Um gambá recém-nascido recebeu uma segunda chance na Carolina do Sul, EUA. Sobrevivente é adotada por uma cachorra.

Esta é a história de um gambá bebê que perdeu a mãe quando ainda era um recém-nascido. Gambás estão entre as poucas espécies de marsupiais nativos do continente americano. Estes mamíferos são mais conhecidos na Oceania, onde cangurus e coalas são famosos.

Filhote gambá perde a mãe e é adotado por uma cachorra

Poncho é o nome do gambá que recebeu uma segunda chance. Certa noite, no início de julho de 2017, a mãe gambá decidiu aproveitar a escuridão do entardecer para encontrar comida. Infelizmente, ela foi procurar alimento em uma rodovia da Carolina do Sul, um Estado do sudeste dos EUA.

O acidente com o gambá bebê

A mãe gambá estava às margens da Rodovia 17, uma estrada que percorre o litoral da Carolina do Sul, explorando as possibilidades de alimento caídos na via. Um carro em alta velocidade atropelou a família.

Filhote gambá perde a mãe e é adotado por uma cachorra

O acidente ocorreu no início da noite e o motorista nem sequer se deu conta de que estava arrastando uma família de gambás. A mãe e a maioria dos filhotes não sobreviveram ao atropelamento e ao choque.

Os filhotes de gambá tendem a se agarrar aos pelos da mãe enquanto ainda estão na fase da amamentação. Eles deixam o marsúpio – a bolsa em que se localizam as tetas, que protege as crias – e circulam pela pelagem, chegando a disputar a nuca, região preferida.

Filhote gambá perde a mãe e é adotado por uma cachorra

Por isso, no momento do acidente, os filhotes não estavam escondidos, mas relativamente visíveis, mesmo com a escuridão da noite. Outros motoristas que passavam pela rodovia conseguiram avistá-los e acionaram o serviço de emergência.

O resgate do gambazinho

Um grupo de socorristas de animais logo foi informado sobre a colisão e conseguiu interceptar o carro envolvido no acidente, que ainda carregava um minúsculo filhote vivo, mas seriamente ferido por causa do choque.

De alguma forma, o sobrevivente estava com sorte no dia do acidente. A equipe de resgate teve de se esforçar para separá-lo do corpo da mãe, do qual ele não queria se separar – instintivamente, ele julgava estar protegido agarrado à mãe gambá.

Filhote gambá perde a mãe e é adotado por uma cachorra

De acordo com a avaliação veterinária, constatou-se que o gambazinho estava bem de saúde, mas não poderia ser solto na natureza, por ainda não saber caçar e recolher alimentos sozinhos. O pequeno animal ainda estava aprendendo com a mãe a selecionar o que se deve ou não comer.

Os socorristas decidiram que seria necessário tentar providenciar uma mãe substituta para o gambá. A solução foi encontrada pelo Rare Species Fund (RSF), ONG sediada em Myrtle Beach, Carolina do Sul.

A salvadora de Poncho, o gambazinho órfão, atende pelo nome de Hantu, uma cadela da raça pastor alemão branco. Trata-se de um animal adulto (18 meses), mas que nunca teve crias. Foi amor à primeira vista.

Filhote gambá perde a mãe e é adotado por uma cachorra

Poncho subiu imediatamente às costas de Hantu e, desde então, é assim que o gambá explora o mundo à sua volta. A cadela passa o dia inteiro com o “filho postiço” preso aos seus pelos, inclusive durante as sonecas e no repouso noturno.

Esperava-se que, com alguns dias, o gambá sobrevivente decidisse deixar o lombo de Hantu e abandonar a mãe substituta, escapando para a mata que cerca as imediações do RSF. Isto, no entanto, não foi o que aconteceu.

Cadela e gambá continuam juntos durante o dia inteiro – e já se completaram três anos de amizade. Todos os que entram em contato com Hantu e Poncho, já conhecidos como a “dupla improvável”, se surpreendem com o relacionamento. Afinal, cães são predadores e gambás poderiam muito bem servir como uma bela refeição.

O exemplo da adoção vem sendo empregado em campanhas para conscientizar humanos a também receber animais sem família em suas casas. Afinal, se mesmo os “irracionais” são capazes deste gesto de amor, o que dizer dos seres humanos?

Características da espécie

Várias espécies de gambás vivem na América, da Argentina ao sul do Canadá, sendo mais frequentemente avistados nas regiões tropicais. No Brasil, eles também são conhecidos como saruês e sariguês.

Gambás podem se reproduzir até três vezes por ano. As fêmeas dão à luz de 10 a 20 filhotes por gestação, que dura cerca de duas semanas. Os embriões nascem imaturos, com apenas um centímetro de comprimento, imediatamente migram para o marsúpio, onde ocorre uma ligação temporária entre a boca do gambazinho e um dos mamilos da mãe.

Os filhotes permanecem na bolsa materna por quatro meses, mas, mesmo depois desse período de desenvolvimento, eles permanecem agarrados à pelagem da mãe, porque ainda não conseguem caçar e recolher alimentos sozinhos.

Os gambás são animais solitários, mas formam casais nos períodos de reprodução e constroem ninhos preferencialmente em ocos de árvores. São animais onívoros (comem de tudo) e apresentam hábitos noturnos.

Algumas espécies são imunes ao veneno de escorpiões e serpentes, inclusive jararacas e cascavéis. Um estudo do Instituto Vital Brasil (USP) concluiu que eles podem receber doses de até 660 miligramas do veneno, sem sofrer danos. Esta dose é quatro mil vezes superior à suportada por bovinos de 400 kg.

Portanto, gambás ajudam a controlar as populações de serpentes e aracnídeos, que estão no seu cardápio alimentar. Caso você encontre um gambá, não o mate: apesar da aparência, ele não é um roedor nocivo. Mas também não se aproxime, porque ele pode morder e transmitir algumas doenças.

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