Família brasileira deixa o país e leva junto os 12 animais de estimação

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Uma família paulistana deixou o país, mas fez questão de levar junto todos os animais de estimação.

Em 2014, a paulistana Marina Matamoros decidiu sair do Brasil. Graduada em Hotelaria, ela entendeu que era o momento de encontrar novas oportunidades. Com a ajuda da mãe, do irmão e da cunhada, Marina começou a organizar a mudança, entender os desafios de morar em outro país.

Em pouco tempo, a jovem descobriu que tinha um grande problema a superar. Ela pretendia se mudar para Barcelona juntamente com a família – mas esta família era bastante peculiar: era composta por Marina, os parentes e alguns filhotes de quatro patas: cinco cachorros e sete gatos, todos de estimação.

Família brasileira deixa o país e leva junto os 12 animais de estimação

A hora da mudança

Marina afirma que em nenhum momento cogitou de deixar os animais para trás. Abandoná-los, então, nunca passou pela cabeça da família Matamoros. A própria ideia da mudança surgiu do desejo de afastar-se da violência urbana brasileira.

Portanto, praticar outra violência – abandonar os animais de estimação, ou separá-los para que fossem adotados por pessoas diferentes – não estava nos planos. Na verdade, seria um contrassenso: praticar a violência para fugir da mesma violência.

Teve início o planejamento. Afinal, a ideia de partir para Barcelona com os pets parecia perfeita, mas não bastava colocá-los em gaiolas de transporte e seguir para o aeroporto. O primeiro passo foi pesquisar a legislação espanhola e catalã sobre a posse e transporte de cães e gatos.

Outro ponto se mostrou primordial: como fazer para levar os pets, com conforto e segurança, em um voo transcontinental (a viagem aérea de São Paulo para Barcelona, sem escalas, leva 11 horas e meia – são mais de 8,7 mil quilômetros de distância).

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Os custos

Restava ainda o planejamento financeiro: atualmente, para transportar um gato ou cão de pequeno porte numa caixa acondicionada embaixo do assento, as companhias aéreas cobram, em média, 150 euros. Os cães de médio e grande porte precisam viajar no compartimento de bagagem e a “passagem” não sai por menos de 300 euros.

A família Matamoros, hoje, teria de desembolsar pelo menos 1.800 euros para transportar os 12 animais de estimação, além do custo de traslado do aeroporto até a nova residência.

A receptividade

Cães e gatos não precisam de passaportes nem vistos para boa parte dos deslocamentos internacionais. Mesmo assim, os Matamoros decidiram consultar as autoridades da Catalunha sobre a possibilidade da mudança na companhia dos pets.

 A resposta da Prefeitura de Barcelona foi positiva: a família poderia se mudar com os 12 animais de estimação para a cidade, desde que eles estivessem saudáveis e as instalações residenciais permitissem a acomodação adequada de todos eles.

Família brasileira deixa o país e leva junto os 12 animais de estimação

Outros pontos das leis de Barcelona surpreenderam positivamente a família Matamoros: todos os animais deveriam ser cadastrados nos órgãos municipais. Além disto, os cães e gatos não poderiam permanecer sem companhia e supervisão humana durante muitas horas do dia. A família teria de se revezar para não deixar os pets sozinhos por muito tempo.

A lei brasileira

Satisfazer as exigências legais da cidade de destino não foi o único trâmite a ser superado: havia também a legislação brasileira. Felizmente, aqui não há restrições para o transporte de animais domésticos para outros países, desde que:

• o país de destino permita a entrada;

• a companhia aérea responsável pelo transporte ofereça acomodações condizentes;

• os pets precisam ser avaliados por um órgão responsável (em São Paulo, o Centro de Controle de Zoonoses – CCZ).

Todos os animais, “migrantes ou turistas”, precisam ser avaliados pelo CCZ, que verifica as condições gerais de saúde e, se necessário, atualiza a carteira de vacinação.

É preciso respeitar uma janela de 40 dias entre a avaliação veterinária e o laudo final. No caso de Marina Matamoros, os pets foram reavaliados alguns dias antes do embarque para Barcelona, quando finalmente receberam o Certificado Zoossanitário Internacional (CZI). Sem o documento, nada de viagem.

A viagem

Para garantir o transporte de todos os membros desta grande família, os Matamoros organizaram uma perfeita “operação de guerra”.

A mãe, o irmão e a cunhada de Marina viajaram para a Espanha com antecedência. Eles se responsabilizaram por receber os animais e transportá-los em segurança até a casa nova.

Marina ficou na retaguarda, para embarca os 12 animais de estimação em segurança. Cães e gatos da família foram embarcados em três etapas – e chegaram a Barcelona em três horários diferentes. No total, a família levou seis horas para liberar todos os pets no aeroporto.

A jovem se lembra de que foram momentos de muita angústia. A cada pet que embarcava, o coração ficava mais apertado. Finalmente, Marina embarcou e, algumas horas depois, pôde ver a família novamente reunida, desta vez na Europa. “Quando eu os reencontrei, caí no choro”. Memórias familiares para ninguém botar defeito.

Fique atento!

Se você pretende viajar com o seu cão ou gato durante as férias, ou mesmo transferir-se em definitivo para outro país, saiba que as companhias reservam poucos lugares em cada voo para o transporte de animais. Os “pequenos” podem ser acomodados em caixas de transporte, mas, no caso dos pets maiores, é preciso informar-se com a empresa e reservar a vaga.

Para viajar para o exterior, é preciso:

• ter a carteira de vacinação, a vermifugação, o antipulgas e o carrapaticida em dia;

• para viagens à Comunidade Europeia, a implantação do microchip de identificação;

• obter o CZI (submeter o pet à avaliação veterinária e realizar a sorologia para constatar a ausência de doenças infectocontagiosas);

• além de cães e gatos, furões (ferrets) também podem viajar para fora do país.

Algumas companhias aéreas não aceitam fazer o transporte de cães e gatos braquicefálicos (pets de cara amassada, como gatos persas, pugs, buldogues, etc.). Estes animais podem sofrer insuficiência renal durante os voos.