Dayko, um retriever do labrador, ajudou a salvar sete vidas. Exausto, ele morreu ainda trabalhando.

Um terremoto de magnitude 7,8 atingiu a costa norte do Equador no dia 16/04/16, deixando 654 mortos, 58 desaparecidos e mais de 12 mil feridos. Em apenas uma semana, mais de 700 tremores secundários foram registrados. A tragédia é considerada a pior dos últimos 70 anos.

Para minimizar o sofrimento da população, batalhões do corpo de bombeiros equatoriano estão se desdobrando na busca de sobreviventes, na distribuição de água e alimentos e na abertura de vias de acesso a regiões ilhadas pelos destroços. Um “bombeiro” de San Miguel de Ibarra (norte do Equador) destacou-se na batalha pela vida: Dayko.

“Bombeiro Dayko de prontidão”

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Herói de quatro patas

O retriever do labrador não descansou na busca por vítimas ainda vivas que poderiam estar debaixo dos escombros deixados pelo terremoto. Dayko ajudou a resgatar sete vidas: os sobreviventes foram levados a hospitais da região.

Depois disto, no entanto, o cão não resistiu: sofreu um infarto do miocárdio provocado por esgotamento físico e acabou se tornando mais uma vítima, ainda que indireta, da tragédia da natureza. Dayko morreu no dia 22/04/16.

Dayko, em treinamento no corpo de bombeiros de Ibarra.

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Nas suas últimas horas de vida, Dayko sofreu com os ferimentos, o cansaço e a desidratação.

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As causas

Os tutores de Dayko afirmaram, para repórteres que cobriam as operações de resgate, que o animal morreu de exaustão, por ter sido obrigado a uma jornada excessiva. O corpo de bombeiros de Ibarra, no entanto, desmentiu a versão.

De acordo com as autoridades, o ataque cardíaco do retriever do labrador de apenas quatro anos foi causado pelo calor excessivo, uma vez que os cães não são dotados de um sistema muito eficiente para regular a temperatura corporal.

O corpo de bombeiros afirmou ainda que Dayko foi socorrido pelo encarregado da unidade de combate e encaminhado imediatamente ao veterinário, mas o cansaço, a desidratação e diversas lesões provocadas pela marcha sobre ruínas determinaram a morte do animal.

De acordo com informações de Jorge Ortega, comandante da unidade dos bombeiros, Dayko era um cão jovem e muito bem treinado. Ele estava na corporação havia três anos e meio e já tinha recebido certificações nacionais e internacionais.

A morte do retriever do labrador foi sentida por todos os soldados, em especial por Alex Yela, o condutor de Dayko, que conta: “quando Dayko chegou, todos se encantaram com o seu olhar terno e comportamento muito dócil e amigável, que lhe permitiu participar com sucesso de vários treinamentos”.

O cão também gostava de nadar (como todos os retrievers) e fazia um grande sucesso nas muitas apresentações caninas para crianças (em escolas e praças públicas), com seus saltos sobre obstáculos e passagens rasantes por anéis de fogo.

Aqui Dayko sendo socorrido, mas já era tarde, o herói se foi.

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Por quê?

Vale uma reflexão: cães são considerados “animais irracionais” (a definição está desatualizada, mas ainda é bastante comum). Por que Dayko teria esquecido a dor e o cansaço para continuar em sua missão de salvamento?

Não se trata de um fato isolado. Centenas de cães se sacrificam diariamente em cataclismas naturais, incêndios, deslizamentos, soterramentos, acidentes automobilísticos e aéreos, além de cumprirem rotineiramente funções de guias de cegos, rastreadores de vítimas perdidas e sequestradas, identificadores de drogas ilícitas e contrabando e até auxiliares em terapias para crianças, idosos e pacientes internados em hospitais.

Há muito, já é sabido: o cão é o melhor amigo do homem. E, pelo exemplo da Dayko, estes animais têm uma lição valiosa a ensinar aos homens. “Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão”, diz certa canção religiosa. Quantos humanos estão dispostos ao sacrifício? Pois é, os cães – os tais animais irracionais – estão.

Seja como for, é uma pena que um animal tenha de ser submetido a esforços hercúleos para provar o que todos nós sabemos, mesmo que estejamos na companhia de um chihuahua. Esta morte poderia ter sido evitada com um pouco mais de bom senso e compaixão.


6 COMENTÁRIOS

  1. Que dó. Isso se chama falta de senso, de amor, de cuidado.
    Nenhum animal é obrigado a isso, se ele se esgotou, estavam forçando sem lembrar das necessidades fisiológicas do bichinho. Lamentável. Faz parte fo ser humano :/

  2. ele trabalhou alen do limiti isso foi cruel porque eles viram que o cachorro estava cansado com sete e ainda deixaram ele continuar a caça foi muita judiação ,cachorro não igual gente naõ ! voçes foram cruel com ele! o que matou o cachorro foi o cansaso a sete e talvez a fome! coitadinho dele!

  3. TUDO TEM UM LIMITE, OS BOMBEIROS NÃO DEVERIAM DEIXAR ELE TRABALHAR DE FORMA A FICAR FERIDO E DESIDRATADO…NÃO TINHA PORQUE DAR A VIDA PELOS HUMANOS TÃO DESUMANOS 😢😢😢

  4. O cão foi um herói mas quem cuidava dele um monstro pq tinha que ter dado água e comida e um pouco de descanso pro cão como isto não foi feito teve mais uma vítima por negligência do homem

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