“Seu cachorro será morto silenciosamente algum dia”. Assim começa a carta anônima da ameaça de morte a cadela da família.

Uma família residente no Planalto Paulista, bairro da zona sul de São Paulo, recebeu uma carta anônima com uma ameaça anônima contra a cachorra Sol. A mensagem foi deixada na porta da casa em que Sol vive com a família.

Os parentes de Sol estão apavorados com a ameaça, mas os humanos da família decidiram tornar pública a carta, que foi postada imediatamente nas redes sociais e está recebendo milhares de curtidas e compartilhamentos.

Sol é uma vira-lata caramelo, mas nem mesmo a popularidade do subtipo está garantindo a segurança e integridade da cachorra, que foi adotada pela família há oito anos.

Para os tutores, Sol nunca apresentou problemas de barulho – nunca recebeu reclamações dos vizinhos – mas, mesmo assim, os tutores estão providenciando orientação profissional e adestramento para evitar discussões.

Família recebe carta anônima com ameaça de morte à cachorra

A ameaça a cachorra

A carta anônima é sucinta. Os criminosos trazem uma ordem expressa para que a família afaste a cachorra do bairro. A ameaça tem data marcada: “vocês têm até 0h do dia 30 (de janeiro) para levar Sol para outra região ainda com vida”.

A ameaça é explícita: “você tem o prazo até a data acima mencionada para colocar o seu cachorro, ainda com vida, em outro lugar para viver, desde que seja longe do Planalto Paulista e daquela vizinhança”.

As justificativas dos criminosos são absurdas. Os autores da carta afirmam que Sol “late muito, há muito tempo, descontrolada e diuturnamente, fora da normalidade do convívio social”. Os monstruosos responsáveis parecem não entender o direito de propriedade básica e uma característica básica dos cachorros: eles latem.

Os tutores afirmam que Sol late como qualquer cachorro normal, nada exagerado. Os profissionais procurados em busca de orientação para o problema garantem que a vocalização canina e totalmente normal.

Um dos adestradores consultados, Ricardo Milan, afirmou que o ato de latir para estranhos é normal para os cachorros – são poucos os que aceitam imediatamente a presença de pessoas distantes do núcleo familiar. Milan salientou que Sol não apresenta problemas.

Durante a visita de Milan à família, o adestrador pôde observar que a cachorra não late em excesso. No encontro, um entregador tocou a campainha e Sol não latiu, nem tentou correr para o portão. Não há sinais de agressividade ou dominância. O adestramento, no entanto, é sempre útil para melhorar a comunicação, a obediência e o relacionamento.

A íntegra da carta

Os autores da ameaça, que se esconderam no anonimato, assim se dirigiram à família de Sol, em uma carta impressa:

“Leia com bastante atenção este único aviso: seu cachorro será morto silenciosamente e em algum dia a partir da 0h do dia 30.01.2021 caso você não siga rigorosamente a instrução abaixo.
Você tem o prazo até a data acima mencionada para colocar o seu cachorro, ainda com vida, em outro lugar para viver. Desde que seja longe do bairro Planalto Paulista e daquela vizinhança.
Seu cachorro late muito, há muito tempo, descontrolada e diuturnamente, fora da normalidade do convívio social.
Perturbando, portanto, em demasia, contundente, de forma anormal e recorrente uma vizinhança inteira de um bairro estritamente residencial, onde moram famílias com bebês, crianças, idosos, enfermos e trabalhadores que merecem e têm direito ao descanso e ao silêncio.
Fique ciente de que este é o seu único aviso.
Somos profissionais e muito bem pagos pelo nosso trabalho.
Tenha certeza de que já realizamos trabalhos piores e nunca falhamos.
O seu prazo e o nosso trabalho são inegociáveis e irreversíveis.
Como prova do nosso profissionalismo, deixaremos uma marca de tinta branca no seu carro. A próxima não será tinta, nem branca.
Não entraremos mais em contato”.

Reação da família ao receber carta de ameaça

O tutor da Sol, Guilherme Assano, já foi procurado por vários veículos da imprensa. Ele afirmou que a família inteira está em choque desde o momento em que leu a carta.

Diz Guilherme: “Estávamos almoçando em família, um dos irmãos pegou a correspondência e falou em choque que a Sol estava sendo ameaçada”. Ele leu a carta e todos ficaram inseguros, assustados com a situação.

A família tomou algumas providências para proteger a cachorra. Sol não está mais saindo para passear, nem mesmo no quintal de casa, está dormindo dentro de casa e há sempre um parente humano ao lado dela. Os tutores registraram um boletim de ocorrência e policiais já estiveram na casa, dando início às investigações.

Um detalhe Importante: na delegacia de polícia, a família de Sol encontrou um vizinho denunciando uma situação exatamente igual – ele também recebeu uma carta anônima de ameaça. Não se sabe se há mais ameaças, mas aparentemente os criminosos estão tentando intimidar todos os tutores de cães da vizinhança.

As redes sociais

Tutores de cães e simpatizantes dos peludos têm mostrado solidariedade em relação à denúncia anônima contra Sol. A família tem recebido mensagens de carinho, apoio e solidariedade.

A visibilidade instantânea da cachorra ajuda a proteger todos os cachorros, especialmente os que vivem em Planalto Paulista. Os compartilhamentos desta história podem inclusive ajudar a polícia a identificar os planejadores do crime anunciado na carta anônima.

A legislação

As leis brasileiras consideram os maus tratos contra cães. Em 2020, foi sancionado um projeto de lei (14.064/2020) que endurece a punição contra os autores. De acordo com a nova lei, já em vigor, é crime “praticar atos de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”.

A pena prevista pela redação da nova legislação é de dois a cinco anos de detenção e multa pecuniária. A detenção pode ser acrescida em um terço, caso a agressão provoque a morte do animal.

O aumento do período de detenção foi muito importante. A legislação anterior previa apenas até um ano de reclusão para os criminosos. Crimes com penalidades semelhantes são considerados de “menor potencial agressivo”.

Desta forma, os autores desses crimes sempre têm as penas transformadas em prestação de serviços comunitários e, na maioria dos casos, são liberados depois da aquisição de algumas cestas básicas.

Com a pena de dois a cinco anos, os crimes contra animais, no Brasil, passou a ser considerada uma ofensa mais grave – não apenas ao pet, mas a toda a sociedade. Maltratar animais de estimação, domesticados ou silvestres, independente da origem, hoje em dia “dá cadeia” no país.

É melhor que os autores da carta anônima contra Sol – e todos os demais criminosos – comecem a ficar mais atentos. A vontade de uma pessoa ou apenas um grupo não pode prevalecer contra a vontade de toda a sociedade, que é de garantir saúde, qualidade de vida e bem-estar aos pets.


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