Dingo encontrado ferido é confundido com cachorro e acaba adotado

Família encontra filhote ferido no quintal, pensa que é um cachorro e acaba adotando: um dingo, um predador terrestre da Austrália.

Uma família australiana, certa manhã, foi acordada com os ganidos de um filhote. O animal parecia ferido e talvez tivesse sido abandonado. A família não pensou duas vezes para acolher o “cachorro”.

Mal sabiam eles, no entanto, que o simpático filhote era, na verdade, um dingo. O fato ocorreu em Wandiligong, um vilarejo de menos de 500 habitantes no Estado de Vitória, no sudeste da Austrália.

O dingo, na verdade, é o maior predador terrestre da Oceania e nunca se adaptou à convivência com humanos, seja com os nativos australianos, seja com os ingleses, que chegaram à região no final do século XVIII. Restam poucos indivíduos na natureza.

A adoção

Preocupada com o bem-estar do “cachorro”, a família o recolheu e decidiu tomar conta dele – pelo menos, até que os donos legítimos viessem reclamá-lo.

Ninguém apareceu procurando o filhote, que foi ficando na casa.

O dingo foi conquistando a nova família e finalmente foi adotado. Deram a ele o nome de Wandi. Mas a dùvida continuava: afinal, Wandi é um cachorro, uma raposa ou o quê?

Algumas fotografias de Wandi foram postadas nas redes sociais pelos tutores orgulhosos – e então começaram as discussões e polêmicas. Afinal, a internet está cheia de especialistas, seja qual for o assunto.

Os tutores do filhote decidiram levá-lo a um centro veterinário próximo a Wandiligong. Os médicos logo desconfiaram de que Wandi poderia ser um dingo. Para ter certeza, decidiu-se por um exame de DNA, para mapeamento genético de Wandi

Os dingos, que alcançaram o topo da cadeia alimentar na Austrália, estão divididos em três subespécies: os dingos da floresta, do deserto e das montanhas (terras altas). Os exames genéticos constataram que Wandi é um dingo da última categoria, sem nenhum ancestral canino ou de outra espécie.

O destino de Wandi

Wandi é uma fêmea selvagem. Ela dificilmente se adaptaria ao convívio com humanos depois de atingida a idade da adulta. Por isto, especialistas da Fundação Australiana do Dingo convenceram a família a “deixá-la ir”. Mesmo com o coração em pedaços, os tutores entenderam que a vida selvagem era a melhor opção para o filhote.

O dingo fêmea foi levado para o santuário da fundação. Depois de um período de adaptação, Wandi será solta para viver com os seus iguais. As características genéticas da fêmea certamente contribuirão para a diversificação do DNA, ampliando as probabilidades de sobrevida da espécie.

Os dingos

Atualmente, a espécie está classificada como vulnerável, a sexta categoria de classificação das espécies da IUCN (que vai do “sem risco” ao “extinto”. O motivo principal é a caça indiscriminada, por causa dos ataques destes animais aos currais e galinheiros instalador pelos ingleses a partir de 1800.

Além disto, o hábitat dos dingos vem sendo continuamente devastado pela ação humana, seja na abertura de campos para lavoura e pecuária, seja para atividades de mineração.

Os dingos chegaram à Austrália há cerca de quatro mil anos e podem ter sido os responsáveis pelo decaimento da população de monotremado se marsupiais, os mamíferos mais “simples” da escala zoológica.

Estes canídeos selvagens também estão associados à extinção do tigre-da-Tasmânia, felídeo que a habitava o sul da Oceania. Ainda são considerados como pragas pelos fazendeiros, mas eles contribuem para o equilíbrio ecológico, caçando roedores e coelhos que, de outra forma, poderiam inviabilizar a agricultura do país.

Acidentes ambientais na Austrália

Vale lembrar que não existem raposas nativas da Austrália. Os colonos europeus decidiram criar coelhos no “Novíssimo Continente”, mas, sem predadores naturais além dos dingos, que eram caçados sem dó pelos colonos, os coelhos acabaram se multiplicando excessivamente, tornando-se uma praga em pouco tempo.

Para controlar os coelhos, os ingleses decidiram importar outra espècie para a Austrália: as raposas. Também não deu certo: os canídeos encontraram os wombats na ilha.

Wombats (Vombate) são marsupiais, parentes próximos dos cangurus. Eles têm o metabolismo muito lento (chegam a levar duas semanas para digerir os alimentos).

Por isto, eles são animais vagarosos. As raposas preferiam caçá-los, em vez de correr atrás dos velozes coelhos, embaixo do sol escaldante do interior da Austrália. E os coelhos permaneceram livres para continuar se multiplicando a toda velocidade.

Atualmente, os dingos selvagens australianos estão protegidos pela legislação ambiental do país. Eles são os principais responsáveis pelo controle da população de cangurus, wombats e de animais ocidentais introduzidos pelos europeus, como as raposas e coelhos, além dos gatos selvagens que proliferaram no país.

A natureza é sábia e, sem a interferência excessiva dos homens, sempre encontra formas de manter ou recuperar o equilíbrio. Por isto, o retorno de Wandi ao convívio com os seus iguais pode ser considerado uma vitória dos ambientalistas.

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