Cachorros e sinais de trânsito

A espera deste cachorro foi cronometrada. Ele esperou 40 segundos até que o sinal estivesse vermelho para os carros. No vídeo, é possível observar que não se trata de um movimento de repetição: algumas pessoas atravessam a rua entre os carros, mas o peludo não as imita.

É interessante notar que as regras de trânsito valem para todos: carros, caminhões, ônibus, motos, bicicletas e pedestres. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, todos podem ser multados, caso infrinjam as regras.

De qualquer maneira, são raros os casos de pedestres que receberam uma multa por atravessar a rua com o sinal verde para os carros. O cachorro do vídeo mostra que ele consegue entender mais sobre a segurança nas ruas do que muitas pessoas, que se arriscam.

O cachorro está certo. No país, morrem 35 mil pessoas por ano em atropelamentos – metade delas em vias urbanas. Respeitar as faixas de pedestres e os semáforos pode ajudar a reduzir este número, e o peludo está fazendo a parte dele para “educar” as pessoas.

Os riscos das ruas

Os cachorros de rua sofrem constantes riscos de vida – o animal do vídeo conseguiu reduzir pelo menos um deles, o de ser atropelado por carros, ao aprender a esperar o sinal fechar para atravessar em segurança.

Nas ruas, tanto os animais abandonados quanto aqueles cujos tutores permitam que saiam de casa sem supervisão e equipamentos, estão sujeitos a se envolver em brigas com outros cães e gatos, a atropelamentos, a maus tratos (inclusive envenenamentos, que são mais comuns do que se imagina) e, no caso dos animais que têm família, a serem roubados ou apenas se perderem e não conseguirem voltar para casa.

Os cães e gatos de rua também estão sujeitos à fome e à desnutrição, bem como a episódios de insolação. Por isso, iniciativas de adoção comunitária, com a oferta de casinhas, alimento e água fresca, são sempre bem-vindas.

Há também outros perigos. Cães e gatos podem se ferir, às vezes seriamente, em buracos, desníveis, cercas de arame farpado, etc. Eles também se sujeitam a contrair doenças infecciosas, caso não estejam com a imunização em dia e a infestações por pulgas, carrapatos e piolhos, que também podem provocar enfermidades, além do desconforto.

Sobrevivendo nas ruas

“Cão (ou gato) de rua” é a denominação para os animais que passam todo o tempo ou parte dele sem a companhia de humanos, seja por terem se perdido, por terem sido expulsos ou por serem negligenciados pelos tutores.

Na verdade, não existe nenhum animal de rua, mas humanos irresponsáveis que permitem, toleram e até incentivam esta situação. Vale lembrar que os cachorros e gatos foram retirados da natureza para ajudar a humanidade – e não sabem mais viver por conta própria, de forma autônoma.

Estes animais desenvolveram diversas estratégias para sobreviver. Alguns andam em bandos, para evitar ataques e aumentar a segurança. Outros aprendem truques que encantam os transeuntes e garantem algumas recompensas – especialmente comida e petiscos.

Os cães e gatos de rua também representam um risco para os humanos. Diversas doenças caninas e felinas podem ser transmitidas para nós – da sarna à raiva. Eles também podem morder e arranhar as pessoas, tentando se esconder ou se defender.

No passado, a famigerada “carrocinha” recolhia esses animais e o final da história era conhecido: cães e gatos eram sacrificados, numa tentativa utilitarista de resolver o problema. Hoje em dia, existem várias ações – a maioria delas desenvolvida por ONGS, com as raras e honrosas exceções de algumas prefeituras brasileiras.

Mesmo assim, o problema persiste. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que haja 20 milhões de cães e dez milhões de gatos abandonados nas ruas do país. Campanhas de vacinação e castração são fundamentais e a adoção, mesmo comunitária, é um gesto de amor e de segurança.

Enquanto os cães e gatos não recebem o direito de ter uma família, o jeito é aprender a sobreviver nas ruas – aprendendo a atravessar no semáforo, com o sinal fechado para os carros, como fez o cachorro do vídeo.

Veja o vídeo:

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