Casal faz uma longa viagem para adotar “o cachorro mais triste do canil”

Este casal viajou por seis horas para adotar um cachorro triste, que merecia outra chance.

“Eu nunca tinha visto um cachorro tão triste, e sabia que não podia deixá-lo sozinho”. É assim que Jessica Williams descreve a longa viagem que fez com o namorado, Jared, para adotar um animal cujas fotos tinham sido publicadas no site de um abrigo.

O casal tinha acabado de montar o primeiro apartamento, e Jared disse que gostaria de um cachorro como presente de aniversário. Ainda faltavam alguns meses, mas Jessica começou imediatamente a procurar um filho de quatro patas na internet. Foi assim que ela encontrou “o cachorro mais triste do canil”.

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Foto: Arquivo pessoal Jessica Williams

Uma longa viagem

O cachorro que chamou a atenção de Jessica e Jared tinha sido capturado nas ruas de Los Angeles (Califórnia, oeste dos EUA). Havia um pequeno detalhe: o casal mora em Sacramento, a capital do Estado, que fica 650 km distante do abrigo – uma viagem de mais de seis horas, em uma velocidade média de pouco mais de 100 km/h.

A viagem pela costa do Pacífico é um dos grandes destinos turísticos dos EUA, mas o casal estava com a mente ocupada nas imagens de Benji, o cachorro abandonado nas ruas de Los Angeles. Depois de entrar em contato com o abrigo, eles só queriam conhecer o peludo pessoalmente.

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Foto: Arquivo pessoal Jessica Williams

Benji tinha sido recolhido dias antes pelo controle de zoonoses e encaminhado a um abrigo público. No site, o animal era descrito como “extremamente cauteloso com pessoas e portador de uma alergia a picadas de insetos que o fez perder parte da pelagem”.

Na verdade, a alergia a pulgas e carrapatos tinha destruído boa parte da pele do cachorro. Ele precisaria de tratamento médico prolongado para voltar a exibir um aspecto saudável. O casal pesou os prós e contras e resolveu visitar Benji.

Provavelmente, pensou o casal, eles escolheriam outro cachorro no canil e a viagem seria um passeio divertido, mas Jessica não conseguia tirar Benji do pensamento. Ele estava no abrigo havia dez dias e parecia não estar se adaptando bem ao local.

Uma adoção improvável

Com certeza, Benji não era o cachorro mais agradável do mundo. Ele passava a maior parte do tempo preso, porque não interagia bem com os outros animais do canil. Além disso, o peludo rosnava e arreganhava os dentes quando os tratadores se aproximavam.

Seja como for, Jessica e Jared compreenderam que Benji poderia valer a pena. O casal empreendeu a viagem e, chegando a Los Angeles, foram diretamente para o abrigo e expressaram o desejo de adotar Benji.

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Foto: Arquivo pessoal Jessica Williams

Os funcionários do abrigo não tinham muita fé no cachorro. Inicialmente, eles se recusaram a levar Benji para a área de convivência, pois sabiam que o peludo não poderia ser classificado como um “animal fofinho”; era mais provável que o cão de médio porte se assustasse e atacasse os candidatos à adoção.

Mas Jessica e Jared insistiram em conhecer Benji. Eles sabiam que, pelas leis da Califórnia, o cachorro seria sacrificado em poucos dias, caso não encontrasse um lar para recebê-lo de forma definitiva. A legislação estadual permite que cães e gatos sejam abatidos em até 72 horas após a captura, caso ninguém apareça para reclamá-los ou para oferecer uma nova oportunidade.

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Foto: Arquivo pessoal Jessica Williams

“Nós não queríamos deixar que ele morresse”, contou Jessica ao The Dodo, site especializado em histórias sobre animais de estimação. “Havia uma grande possibilidade de Benji ser sacrificado e não poderíamos permitir isso”.

Apesar do aspecto pouco amigável de Benji e das inúmeras advertências do abrigo, o casal estava decidido pela adoção do cachorro. Nos primeiros contatos, o peludo não se mostrou agressivo, mas tampouco revelou ser afetuoso e amigável.

Jessica e Jared preencheram a papelada oficial e, em poucas horas, se tornaram pais adotivos de Benji. Estava na hora de levá-lo para casa – mais uma longa viagem e, desta vez, na companhia de um cachorro nem um pouco amistoso.

De casa nova

As seis longas horas de viagem de volta para Sacramento foram especialmente difíceis. O cachorro não dava mostras de querer se aproximar de Jessica e Jared e também estava confuso com tudo o que estava acontecendo: em poucos dias ele tinha sido tirado das ruas, levado para a “cadeia” e agora estava em um carro em alta velocidade.

Finalmente em casa, a primeira reação de Benji foi encontrar um cantinho para se esconder. O apartamento do casal é pequeno, mas o cachorro fazia de tudo para tentar passar despercebido. Com o passar dos dias, no entanto, uma transformação incrível aconteceu.

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Foto: Arquivo pessoal Jessica Williams

Benji ganhou brinquedos, utensílios e uma caminha assim que chegou ao novo lar. De início, ele escondia todos os objetos na cama e deitava-se em cima, com medo de que alguém “roubasse” os pertences.

Mas não levou muito tempo para o cachorro perceber que tinha sido levado a um porto seguro. Quando ele compreendeu que estava em um local tranquilo, com espaço para correr e brincar e com pais amorosos, Benji lentamente começou a sair da defensiva.

De alguma forma misteriosa, Jessica e Jared tinham conseguido enxergar um cachorro doce e brincalhão naquele animal arisco, desconfiado e agressivo. Benji precisava apenas de uma rotina previsível, com segurança, alimento, carinho e brinquedos.

O dia a dia de Benji agora se limita a brincar, comer e dormir. Ele adora passear de carro, apesar de, nas primeiras vezes, ele ter demonstrado medo – talvez de ser levado de volta ao abrigo. O peludo passa longos minutos correndo atrás do rabo e gosta de ficar aconchegado aos pais.

Em apenas três semanas, “o cachorro mais triste do canil” se transformou em um animal amigável, divertido e muito doce. Ele acompanha os pais em todos os cantos – nos parques, praças e até em restaurantes “pet friendly” de Sacramento. Benji, assim como tantos cachorros de rua, só precisava de uma nova chance.

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