Cachorro idoso passava os dias preso no telhado de uma casa até ser resgatado

Um retrato da negligência: este cachorro idoso passava os dias sozinho até ser resgatado.

Se soubesse falar como os humanos, este cachorro da raça retriever do Labrador teria muitas histórias para contar. Idoso, desnutrido e frágil, ele passava os dias acorrentado junto ao telhado de uma casa colombiana, até que finalmente chegou o momento do resgate.

O episódio foi registrado no Valle del Cauca, departamento no oeste da Colômbia. Vizinhos do imóvel denunciaram que o cachorro passava o dia inteiro no telhado de uma casa, fizesse chuva ou sol. O animal acabou sendo resgatado por voluntários da Fundación Una Mano Amiga.

A fundação atua há 35 anos na região de Cali, capital do departamento e uma das maiores cidades da Colômbia, com aproximadamente 3,5 milhões de habitantes. O trabalho se baseia na promoção social de populações em risco e os cuidados com a fauna e a flora locais.

A história de Scott

Scott é um retriever do Labrador de 14 anos e, ao que tudo indica, não teve direito a uma vida digna. Além de ser mantido preso em um local insalubre, o cachorro parecia receber pouco alimento, já que, mesmo nas fotos à distância, é possível observar as costelas salientes no dorso do peludo.

O cachorro foi visto durante dias amarrado no telhado de uma casa em reforma – aparentemente, a família morava no andar térreo e pretendia ampliar o imóvel, construindo um segundo andar.

Scott, no entanto, ficava sozinho na laje, preso por uma corda amarrada à coleira. O espaço apresenta uma cobertura de telhas simples, mas o cachorro não tinha acesso. Era evidente a condição de maus tratos e negligência: os cuidados dos tutores, se é que existiam, resumiam-se a atirar alguma comida para o peludo.

Os voluntários da fundação foram mobilizados por vizinhos. Eles receberam diversas denúncias e, quando uma equipe foi destacada para avaliar as condições em que o cachorro vivia, foi confrontada com esta triste situação.

O animal foi levado para um abrigo em Cali (na mesma região metropolitana), onde foi avaliado por médicos veterinários. Scott foi submetido a um programa de recuperação nutricional e já começou a demonstrar sinais de que está superando os maus momentos.

As denúncias sobre o mau estado do cachorro tiveram início nas redes sociais, com fotos e vídeos postados por internautas que presenciaram as duras condições de vida de Scott. Posteriormente, surgiram denúncias através de telefonemas.

Mesmo assim, a família do retriever do Labrador resistiu e não permitiu a avaliação do cachorro, quando a equipe da Una Mano Amigo finalmente se deslocou para o local. Foi necessário acionar a Polícia Nacional da Colômbia para ter acesso ao cachorro e finalmente transferi-lo para melhores instalações.

O tratamento

Além da desnutrição, o cachorro também estava infestado por pulgas e carrapatos, apresentava dificuldades de locomoção e estava muito sujo. Anteriormente conhecido como Paul, o cachorro foi batizado de Scott por membros da fundação.

O aspecto que mais preocupa os técnicos que estão cuidando de Scott é a desnutrição aguda. Exames de laboratório constataram que o animal está sofrendo de anemia e hipoalbuminemia, condição provocada pela carência de aminoácidos essenciais, presentes nas proteínas normalmente ingeridas pelos cachorros.

Scott foi higienizado e, livre dos parasitas, começou a exibir um comportamento mais amigável e brincalhão, mas ele continua se mostrando arredio e apavorado. Ele permaneceu internado na clínica veterinária por 15 dias, uma vez que a desnutrição severa obrigou a equipe de saúde a submeter o peludo à fluidoterapia, para recuperar a hidratação e as funções básicas do organismo, prejudicadas pelo longo período de isolamento e maus tratos.

A legislação brasileira

Vale lembrar que, no Brasil, a crueldade, o abandono, a negligência e os maus tratos contra animais de estimação são atos ilícitos, passíveis de penas de reclusão e multas. Desde a alteração da Lei de Crimes Ambientais, com a sanção da lei nº 14.064/20, estes crimes podem redundar em até cinco anos de cadeia (acrescidos de um terço, em caso de morte dos animais envolvidos).

Várias condutas (de tutores ou de estranhos) podem caracterizar os crimes previstos na legislação. As mais evidentes estão relacionadas a matar, ferir, mutilar e envenenar animais domésticos, silvestres e exóticos.

Mas também podem ser enquadrados os autores de atos que envolvam abandono, falta de higiene, manutenção em espaços muito limitados (que evitem a circulação ou impeçam o abrigo ao frio, chuva, vento e excesso de sol), carência de alimentos e água fresca e negação de atendimento veterinário.

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