Cachorro obeso sofreu abandono e humilhação pelos moradores da região

Ele foi abandonado e sofreu humilhações dos vizinhos. Conheça o problema da obesidade canina, como tratar e evitar.

Um cachorro viralizou no Facebook com a sua história triste. Não se sabe onde ele vivia – as informações dizem apenas que era em um lugar no oeste do Brasil, em uma localidade da zona rural. Ele foi abandonado à própria sorte em um posto de gasolina e, além das necessidades, também passou por humilhação.

O animal acabou virando piada na vizinhança. Apelidado de Bolinha, ninguém parecia se dar conta de que o cachorro abandonado é um ser senciente, com desejos e necessidades. As pessoas apenas enxergavam no peludo um motivo para risadas e humilhações.

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Um cão obeso

Bolinha é um cachorro de pequeno porte, que atingiu cerca de 40 kg de peso, provavelmente em função de um distúrbio metabólico. Ele é um cão guloso, mas é possível que os motivos do abandono tenham sido apenas estéticos: o peludo não tem uma aparência bonita e agradável.

O peludo passou meses sobrevivendo com restos de comida atirados no posto de gasolina – na maioria, alimentos inadequados para cachorros, gordurosos e cheios de açúcar. Naturalmente, ele foi se tornando mais e mais pesado.

O problema foi se agravando: quanto mais Bolinha comia alimentos inadequados – e ele devorava tudo que era atirado no terreno em que vivia –, mais gordo ficava. A aparência e a dificuldade de movimentos reduziam ainda mais as possibilidades de o cachorro encontrar uma família.

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Além da obesidade e do abandono, exposto ao frio, ao Sol intenso e às chuvas, Bolinha foi ficando cada vez mais triste. Ninguém dava muita atenção ao cachorro, que se transformou em uma figura folclórica, que estava lá apenas para divertir os passantes.

Felizmente, um grupo de amigos passou pela estrada, viu Bolinha no posto, isolado e triste, e resolveu fazer a diferença. Os benfeitores levaram o cachorro para um abrigo, onde ele finalmente recebeu orientação médica e o tratamento necessário.

Posteriormente, de acordo com informações dos funcionários do posto, alguns membros do grupo que resgatou Bolinha decidiram adotá-lo. O animal conseguiu recuperar a saúde, perdeu um pouco do peso extra e estava pronto para recomeçar a vida com a dignidade esperada.

A obesidade canina

Os cachorros não precisam de muita coisa para ter uma vida feliz: basta uma casinha, um agrado, comida e água fresca, para que eles fique equilibrados, divertidos e excelentes companheiros. Mas é preciso dar uma chance a eles.

A obesidade canina pode ter causas genéticas, mas quase sempre é determinada por maus hábitos: falta de atividades físicas e alimentação excessiva e incorreta. Os veterinários usam o escore de condição corporal (ECC) para diagnosticar o transtorno.

Trata-se de uma escala graduada de 1 a 9.  Com uma inspeção clínica e exames de palpação da camada de gordura corporal, o animal é classificado da seguinte forma:

ECC 1 a 3 – o animal está magro. As costelas e os ossos do quadril mostram-se salientes. A reentrância abdominal também é notável, mesmo em cães de raças não caracterizadas pelo ventre esgalgado (como greyhound e whippet);

ECC 4 a 6 – o peso está normal. As costelas não são aparentes (ou aparecem muito pouco), mas é fácil percebê-las na palpação, ou mesmo pegando o cachorro no colo. A reentrância abdominal é definida, mas não é profunda;

ECC de 7 a 9 – o cachorro está obeso. As costelas não aparecem, nem podem ser percebidas ao toque. Não há reentrância abdominal, ou ela é muito sutil (mesmo nos cães esgalgados).

Um ECC de 10 ou mais indica obesidade mórbida (é o caso do Bolinha, por exemplo). O cachorro sente dificuldade na locomoção e na respiração, especialmente depois de esforços físicos mais acentuados.

Em casa, antes de consultar um veterinário, os tutores podem perceber que o cachorro está com peso excessivo quando se cansa com facilidade, tem dificuldade para se levantar e para se sentar, caminha com esforço e torna-se progressivamente sedentário.

A obesidade canina é considerada uma doença em si mesma. Além disso, ela facilita a instalação de problemas articulares, aumento dos níveis de triglicérides e do colesterol na corrente sanguínea e problemas cardiorrespiratórios.

Além disso, a imobilidade progressiva pode causar transtornos psicológicos. Cachorros obesos e sedentários em excesso tornam-se mais tristes, deprimidos e ansiosos. A obesidade contribui inclusive para reduzir a expectativa de vida.

O tratamento inclui uma dieta balanceada e exercícios físicos leves a moderados, de acordo com a capacidade do peludo. Os tutores também precisam passar por uma reeducação: um cão obeso quase sempre reflete hábitos pouco saudáveis dos membros humanos da família.

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