Cachorro resgatado se recusa a soltar a mão do seu pai

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Este cachorro quer ser tocado o tempo todo: ele se recusa a soltar a mão, desde que foi resgatado. 

Cães são animais gregários e estão sempre interagindo com a família. Alguns são mais independentes e gostam de manter o próprio espaço, enquanto outros são verdadeiros chicletinhos. Este não é o caso de Stanley, um cachorro resgatado na Nova Zelândia que se recusa a se afastar. Se possível, ele nem sequer solta a mão do tutor. 

Há três anos, Sam Clarence encontrou Stanley em um abrigo em Christchurch, na ilha sul da Nova Zelândia. Ele ainda era um filhote, mas já impressionava por causa do porte avantajado. Mas ele estava tão assustado com a situação que não largou mais o tutor. Sam costuma chamá-lo de “cachorro de velcro”. 

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CRÉDITOS: SAM CLARENCE

Sam e Stanley 

A dupla se tornou inseparável. Até hoje, Stanley se recusa a passar muito tempo longe do tutor – ele precisa saber que o pai humano está por perto. Isto chega a ser um pouco inconveniente nas muitas viagens que Sam faz pela Austrália e Nova Zelândia. 

Mesmo dirigindo, o cachorro viaja sempre no banco do passageiro e oferece a pata o tempo todo. Sam Clarence disse ao The Dodo, site especializado em histórias sobre animais de estimação: “Ele é muito insistente sobre isso”. 

Sam conheceu Stanley quando era voluntário do abrigo em Christchurch: ele passeava com animais resgatados algumas vezes por semana. Dois filhotes com cerca de seis meses de vida foram encontrados vivendo em uma casa abandonada e Sam foi convidado a ficar com um deles durante algumas semanas, até que fosse possível encontrar um lar definitivo. 

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CRÉDITOS: SAM CLARENCE

Ao conferir as fotos de Stanley, Sam percebeu que as chances de adoção não seriam muitas. O filhote era grande demais e extremamente tímido. Ao ser levado para o lar provisório, ele passou mais de uma hora até tomar coragem para descer do carro. 

Stanley era envergonhado, medroso, tentava se esconder de tudo e de todos e, apesar disso, tinha cara de valentão. O cachorro parecia ser agressivo, característica reforçada pela máscara preta que cobre o focinho e os lábios. 

Sam deu um banho no peludo, ofereceu uma refeição e uma cama quente e confortável – Christchurch tem clima temperado. Nos dias seguintes, enquanto Stanley se acostumava a dormir em uma cama e comer em tigelas, ele foi se aproximando cada vez mais do tutor improvisado. O cachorro chegou a escalar a cama para dormir com Sam. 

Foi quando passou a dividir a cama que Sam compreendeu a extensão da ansiedade e da carência de Stanley. O cachorro dormia nas costas do tutor, sempre tocando com pelo menos uma pata. Quando Sam mudava de posição, Stanley mudava também, para certificar-se de que o pai humano não tinha ido embora. 

Um antigo ditado diz que “as aparências enganam” – e isto está mais do que correto em relação a Stanley. Talvez, se tivesse sido adotado como cão de guarda, ele não teria correspondido às expectativas. O cachorro é um grandalhão doce e suave. 

A adoção 

Como era previsto, Stanley nunca mais deixou a casa de Sam, A adoção provisória se tornou definitiva em pouco tempo. O peludo está mais seguro e autoconfiante, mas não perdeu a necessidade de estar sempre em contato com humanos. 

Sam explica: “Quando estamos no carro, ele faz questão de ficar dando a pata. Quando assistimos à TV, Stanley precisa se deitar ao lado ou, mais frequentemente, em cima das minhas pernas”. A paixão, no entanto, não é exclusiva: quando Sam não está por perto, o cachorro “aceita” a companhia e os carinhos de amigos e da namorada do tutor. 

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Stanley (direita) com seu irmão (esquerda) e mãe (atrás)
 | SAM CLARENCE

Stanley já se acostumou à boa vida. Apesar de sempre procurar companhia humana, ele gosta de viajar e de se divertir. Quando a dupla vai à praia, o cachorro se esquece momentaneamente de que pode “perder” o tutor. Ele corre por todos os lados e enfrenta as ondas sem medo. 

De acordo com Sam, que gosta muito de pegar a estrada, ele não poderia ter encontrado um companheiro de viagens melhor do que Stanley, que faz questão de mostrar a sua presença. O tutor precisa apenas se armar com uma dose extra de atenção, para não sofrer acidentes. 

Sam e Stanley comprovam diariamente que um pouco de amor resolve todos os problemas. O cachorro entrou na vida do tutor de forma tímida. Ele era ansioso, apavorado e tinha pouca autoestima. Mas bastou um relacionamento saudável e feliz para transformá-lo no melhor amigo do mundo.