Cadela resgatada ajudou a superar a doença e perda da mãe

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Cantora escocesa contou ao The Guardian como uma cadela resgatada ajudou-a a superar uma doença e perda de sua mãe.

Shirley Manson fez muito sucesso com a banda Garbage nos anos 1980 e 1990. Nascida em Edimburgo (Escócia) em 1966, filha da cantora de jazz Muriel Manson, ela passou por um período difícil quando a mãe foi diagnosticada com a doença de Pick, que a vitimou dois anos depois. Manson contou como uma cadela resgatada ajudou-a a superar a doença e a morte. 

Inicialmente, a cantora não se sentiu em condições de cuidar de outra vida, mas Veela – este é o nome da cachorra – ensinou Shirley como vencer o trauma. Veela foi encontrada em um abrigo em Los Angeles (EUA), quando a artista havia feito uma pausa nos discos e shows para cuidar da mãe, que recebeu o diagnóstico em 2007. 

Cadela resgatada ajudou a superar a doença e perda da mãe
A cadela com a mãe de Shirley Manson. Foto: Shirley Manson

A doença 

Muriel Manson foi diagnosticada com a doença de Pick, um tipo de demência que afeta os lobos frontal e temporal do cérebro. A enfermidade degenerativa da cognição, que surge mais cedo do que o mal de Alzheimer (a partir dos 55 anos) é crônica, global e irreversível. 

Os sintomas incluem atrofia e perda neuronal, alterações nos neurônios (células de Pick) e lesões cerebrais, que provocam alterações da memória, comprometendo funções como a linguagem, o raciocínio abstrato e a atenção. A sobrevida a partir do diagnóstico é de apenas dois anos. 

Muriel também desenvolveu atrofia muscular generalizada, disfagia, disfonia e dificuldade para mastigar. Ela morreu de pneumonia por aspiração. 

A adoção 

A ideia inicial de adotar um cão em um abrigo partiu do marido de Shirley Manson, o produtor musical americano Billy Bush, responsável pelas gravações e apresentações da Garbage. Resgatar um animal poderia preencher o tempo da cantora. 

Cadela resgatada ajudou a superar a doença e perda da mãe
Shirley Manson com sua cadela de resgate Veela. Foto: Shirley Manson

Manson, no entanto, não se sentia encorajada a cuidar de outro ser vivo. A cantora estava profundamente perturbada e não encontrava espaço mental. Até que, certa noite, Billy mostrou a foto de uma ninhada, encontrada em um site. As imagens mostravam filhotinhos de terrier, que estavam à espera de adoção em um abrigo de Los Angeles. 

“Vamos adotar um”, sugeriu o marido. O casal foi à ONG PetSmart Charities, mas o filhote que atraiu a atenção de Shirley já havia encontrado uma família. Outros três, no entanto, não paravam de pular e latir em um cercadinho. 

Uma atendente local sugeriu que Manson pegasse os filhotinhos no colo. A cantora pegou um por um, mas não sentiu uma conexão real. O marido ficou desapontado, mas a atendente sugeriu: “Vocês não estariam interessados em um cachorro mais velho?”. 

A mãe dos filhotes também havia sido resgatada e estava na ONG aguardando por adoção. A atendente trouxe a cachorra – na descrição de Manson, “uma coisinha ruiva e esquelética”. A cantora voltou-se para o marido e afirmou: “Este é o meu cachorro”. 

Shirley Manson percebeu imediatamente o vínculo que se estabeleceu entre ela e Veela. A cantora havia descoberto uma parceira para toda a vida. Foi amor à primeira vista, alguém para suprir a necessidade de atenção, afeto e compreensão. 

O veterinário consultado estimou que Veela tem entre seis e nove anos de idade. A cachorra foi encontrada vagando sem rumo pelas ruas do centro de Los Angeles, grávida e sem-teto. Antes de ir  para o abrigo, ela permaneceu por alguns dias em um lar provisório, onde deu a ninhada à luz. 

O encontro 

Pouco tempo depois da adoção de Veela, os pais de Shirley vieram da Escócia para visitá-la. A cantora estava especialmente ansiosa, já que a doença da mãe estava progredindo rapidamente. Muriel Manson estava deprimida e vulnerável; fisicamente, ela parecia menor. 

Veela percebeu imediatamente que a mãe de Shirley estava enfraquecida e precisava de apoio. Ela permaneceu ao lado de Muriel durante toda a visita. A cantora registrou em fotos a cachorra se espremendo ao lado da senhora: no sofá da sala, no carro, no jardim. 

Veela testemunhou a progressão da doença de Muriel. Certa tarde, enquanto estava assistindo TV com a cachorra no colo, Muriel assustou-se com um anúncio comercial que mostrava um elefante; ela não conseguiu reconhecer o animal. Shirley ficou alarmada, mas a cadelinha continuou dormindo tranquilamente. A respiração regular e constante acabou confortando a senhora enferma. 

Menos de um ano depois, Muriel morreu. Shirley estava participando de uma produção de um seriado, em que interpretava um poderoso alienígena (em “Terminator: The Sarah Connor Chronicles”). Na vida real, porém, ela precisava processar o luto. 

Veela foi fundamental nesse período.  Shirley conseguiu entender que a vida continua: sempre que voltava das gravações, lá estava a cadelinha querendo alimento, carinho, passeio, afeto. A artista conseguiu se curar com Veela, sempre pronta a demonstrar que a vida é simples: complicá-la apenas torna as coisas mais difíceis.