Com patinhas disformes, cadela deficiente está pronta para aprender a andar

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Esta cachorra está aprendendo a andar sozinha – e também procura uma família para caminhar com ela. 

Esta é a história de Thumbelina, uma mestiça de pastor alemão com husky siberiano que nasceu com uma deficiência nas patas dianteiras que está aprendendo a andar com a ajuda de uma cadeira de rodas feita especialmente para ela. 

O nome é uma homenagem a Thumbelina, protagonista de um longa-metragem de animação, lançado pela Warner Bros. em 1994. No Brasil, o filme foi exibido como “A Polegarzinha” (em inglês, “thumb” significa “dedo polegar”). 

Assim como no filme, Thumbelina também está à procura de um príncipe encantado, na forma de uma família amorosa que queira adotá-la. 

Com patinhas disformes, cadela deficiente está pronta para aprender a andar
Créditos: HEARTS AND BONES

O começo difícil 

Pouco depois de nascer, Thumbelina foi entregue aos cuidados da Stone Creek Vet, uma clínica veterinária instalada em Dallas (Texas, EUA). O Heart and Bones (“coração e ossos”, em português), um grupo de resgate animal que atua na cidade e também em Nova York. 

A filhote foi levada para o canil do serviço de resgate, na zona rural de Dallas. A equipe constatou rapidamente que Thumbelina havia nascido com os braços deformados e disfuncionais. Esta condição impedia a cachorra de andar normalmente. 

Allison Seelig, dirigente da Heart and Bones, contou à revista People que os veterinários suspeitam que a má-formação congênita observada em Thumbelina foi causada por acasalamentos irresponsáveis. 

Nos EUA (e também no Brasil), é relativamente comum a prática de cruzamentos comuns visando a determinadas características físicas que “estão na moda”: há os acasalamentos para obter cães atléticos, pocket dogs (cães de bolso, quanto menores, melhor) e. no caso de Thumbelina, animais gigantes. 

Com patinhas disformes, cadela deficiente está pronta para aprender a andar
Créditos: HEARTS AND BONES

Os cruzamentos indiscriminados acabam reforçando características recessivas, que se manifestam nas ninhadas em número cada vez maior. Os cães “do jeito certo” são vendidos por altos preços, enquanto os que nascem com deficiências são simplesmente descartados. 

O abuso das cadelas matrizes também é bastante comum. As fêmeas são obrigadas a suportar gestações sucessivas – às vezes, até três por ano. As cadelas ficam exauridas, os filhotes nascem fragilizados, doentes e portando deficiências. 

A história continua 

A família original de Thumbelina não tinha condições de cuidar de um animal com necessidades especiais, por isso, ela foi entregue à clínica veterinária assim que as anomalias físicas foram detectadas. 

A cachorra teve que “se virar sozinha”. Ela desenvolveu um jeito especial para se locomover, apoiando o corpo sobre a face frontal dos bracinhos curtos. Provavelmente, ela desenvolveu a técnica sozinha, mas as caminhadas são difíceis e poderiam gerar transtornos maiores no médio prazo. 

Ela passou cerca de um ano se movimentando desta forma. Para se sentar, ela se apoia nas pernas traseiras e deixa os braços suspensos – fica parecida com um suricato. Mas a equipe do Heart and Bones sabia que precisava de uma solução mais eficaz. 

Com patinhas disformes, cadela deficiente está pronta para aprender a andar
Créditos: HEARTS AND BONES

Durante alguns meses, o abrigo que acolheu Thumbelina se mobilizou para conseguir o dinheiro necessário e, finalmente, na primavera de 2021, foi possível adquirir uma prótese especialmente desenhada para a cachorra. 

Com a nova cadeira de rodas – que é rosa-choque – Thumbelina usa as pernas traseiras para ganhar impulso, enquanto o tronco é sustentado pela prótese. A cachorra teve de se mudar para a casa do fundador do Heart and Bones, próxima à sede da fabricante, onde ela recebeu um treinamento básico para aprender a pilotar o carrinho. 

Thumbelina apresentou excelentes resultados no curso. Ela aprendeu a se deslocar rapidamente, sem muito esforço físico. A cachorra está mais alegre com a agilidade conquistada e fez muitas amizades com os cães da vizinhança, que encontra nos passeios diários. 

New York, New York 

A cachorra mestiça estava pronta para mais uma etapa da vida. Mas, considerando que os abrigos de animais do Texas estão superlotados e as chances de adoção são reduzidas, a equipe do Heart and Bones decidiu transferir Thumbelina para a filial em Nova York. 

Ao chegar à Big Apple, Thumbelina foi levada para morar com uma das voluntárias do centro de resgate. Megan Penney é adestradora de cães e estima que já acolheu provisoriamente mais de 200 animais em sua casa. 

Enquanto isso, Thumbelina descobre novas técnicas para pilotar a cadeira de rodas rosa-choque, que vem chamando muita atenção nas ruas de Nova York. Ela já conheceu os pontos turísticos da cidade, brincou na praia e mostra-se cada vez mais à vontade na companhia de outros cães – inclusive os de Megan. 

Agora, Thumbelina espera o momento de encontrar a família definitiva. Enquanto Seelig afirma que não há grande diferença entre adotar um cão normal e outro com deficiência física, Megan é mais cuidadosa e diz que estão procurando alguém que consiga sustentar o peso da cachorra (pouco mais de 20 kg) e a casa deve ser acessível: plana, ou com rampas para que Thumbelina possa se mover livremente. 

À espera da adoção, a cachorra já recebeu alguns mimos. Uma empresa de banho e tosa de Nova York ofereceu um “dia de princesa” para Thumbelina, com direito a diversos tratamentos, e também ofereceu produtos de higiene para um bom tempo. 

Thumbelina agora espera o dia de finalmente conhecer o castelo em que passará o restante da vida. Ela é uma cachorra dócil, um pouco tímida, inteligente e muito bonita, principalmente depois dos tratamentos. Agora, falta apenas o final feliz.