Cachorro tem as pernas deformadas por causa do corte do rabo quando filhote

Com as pernas deformadas por causa do corte do rabo, este cachorro tem uma nova chance.

A vida nas ruas é bem difícil para animais abandonados. E luta pela sobrevivência, com a busca constante por alimento, segurança e abrigo, quase sempre reduz a expectativa de vida. Para este cachorro, que teve as pernas deformadas por causa do corte do rabo, a esperança era ainda menor. Felizmente, ele foi resgatado e teve uma nova chance.

A história deste cachorro não é conhecida. Não se sabe se a caudectomia (cirurgia para o corte ou redução da cauda, sugerida internacionalmente para algumas raças caninas, mas proibida no Brasil quando realizada apenas por motivos estéticos) foi mal feita ou se o animal não teve assistência depois do procedimento.

Cachorro tem as pernas deformadas por causa do corte do rabo quando filhote

O corte da cauda

O cachorro foi resgatado por socorristas quando perambulava pelas ruas, mal podendo se locomover. Na verdade, os voluntários que atenderam ao chamado ficaram surpresos em descobrir que o peludo havia conseguido sobreviver em meio a tanta adversidade.

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Batizado como Lucky (sortudo, em português), o cachorro sentia muita dificuldade para caminhar, com dores nas articulações, ossos e músculos dos membros dianteiros. Os veterinários que o atenderam disseram nunca ter visto um caso tão complicado.

Levado à clínica veterinária, o cachorro passou por uma série de exames, para identificar o motivo da deformidade física. Através de exames de imagens, a equipe de saúde constatou que o rabo do peludo havia sido cortado quando ele era apenas um filhote.

A cauda de diversas espécies de mamíferos é um apêndice fundamental para o equilíbrio e a coordenação motora. Sem ela, o centro de gravidade do cachorro se deslocou e, com o desenvolvimento físico, os braços foram ficando gradualmente mais e mais tortos.

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Juntamente com as orelhas, a cauda dos cachorros exerce outra função importante na localização espacial. Lucky cresceu com sérios problemas de orientação, dificuldades para se locomover e sérios comprometimentos neurológicos.

Os veterinários constataram que o responsável pelo corte do rabo executou o procedimento sem ter conhecimentos de anatomia e fisiologia canina. É provável que Lucky tenha sido vítima de uma “brincadeira de crianças” – na verdade, um crime.

Crianças, às vezes, não sabem o que fazem. Muitas vezes, elas podem ser cruéis com animais e até mesmo com coleguinhas. Cabe aos pais e responsáveis fiscalizar as atividades e corrigi-las, quando ultrapassam o bom senso e a alteridade. Permitir essas “brincadeiras” pode gerar, inclusive, sociopatias e psicopatias no futuro adulto.

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A recuperação

Com o diagnóstico, os veterinários determinaram que Lucky precisaria ser submetido a uma série de cirurgias para corrigir a deformação nos braços. Além disso, ele teria de usar próteses para garantir os movimentos.

Ficou claro para os especialistas que o cachorro nunca teria uma capacidade de locomoção normal – ele sempre ficaria limitado. Mesmo assim, as cirurgias e próteses garantiriam melhor qualidade de vida, atenuando dores, cansaço, etc.

Um especialista em ortopedia canina que foi chamado recomendou que o cachorro fosse submetido a uma série de sessões de fisioterapia, que provavelmente excluiria a necessidade das cirurgias. Lucky estava desnutrido e muito fraco fisicamente, o que contraindicava, pelo menos naquele momento, a adoção de procedimentos mais invasivos: ele poderia não resistir à anestesia ou ao pós-operatório.

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O profissional criou próteses sob medida para Lucky. Inicialmente, o peludo teria de usar talas de gesso. O cachorro recebeu anestésicos leves e os cirurgiões realinharam os ossos dos braços. Então, teve início a recuperação, um processo doloroso, mas necessário para devolver ao peludo a capacidade de se movimentar.

Lucky se mostrou bastante corajoso. Ele é um cachorro dócil e, mesmo sentindo dores e estranhando as próteses, ele atendeu aos comandos da equipe de saúde, mostrando um excelente comportamento nas sessões de fisioterapia.

O tratamento ainda não está completo. Lucky ainda terá de passar por alguns procedimentos dolorosos, mas o cachorro parece compreender que tudo está sendo feito para o seu bem. Em alguns meses, ele poderá dispensar as próteses e terá novas oportunidades: já existem diversos candidatos à adoção.

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Os riscos da caudectomia

O corte da cauda foi empregado durante décadas, especialmente em cães de guarda e pastoreio. As orelhas e o rabo são pontos frágeis, facilmente agarrados por predadores e outros tipos de agressores.

Buldogues ingleses, por exemplo, tinham a cauda cortada para ficarem mais resistentes nas lutas (inclusive com animais maiores, como touros). Já os bonachões old english sheepdogs perdiam o rabo para evitar que lobos e ursos, nos ataques aos rebanhos, pudessem imobilizá-los.

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Com o tempo, a prática se espalhou para outras raças caninas – e até para algumas felinas – por motivos puramente estéticos: os criadores achavam cães sem rabo “mais bonitos”. Os veterinários, no entanto, insistem em um ponto: esta cirurgia não é um corte, é uma amputação.

A cauda dos cachorros (e de outros animais) é um prolongamento da coluna vertebral. As vértebras caudais são importantes para o equilíbrio: na movimentação correta, os cães balançam a cauda de maneiras diferentes (para o trote, a corrida, o nado, etc.).

Além disso, a cauda exerce importante papel na linguagem corporal. A posição serve para indicar submissão, medo, agressividade, prontidão para o ataque, etc. sem ela, o cachorro perde um instrumento de comunicação e sociabilização.

A cirurgia é extremamente dolorosa. Nos países que permitem a caudectomia, o procedimento é realizado nos primeiros cinco dias de vida, quando os terminais nervosos ainda não estão completamente formados. Mesmo assim, o cachorro sente muita dor. Além disso, o risco de infecções é muito grande.

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