Cachorro vê mais de 220 cães serem adotados enquanto espera uma família há 2 anos

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Esperando na fila de adoção, este cachorro viu 221 animais encontrarem uma nova família. Conheça a história de Bob.

Em abril de 2019, um cachorro amoroso e leal foi encontrado vivendo nas ruas. Resgatado por uma equipe da RSPCA (Royal Society for The Prevention of Cruelty to Animals, ou Sociedade Real para a Prevenção da Crueldade contra Animais, em português). Ele foi levado para o Distrito de Southwater, na zona oeste de Sussex, Inglaterra. 

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No abrigo, a maior entidade de defesa dos animais do Reino Unido, fundado em 1824, o cachorro permaneceu durante dois anos, nos quais foi testemunha da chegada e partida de centenas de animais: enquanto aguardava a vez, ele viu 221 cachorros serem adotados. 

Cachorro vê mais de 220 cães serem adotados enquanto espera uma família há 2 anos

A RSPCA resgata, trata e providencia a adoção de mais de 200 cães e gatos todos os anos e não esperava que a realocação desse cachorro, batizado como Bob, fosse ser tão difícil e trabalhosa. Encontrar a família perfeita foi uma aventura épica. 

A história de Bob 

O cachorro foi abandonado nas ruas e, desde o início de 2019, surgiram reclamações de moradores contra o animal, que parecia agressivo e violento, apesar de, pelas características, não parecer ser ainda um adulto. 

Bob foi recolhido ao Southwater e os voluntários da RSPCA logo perceberam que ele precisava de adestramento. Para encontrar uma nova família, o cachorro teria que se mostrar mais dócil e brincalhão, mas ele era arredio e medroso. 

O processo de reeducação de Bob, no entanto, levou mais tempo do que os adestradores haviam previsto. O cachorro passou longos 776 dias no abrigo, observando outros animais entrarem e saírem, testemunhando histórias felizes, enquanto a dele próprio continuava triste. 

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Lentamente, Bob começou a se tornar mais amigável e confiante. Depois do abandono e dos muitos perigos que vivenciou nas ruas, o cachorro começou a confiar nos humanos. Ele aprendeu os comandos básicos, passou a aceitar carinho e até começou a procurar voluntariamente a companhia dos tratadores. 

Todo este processo durou cerca de dez meses. Então, quando Bob já revelava as qualidades esperadas para um cão de companhia – sociabilidade, lealdade, disposição para brincadeiras, etc. – sobreveio a pandemia do novo coronavírus. 

A Grã-Bretanha tomou providências públicas para combater a nova doença infecciosa, inclusive com lockdowns e proibição total de eventos. A RSPCA suspendeu as visitas presenciais durante a fase mais crítica da Covid-19 e as adoções caíram à metade: em 2020, menos de cem cães foram realocados pela entidade. 

Cachorro vê mais de 220 cães serem adotados enquanto espera uma família há 2 anos

Bob continuava sem atrair a atenção. Ele foi alvo de postagens especiais do abrigo, que o descreviam como “um garoto fabuloso, com um ótimo caráter”. Jacob Cowing, diretor da RSPCA, afirmou que a equipe “passou muito tempo trabalhando com o Bob em termos de comportamento, ajudando-o a se preparar para um novo lar”. 

Mas Bob continuou sofrendo, sem opções de adoção. O cachorro é um pitbull, raça considerada agressiva, violenta e traiçoeira (é preciso dizer que a esmagadora maioria dos pitbullls é boa gente: eles são excelentes companheiros, inclusive para crianças. 

Além de ser um pitbull, Bob tem a pelagem preta. Na Inglaterra, existe a lenda do “black dog”, um fantasma que aparece nas noites de tempestade, relatado em lendas em quase todas as cidades do país. Consta que um caçador do século 17 teria vendido a alma ao Diabo; quando ele morreu, uma matilha de cachorros pretos veio buscá-lo para levá-lo ao inferno. 

Cachorro vê mais de 220 cães serem adotados enquanto espera uma família há 2 anos

Além de temido por ser um pitbull, Bob também sofria com as superstições locais. Na Grã-Bretanha, menos de 10% dos cães com esta pelagem são adotados no primeiro ano de exposição, apesar de serem quase 40% dos cães abandonados no país. 

A adoção 

Bob ainda não foi adotado. Ele continua presenciando os colegas encantarem famílias – e eles desaparecem alguns dias depois. Enquanto isso, o pitbull passa a maior parte do tempo fechado nas gaiolas do abrigo. 

Com o adestramento, Bob já passeia com uma corrente longa – e atende aos comandos para parar, ficar ao lado, sentar-se, etc. Ele está pronto para integrar uma família amorosa. O cachorro prefere correr livremente, mas, para isso, ele precisa ser adotado. 

O diretor da RSPCA afirma, na página do Facebook do abrigo, que “ao conhecê-lo, descobrimos que Bob é o amor absoluto. Ele é simpático e adora brincar. Depois que desenvolve a confiança nas pessoas, ele se torna companheiro e é o amigo mais leal que poderá ser encontrado”. 

Bob continua esperando a recompensa por ter sido um “bom aluno” dos adestradores. Ele quer ser adotado e a equipe do abrigo se dispõe a ajudar e aconselhar a nova família durante a fase de adaptação. Passar dois anos em um abrigo é muita coisa para um cachorro, especialmente para este, que quer apenas brincar e ser feliz. 

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