Cão cego e seu “gato-guia” conquistam uma nova família

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Um cão cego, acompanhado pelo seu gato de suporte, são adotados juntos.

Para usar alguns clichês, “o amor é cego” e “na necessidade, prova-se a amizade”. Esta é a história de um cão de rua do Canadá que perdeu a visão. No abrigo a que foi levado, ele se tornou amigo de um gato, que decidiu guiar o deficiente visual. No momento da adoção, foi impossível desfazer esta dupla. 

Nesta história, outro clichê, que fala de “viver brigando como cão e gato”, não faz o menor sentido. Esta dupla comprova que a vida depende de cooperação, trabalho em equipe e vínculos de afeto que não podem ser rompidos. A família canadense que os adotou entendeu isso muito bem. 

Spike e Max 

Não é de todo infundada a crença de que cães e gatos não se dão bem. Os cachorros são predadores natos – e estes instintos costumam falar mais alto. Os bichanos, por sua vez, percebem os caçadores potenciais à sua volta, fogem ou eriçam os pelos (para parecerem maiores) e, com isso, perpetuam o ciclo que ne (ou separa) os predadores e as presas. 

a rivalidade natural é contornável, no entanto. Não é preciso ir muito longe para descobrir histórias de cães e gatos que são BFF (best friends forever, ou melhores amigos para sempre). Os bichanos, aliás, costumam levar a melhor nas brigas, por serem mais ágeis e elásticos. 

Em casa, as condutas agressivas dos cachorros – e as técnicas de evasão dos gatos – podem e devem ser contidas pelos tutores. Basta não estimular esses comportamentos: se o cachorro é treinado para sempre atacar e o gato, para sempre fugir, a convivência não será das melhores. 

Mas o cachorro cego e o gato-guia não precisaram de adestramento para estabelecer uma convivência saudável. Spike (um cão sem raça definida de oito anos) já convivia com Max (o gato também SRD, com aproximadamente a mesma idade) e uma família humana, antes que a dupla fosse abandonada. 

Eles foram entregues juntos para a Saving Grace Animal Society, entidade dedicada ao bem-estar de cães e gatos sediada em Alix (Província de Alberta, Canadá). O abandono ocorreu em janeiro de 2021. A equipe do abrigo explicou para a emissora CBC News que a dupla vivia isolada no quintal da casa. 

A solidão e a necessidade de se aquecer no frio canadense – entre abril e setembro, as temperaturas em Alberta dificilmente ultrapassam os 16°C durante o dia. Max e Spike passavam a maior parte do tempo amontoados, para garantir algum conforto térmico. 

Apesar da negligência, a vida seguia regularmente para a dupla. até o dia em que Spike começou a desenvolver catarata, uma doença nas lentes dos olhos que, se não for diagnosticada e tratada a tempo, pode levar à cegueira. E foi o que aconteceu. 

A antiga família decidiu que não valia a pena manter um cachorro cego. Como Max seguia o amigo o tempo todo, os dois foram levados para o abrigo – e continuaram inseparáveis. Max não é exatamente um gato-guia, no sentido de conduzir o amigo em suas andanças. 

O bichano funciona mais como um apoio, confortando Spike e fazendo companhia para ele. De acordo com a equipe da Saving Grace, o cachorro pode sentir o cheiro do amigo e a presença do gato é uma forma que ele encontrou para lidar com o estresse e a ansiedade. 

Em fevereiro, depois dos cuidados imediatos necessários, o abrigo postou fotos de Spike nas suas redes sociais, visando à adoção. O cachorro foi descrito como “um menino feliz e sortudo, que ama a vida”. Ainda de acordo com a descrição, “ele fica ainda mais feliz quando tem um colo por perto, para descansar a cabeça”. 

O gato é apresentado como “o yin do seu yang”. No Taoísmo, yin e yang são os polos opostos, que se atraem e complementam. A Saving Grace descreveu Max como “a presença constante que Spike conheceu em sua vida e, por isso, é imperativo que eles sejam adotados juntos”. 

A publicação dizia ainda que Max é “um palhaço, que com certeza fará toda a família rir bastante”. Imediatamente, o post recebeu milhares de curtidas e compartilhamentos. Em pouco tempo, uma família se interessou por Max e Spike: em 11 dias, a dupla já estava a caminho do novo lar. 

Em março, a Saving Grace atualizou a postagem sobre Spike e Max, informando aos internautas que cão e gato já estavam alocados na casa nova, em Manitoba, província na região central do Canadá: “Eles estão em casa com a nova mãe. Desejamos muita sorte para esta dupla adorável”.