Golden retriever cego tem o seu próprio cão-guia, um filhote da mesma raça

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Um filhote se tornou os olhos de um golden retriever cego. Confira a história desta dupla. 

Desde que passaram a acompanhar os humanos nas caçadas, há alguns milhares de anos, os cães têm se mostrado extremamente versáteis e habilidosos. Leais e amigos, eles já atuaram na tração, guarda, sentinela, terapia, companhia e até na guerra. O cachorrinho desta história mostra que a fidelidade não se resume aos humanos: ele se tornou o cão-guia de um golden retriever cego. 

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No Brasil, cerca de 600 cachorros atuam como guias de cegos. É um número baixo, considerando que, de acordo com o IBGE, mais de seis milhões de brasileiros são portadores de algum tipo de deficiência visual grave. A dupla Tao e Oko são mais uma prova de que os cães-guia devem ser popularizados em todo o planeta. 

Golden retriever cego tem o seu próprio cão-guia, um filhote da mesma raça

Tao e Oko 

Ao que tudo indica, os cachorros não veem muita diferença em auxiliar os humanos e outros cachorros – até mesmo os “inimigos” gatos são personagens de inúmeras histórias de amizade e companheirismo. Mas o episódio desta matéria é a dupla Tao e Oko: os dois peludos se tornaram inseparáveis. 

Golden retriever cego tem o seu próprio cão-guia, um filhote da mesma raça

Tao é um golden retriever de 12 anos, que foi acometido de glaucoma e teve os globos oculares removidos cirurgicamente há dois anos. A tutora de Tao, Melanie Jackson, relatou para a equipe do site Bored Panda que tudo aconteceu muito rapidamente. 

O glaucoma é uma doença óptica que prejudica a drenagem eficaz dos globos oculares. No caso de Tao, a doença progrediu de forma rápida e inesperada. Melanie conta que, em uma manhã, em agosto de 2019, o golden retriever parecia estar bem, mas, algumas horas depois, começou a balançar a cabeça – um sinal de que estava sentindo dor. 

Na madrugada seguinte, a tutora reparou que Tao tinha perdido a visão de um olho. Tao foi operado e o olho foi retirado. Algumas semanas depois, no entanto, o glaucoma se manifestou no outro olho, que também teve de ser removido. 

Golden retriever cego tem o seu próprio cão-guia, um filhote da mesma raça

Apesar da cegueira, Tao se recuperou completamente das cirurgias. Ele estava feliz e continuava seguindo a tutora pela casa, como fazia desde que era um filhote. Três dias depois da segunda cirurgia, ele encontrou um jeito próprio de subir as escadas e caminhava sem necessidade de ajuda. 

Mas Melanie percebeu que estava faltando alguma coisa. Tao se locomovia quando ela estava por perto; quando a tutora saía de casa, ele ficava parado e ocioso. O golden retriever precisava de uma companhia e de um estímulo a mais. 

Golden retriever cego tem o seu próprio cão-guia, um filhote da mesma raça

Então, Oko entrou em cena. Melanie decidiu adotar outro cachorro – mais um golden retriever. O filhote chegou à casa nova com apenas oito semanas de vida e conectou-se instantaneamente ao colega. A dupla se tornou inseparável. Tao e Oko brincam, passeios e até dormem juntos. 

Oko parece ter percebido instintivamente que Tao não consegue enxergar e naturalmente se tornou os olhos do companheiro. Sem nenhum tipo de treinamento especial, o filhote se transformou em um excelente cão-guia. 

Tao, por sua vez, consegue identificar a presença de Oko pelo cheiro – os cachorros são famosos pelo faro apurado. Melanie teve apenas de treinar o filhote para “segurar a ansiedade”: quando Oko encontra uma novidade, ele quer explorá-la e é um pouco afoito nessas ocasiões. 

Golden retriever cego tem o seu próprio cão-guia, um filhote da mesma raça

Tao sempre apresentou excelente forma física. Ele caminha com a tutora 13 km diariamente e continua fazendo tudo que costumava fazer antes de perder a visão, com exceção de saltar cercas vivas e fardos de feno. 

Enquanto a dupla continua brincando, divertindo-se e expressando amor incondicional – entre si e pela tutora –, Melanie decidiu que também deveria agir. Em conjunto com o Kennel Club, ela passou a mapear cães com algum parentesco com Tao, para que eles possam fazer exames de prevenção do glaucoma. 

A doença é silenciosa e só costuma apresentar sintomas quando os casos estão avançados. Mas, se for possível diagnosticar o glaucoma precocemente, ele pode ser tratado, evitando que os cães afetados percam a visão. 

Melanie também passou a usar as suas páginas nas redes sociais para divulgar a importância do diagnóstico precoce do glaucoma e a importância dos cães-guia no dia a dia de pessoas – e cachorros – portadores de deficiências visuais. 

Fotos: tao_mr_winky

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