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Funcionários de terminal adotam três cães de rua, que ganham camas e muito amor

Três animais de rua se tornaram os cães comunitários de um terminal de ônibus em Curitiba.

Três animais de rua se tornaram os cães comunitários de um terminal de ônibus em Curitiba.

Com um clima subtropical úmido, Curitiba é a capital mais fria do país. Muitas madrugadas da capital paranaense são geladas e os cães de rua sofrem não apenas no inverno. Os funcionários de um terminal de ônibus, no entanto, estão fazendo a diferença: eles adotaram três cães comunitários.

O Terminal Barreirinha, na zona noroeste da cidade, pode ser considerado a “casa” de Max, Pitoco e Zoinho. Eles foram vistos pelas equipes do serviço de transportes perambulando no local. Ao perceberem que os três cães não tinham donos, os funcionários decidiram providenciar comida, agasalho e muito carinho para o trio.

Assim como nós, os cachorros são “seres do universo”. Mais precisamente, são habitantes do planeta Terra. Eles têm todo o direito de viver uma vida digna – especialmente considerando que fomos nós, os humanos, que os retiramos das florestas para viver em nossa companhia.

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Projetos pessoais e municipais

Sem esta iniciativa, talvez estes cães – e muitos dos seus colegas – não teriam resistido ao frio intenso que os brasileiros que vivem na região centro-sul do país enfrentaram em 2021. Mas a adoção comunitária não é importante apenas no inverno. Afinal, a fome e o abandono não têm época certa para acontecer.

A atitude dos funcionários do Terminal da Barreirinha merece ser divulgada e parabenizada. São gestos simples, que não ocupam muito tempo nem exigem muito dinheiro, mas são poucas as pessoas que os efetivam.

O Brasil não goza de boa reputação, quando se trata de cuidar dos animais abandonados nas ruas. Embora a situação seja sensivelmente melhor do que em muitos outros países com índices econômicos semelhantes aos registrados aqui, ainda há muito a ser feito.

A adoção

Max, Pitoco e Zoinho foram adotados pela comunidade local, responsável pela escolha dos nomes dos três peludos. Eles começaram a rondar o Terminal Barreirinha em busca de abrigo. Como são três cachorros mansos e dóceis, logo fizeram amigos.

Inicialmente, foram providenciadas tigelas com ração e água fresca para os animais – excelentes motivos para que eles parassem de perambular pela cidade. O carinho dos funcionários foi outro diferencial. Em pouco tempo, eles já eram conhecidos como os “cães comunitários do terminal”.

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A ONG Cão de Barreirinha, que atua no entorno do terminal auxiliando animais em situação de rua, doou caminhas feitas com pneus velhos, cobertores e edredons para os peludos se aquecerem nas noites frias de Curitiba.

Estes três peludos podem se considerar felizardos: eles não são apenas “sobreviventes da violência urbana”. Eles ganharam direito de cidadania e encontraram um lar, mesmo que não tenham uma família específica para se dedicar.

Os cães são tratados pelos funcionários, que se revezam nos cuidados, e ajudam a distrair os passageiros que esperam a chegada dos ônibus. Alguns moradores do bairro também contribuem para o bem-estar de Max, Pitoco e Zoinho.

O projeto

A iniciativa dos funcionários foi incluída no projeto “Cães Comunitários”, organizado pela Secretaria do Meio Ambiente de Curitiba em 2013. A cidade conta atualmente com 160 animais mantidos por grupos comunitários – igrejas, empresas, sindicatos, faculdades, etc.

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O projeto facilita a avaliação médica dos animais de rua, oferece castração, vacinação e vermifugação e dá dicas para criar os cães em ambientes públicos: alimentação, higiene, cuidados com cães agressivos, etc.

Os cães atendidos pelo projeto – inclusive os animais do Terminal da Barreirinha – estão sendo microchipados, para que seja possível identificar os hábitos dos animais. Outros Estados brasileiros, como Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, também implantaram programas de adoção comunitária, mas o de Curitiba é o pioneiro.

O projeto é importante também para reduzir as doenças transmitidas pelos cães, bem como dos parasitas que eventualmente infestam cachorros e gatos. Além disso, o programa estimula a adoção e Curitiba detém o recorde de realocação no Brasil: 25% dos cães recolhidos encontram uma nova família. É pouco, mas o projeto está sendo ampliado.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 20 milhões de cachorros não contam com a proteção de um lar no Brasil. Eles vivem nas ruas, eventualmente são recolhidos em abrigos, mas a organização estima que 90% deles nunca conheça os benefícios da adoção. Também por isso, a atitude dos funcionários deste terminal é ainda mais louvável.

Amaury Almeida Costa
Amaury de Almeida Costa ([email protected]) é redator publicitário há mais de 30 anos. Escreve para diversos blogs desde 2008. Presente nas redes sociais desde a época do Orkut, foi editor da revista Animanews, sucesso editorial do final dos anos 1990, que trazia informações sobre pets – além de cães, gatos e aves, trazia informações sobre répteis, anfíbios, peixes e invertebrados de estimação.
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