Cães brincam e rolam no chão durante reportagem ao vivo

Talvez eles quisessem apenas aparecer: cães brincam e rolam no chão ao vivo, durante reportagem.

Câmeras de TV registraram cães brincando e rolando no chão, enquanto a reportagem transmitia informações ao vivo para um noticiário televisivo. O episódio aconteceu durante um noticiário da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), retransmissora da Rede Globo no Estado.

Enquanto a repórter apresentava as notícias, os peludos aproveitaram para aparecer na rede estadual – eles foram vistos em todo o Paraná, brincando, rolando no chão e coçando as costas uns dos outros.

Roubando a cena

Em janeiro de 2022, uma repórter do telejornal Meio Dia Paraná, que vai ao ar de segunda-feira a sábado no horário do almoço, entrou ao vivo de Pontal do Paraná, cidade litorânea no leste do Estado e um dos principais pontos turísticos.

A notícia não era nada agradável: a repórter apresentou matéria sobre um grupo de baleias-francas que havia encalhado na praia – um dos animais não resistiu. Alheios às informações, um grupo de cachorros de rua estava brincando na areia e pareceu muito interessado em aproveitar os “15 minutos de fama”.

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Enquanto a repórter apresentava o caso, detalhando os motivos que levam baleias a encalhar – e morrer – no litoral, os cachorros apresentaram todos os truques que conheciam: latiram, pularam, rolaram pelo chão e até coçaram as costas uns dos outros.

Os cachorros estavam alheios ao drama das baleias – na verdade, eles não faziam ideia de que alguns parentes (afinal, somos todos mamíferos) estavam sofrendo a poucos metros do local em que eles apresentavam as suas estripulias.

A repórter voltou ao ar mais duas vezes, para complementar as informações sobre o acidente com o grupo de baleias. Nas duas ocasiões, os cachorros voltaram à carga com força total, caprichando nas performances apresentadas para todos os paranaenses.

O alcance da reportagem, no entanto, foi muito maior do que a audiência da RPC – que responde por incríveis 55% de share (percentual de TVs ligadas) no horário do almoço. Como não poderia deixar de ser, a bagunça canina se tornou um meme.

O vídeo com os cachorros dando o seu show particular acabou sendo postado nas redes sociais, multiplicando o número de acessos à matéria jornalística. Milhares de internautas ressaltaram o aspecto cômico da situação, apesar de lamentarem o encalhe dos cetáceos. No primeiro dia, o post original teve 325 mil views e provocou likes e comentários de 35 mil pessoas.

Objetivamente, os cães não podem fazer nada em favor das baleias, para que elas não fiquem encalhadas nas praias. Mas, de qualquer forma, estes três cachorros de rua amenizaram a situação triste – e deram um show à parte.

As baleias

O litoral brasileiro é bastante frequentado e explorado por baleias, especialmente das espécies franca e jubarte. Elas percorrem o sul, sudeste e nordeste do país em busca de águas tranquilas e mais aquecidas. O objetivo é namorar, acasalar, ter filhotes e cuidar deles nos primeiros meses de vida.

Em alguns casos, os encalhes ocorrem por razões naturais. Regiões muito rasas, em que o mar se afasta rapidamente durante a maré baixa, são locais comuns de acidentes. Os animais muito jovens tendem a ser mais ousados e curiosos, colocando-se às vezes em situações perigosas.

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Igualmente, as baleias idosas, senis, em trabalhos de parto difíceis e doentes podem não ter a força e a agilidade necessárias para escapar quando são lançadas em áreas rasas. Diversos grupos se voluntariam em áreas críticas do litoral, como é o caso de Pontal do Paraná, para ajudar esses gigantes.

Atualmente, no entanto, a maior causadora de encalhes de baleias, no mundo inteiro, é a ação humana. A pesca industrial com redes de arrasto, a contaminação da água com material poluente e as colisões com embarcações são as principais causas. Além de ficarem presas nas redes, a pesca excessiva reduz a oferta de alimentos para baleias e golfinhos, entre outros habitantes do mar

A intensa luminosidade artificial das cidades litorâneas também contribui para prejudicar o senso de localização das baleias. O excesso de luz atrapalha as técnicas de ecolocalização, vitimando um número crescente de mamíferos aquáticos.

O trabalho de Tucker

Como bons auxiliares, os cães também estão contribuindo para estudar as baleias e tentar, desta forma, reduzir os riscos que elas correm. No New England Aquarium, uma atração turística que se tornou polo de pesquisa científica, um retriever do Labrador está contribuindo com os estudiosos.

Apesar da raça, Tucker não gosta de água. Ele evita se molhar, nunca entra no mar e quer distância dos tanques de peixes e mamíferos do aquário, que fica em Boston, Massachusetts (costa leste dos EUA). Mas o cachorro ajuda a coletar fezes de baleias.

Tucker faz parte de um grupo de cães treinados para encontrar os excrementos através do olfato. Com a análise em laboratório, os pesquisadores conseguem obter informações sobre as baleias, como o nível de estresse, fertilidade, nutrição e exposição a poluentes.

Além de fazerem palhaçadas para atenuar a gravidade de uma notícia, pode-se ver que os cães, mesmo sem nunca terem feito um mergulho submarino, contribuem para o bem-estar de todos – inclusive das baleias.

Veja o vídeo:

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