Cadela ‘bigoduda’ encontra família que ama sua aparência e é adotada

Por: em

Família encontra um novo membro: o cão bigodudo.

O nome é sugestivo: Ms. Mustachia (algo como “Senhorita Bigode”). Foi assim que uma cadela encontrada entre caixas de papelão foi batizada pela nova família. O bigode, na verdade, é apenas uma mancha escura sobre os lábios da cachorra.

A adoção se tornou possível graças à Arizona Humane Society (AHS), uma organização sem fins lucrativos sediada em Phoenix (EUA) que se dedica a resgatar, tratar e encontrar novos lares para cães e gatos abandonados.

Uma cadela bigoduda

A aparência inusitada de Ms. Mustachia, com pelos lembrando um farto bigode que cobre as laterais do focinho, não foi suficiente para salvar o filhote do abandono. A antiga família da cadelinha não se comoveu com o aspecto original e deixou-a na entrada da AHS.

No dia 28.02.21, voluntários da AHS encontraram a cachorra entre caixotes de papelão deixados para a coleta de lixo em frente à sede da ONG. Ms. Mustachia não deve ter ficado sozinha por muito tempo.

Cão bigodudo é resgatado
CRÉDITO: ARIZONA HUMANE SOCIETY

O filhote, quase escondido entre as caixas, não apresentava ferimentos e parecia estar saudável, com exceção de uma dermatite leve, que prejudicou a pelagem superficialmente. Ms. Mustachia é uma bela cadela mestiça com evidentes traços de boxer, o que demonstra que ser “de raça” ou “bonitinha” não é uma garantia definitiva contra o abandono.

A cachorrinha, que tem por volta de nove meses de vida, não ficou muito tempo na AHS. Passados alguns dias, com tratamento adequado, Ms. Mustachia já estava pronta para encontrar uma nova família.

Abandono

A AHS é especialista em resgatar e tratar animais abandonados. Em 2020, a ONG atendeu a mais de 80 mil telefonemas, ajudou a manter seis mil animais de estimação nos abrigos de Phoenix e encaminhou mais de quatro mil deles para a adoção.

A cachorrinha teve sorte. Talvez o bigode tenha chamado a atenção da nova família que ela conquistou. No entanto, a AHS abriga atualmente mais de dois mil animais – e quase metade está disponível para adoção.

No Brasil, são 20 milhões os cães abandonados nas ruas. Em cidades com mais de 500 mil habitantes, há um cachorro para cada cinco habitantes – e 10% deles não contam com o apoio de uma família humana.

Diversas ONGs resgatam e tratam cães e gatos: diariamente, centenas de animais de estimação são atendidos e ficam à espera de adoção, mas a procura é pequena, especialmente quando se trata de vira-latas e animais idosos.

De acordo com a legislação brasileira, desde 2019, está proibida a eutanásia de cães, gatos e aves recolhidos nos centros de controle de zoonoses, exceção feita aos animais doentes em estágio terminal. O projeto se arrastou por quase 20 anos antes da aprovação definitiva.

Na prática, no entanto, a maioria dos pets recolhidos aos abrigos oficiais acaba morrendo, seja em face dos cuidados inadequados, seja em função da falta de recursos. Muitos órgãos oficiais pratica o sacrifício de cães e gatos extraoficialmente.