Holanda é oficialmente o primeiro país do mundo sem cães de rua. Entenda como foi possível

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Graças a um programa nacional, a Holanda se tornou o primeiro país do mundo a não ter cães nas ruas. 

Um programa nacional de resgate, esterilização e vacinação transformou a Holanda no primeiro país do mundo a ter zerado a população de cachorros abandonados nas ruas. O projeto também envolveu um forte projeto de adoção dos animais. 

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O país europeu obteve o título graças a um programa de castração, iniciado em 2016. Os animais encontrados vagando nas ruas sem identificação eram recolhidos, avaliados clinicamente, esterilizados e devolvidos. Em alguns anos, sem novas ninhadas, não era mais possível identificar cães nas ruas das cidades holandesas. 

Na maior parte do mundo, a presença de cães abandonados nas ruas é um problema grave de saúde, higiene e, claro, de solidariedade. Eliminar essas populações, garantindo o acolhimento e a adoção, é uma grande dor de cabeça para muitos países. 

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Foto: Romy Arroyo Fernandez/NurPhoto/Getty Images

Mas a Holanda conseguiu o título. O plano do governo envolveu o endurecimento das leis contra pessoas que abandonam cachorros, castração, conscientização da população e impostos na compra de animais de raça, para estimular a adoção dos SRD – os vira-latas. 

O programa do governo holandês não envolve extermínio. Até mesmo o recolhimento dos cães em abrigos só é considerado em regiões com um número muito grande de animais nas ruas. Os peludos foram castrados e gradualmente, sem gerarem ninhadas consecutivas, o total de cachorros foi sendo reduzido. 

O projeto CNVR 

A sigla em inglês do programa holandês significa “Collect, Neuter, Vaccinate and Return” (recolher, esterilizar, vacinar e devolver, em tradução livre). Tutores de cachorros sem condições para arcar com os custos das cirurgias também foram envolvidos no projeto. 

De acordo com projeções da Animal Foundation Plattform (que teve início na Holanda e hoje está presente em dezenas de países, promovendo os direitos dos animais), quando se atinge o percentual de 70% da população canina de rua castrada, a região consegue eliminar o problema em quatro ou cinco anos. 

A presença de cães nas ruas das cidades é uma questão de solidariedade – nenhum animal deve ser negligenciado – mas é também um problema de saúde pública. A redução ou eliminação significa menores níveis de zoonoses (doenças que atingem igualmente os humanos e outros animais). 

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O Estado também diminui significativamente o total de dinheiro gasto no controle de doenças caninas, como a cinomose e a parvovirose, por exemplo. 

De acordo com a legislação do país, todo animal de estimação deve ser registrado nos órgãos competentes e pagar impostos pela guarda. Em algumas cidades, como Roterdã e Haia, os tributos animais atingem 100 euros (630 reais, pela cotação atual). 

Mas a carga tributária é objeto de discussões. Por exemplo, em Amsterdã, capital e cidade mais populosa da Holanda, o imposto pela guarda de pets já foi abolido. As autoridades estão entendendo que a cobrança é contraproducente, por estimular o abandono ou apenas a falta de registro, fato que prejudica a definição de políticas de saúde e bem-estar. 

O plano de ação do governo holandês também determinou alterações na cobrança dos impostos. O preço dos cães vendidos em canis e pet shops é majorado com alíquotas, enquanto a adoção de animais de rua ou abrigados em centros de resgate é isenta de taxas. 

Mas, se as taxas para manter um animal de estimação em casa tendem a ser eliminadas, as multas para quem abandona um cachorro na rua continuam altas. De acordo com a situação, os tutores negligentes podem ter de pagar até 16 mil dólares (mais de R$ 88 mil). 

Na Holanda, quem não pode mais arcar com as despesas geradas por um pet deve encaminhá-lo a um centro específico, entregando também toda a documentação referente ao animal (caderneta de vacinação, certificado de registro, etc.). Os abrigos estão espalhados por todo o país e contam com instalações adequadas. 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem cerca de 600 milhões de animais abandonados nas ruas. No Brasil, estima-se que haja 30 milhões (5% do total mundial): 20 milhões de cachorros e dez milhões de gatos. 

Por enquanto, a Holanda é o único país a ostentar o título, sem ter recorrido ao abate sumário dos peludos que vivem nas ruas. A solução é simples e já começou a ser adotada em alguns outros países e cidades, mas falta persistência para que surjam resultados consistentes. 

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