Mulher recebe ultimato do marido, mas prefere terminar casamento para ficar com os seus cães.

É bastante comum ouvir a expressão: “prefiro cachorro a gente”. A inglesa Elizabeth Haslam, de Barnham, West Sussex, levou esta “opinião” ao pé da letra. Quando o marido Michael exigiu uma escolha: “ou eles, ou eu!”, Liz não teve dúvidas. Terminou um casamento que já durava 25 anos para ficar com os seus cães.

Provavelmente, o casamento de Liz e Mike não ia muito bem das pernas, mas o ultimato do marido obrigou Liz a pôr o consorte para correr. O caso está gerando furor na Inglaterra.

Ouvida pelo jornal britânico “Express” em maio de 2019, Liz Haslam afirmou que não esperava ter sido pressionada desta forma, mas que está tranquila com a decisão sobre o divórcio: “afinal, a decisão pela separação foi dele”.

Liz continua: “Mike sabia que desistir dos cães nunca esteve nos meus planos. Talvez ele tenha se sentido menosprezado por causa do tempo que passo com os ‘bullies’, mas eu cuido de cães desde que me entendo por gente”.

Eles ou eu! Esposa escolhe os cães e pede divórcio

Liz e os cães

A afirmação da inglesa faz todo o sentido. Na sua infância, o pai tinha uma loja de produtos para animais de estimação e a mãe sempre recolhia cães de rua. Do lado materno, ela herdou o carinho com os pets; com o pai, ela aprendeu a cuidar dos bichos.

Em 2011, Liz e o então marido fundaram um canil para receber bull terriers abandonados (os “bullies”, ou bullzinhos, em tradução livre). A dedicação da inglesa em relação aos cães só fez aumentar a partir daí.

Liz Haslam afirma que ela e o marido começaram o negócio juntos. Recentemente, porém, Michael disse acreditar ser necessário diminuir o ritmo, atendendo um número menor de cachorros. Foi quando surgiu o ultimato e a resposta “fulminante” da esposa. Ela simplesmente disse que havia chegado o momento de os dois seguirem caminhos diferentes.

Atualmente, Liz Haslam, que também é dona de um papagaio e de uma arara, cuida de 16 cães abandonados que não apresentam condições de serem adotados, em função das sequelas provocadas por agressões físicas ou de comportamentos inadequados difíceis de serem erradicados.

Alguns animais de Liz estão feridos e necessitam de atenção veterinária, mas a maioria apresenta problemas de comportamento, fato comum entre os bull terriers. Pelo menos dois deles, que atendem pelos nomes de Dotty e Della, foram resgatados de rinhas de cães clandestinas. Em pleno século XXI, ainda são realizadas brigas de cachorros na Inglaterra.

Os bull terriers

A raça surgiu na Inglaterra, no século XIX (por volta da década de 1860), idealizada por James Hinks, que usou cruzamentos entre o buldogue antigo, dálmata e white terrier (whippets e pointers espanhóis também foram empregados nesta seleção). Os bull terriers apresentam uma história envolvida com os combates de cães, “esporte” apreciado na Inglaterra vitoriana.

Em 1835, no entanto, foi formalmente proibida a luta entre buldogues antigos. A nova legislação, no entanto, só fez aumentar o número de rinhas clandestinas. Em combate, os buldogues mordiam e sufocavam o inimigo, mas não eram animais ágeis (como também não são os atuais buldogues ingleses, descendentes diretos da “luta de touros”, ou bull baiting).

Hinks cruzou um antigo buldogue com um white terrier, obtendo cães mais rápidos e considerados mais bonitos pelos britânicos. As lutas finalmente foram extintas, mas a “fama de mau” dos bull terriers continuou. O problema é que muitos donos procuram um animal feroz a ágil, mas acabam se arrependendo da escolha e abandonando os cachorros.

Beds for Bullies

Pensando nesta realidade, o casal Haslam decidiu criar o canil e a associação para divulgar as características da raça bull terrier e acolher os cães vítimas de abandono e de maus tratos. Para obter o dinheiro necessário para a ONG (depois do divórcio, coordenada exclusivamente por Liz Haslam), foi fundado um hotel. O nome é sugestivo: Can I Wag Your Tail? (em tradução livre: “posso abanar o seu rabo?”).

No site de apresentação do hotel, Liz se apresenta como uma babá de cães com 20 anos de experiência. Can I Wag Your Tail, instalado em uma fazenda particular no Condado de Norfolk conta com quartos aquecidos, trilhas para passeios e espaços separados para atender os cães de acordo com o porte e o temperamento.

Beds for Bullies (BFB) também promove campanhas pela erradicação dos maus tratos contra os cães. Liz Haslam acredita que as rinhas de cães continuam promovendo lutas porque os ingleses simplesmente não sabem que elas ainda existem.

Os resgates não acontecem apenas nas ilhas britânicas. Conheça um pouco da história dos cachorros de Liz, que levaram esta inglesa ao divórcio:

• o bull terrier Dave vivia na Itália. Ele foi baleado na cara, teve a causa cortada e viveu em uma van durante meses, antes de ser recolhido no BFB;

• Niamh foi resgatada na França, quando estava prestes a ser sacrificada por ter nascido com problemas ósseos em uma das pernas dianteiras;

• Ernie tinha apenas quatro semanas de vida quando foi atirado em uma lata de lixo. O filhote precisou operar a coluna vertebral, mas está pronto para adoção;

• Widget é um cão mestiço de bull terrier e jack russell. Ele foi resgatado depois de salvar um homem embriagado que caiu em um rio;

• Boudics, de quatro anos, teve uma das pernas dianteiras amputada. Ele era muito jovem e, por isto, a outra perna não se desenvolveu adequadamente. Mesmo assim, a hidroterapia do BFB está garantindo a locomoção do cachorro.

Além deste, Liz cuida de cachorros surdos, abandonados em clínicas veterinárias antes ou depois de procedimentos cirúrgicos ou simplesmente velhos demais. É o caso de Pixie, de 17 anos.

Não bastassem os problemas dos cães, a “babá de cães” está enfrentando outro sério obstáculo: o proprietário da fazenda pretende lotear o terreno e Liz Haslam precisa se mudar com os 16 bull terriers, a arara e o papagaio.

É possível que o divórcio de Liz – que se parece com uma piada ou com fake news – acabe ajudando a divulgar o trabalho do Beds for Bullies e do Can I Wag Your Tail. O que parecia ser uma história banal, talvez de uma dondoca que preferiu os cães ao marido, revelou-se a aventura emocionante de alguém que quer fazer a diferença em favor dos animais abandonados.

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