Homem manco gasta R$ 2 mil no veterinário e descobre que seu cachorro o imitava

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Um inglês gastou 300 libras com veterinário antes de descobrir que era imitado pelo cachorro.

Russel Jones, de 53 anos, e seu cachorro Billy, de quase dez (faz aniversário em fevereiro), viralizaram na internet com fotos e vídeos. O motivo é que o inglês descobriu, depois de gastar 300 libras (equivalente a cerca de R$ 2.180) com veterinários e exames de imagem, que era apenas imitado pelo pet.

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Provavelmente, Billy, um cão da raça Galgo inglês, passou a mancar em solidariedade ao tutor. O pet é conhecido pela sua “energia ilimitada”: está sempre brincando, correndo e investigando o ambiente.

Quando o cachorro apareceu mancando, logo despertou a atenção dos tutores. Cachorros da raça Galgo inglês foram desenvolvidos para corridas. Na Inglaterra e nos EUA, são comuns as competições de velocidade entre cães, disputadas também por borzois, whippets, salukis e afghan hounds.

Homem manco é imitado por seu cachorro
Russel Jones e seu cachorro “manco” – Reprodução Twitter

O caso do cachorro manco

A história aconteceu em Hoddesdon, uma pequena cidade do Condado de Herfordshire, no sudeste da Inglaterra, no final de dezembro de 2020. Russel Jones fraturou o tornozelo enquanto trabalhava limpando janelas (ele tem uma empresa de limpeza de imóveis) e teve a perna imobilizada com gesso, passando a andar mancando, de muletas.

Quase imediatamente, Billy, conhecido pelo apego excessivo ao tutor, começou a mancar e coxear. O cachorro deixou de andar normalmente logo na manhã seguinte ao acidente sofrido por Russel Jones.

Como um bom tutor responsável, Jones levou o pet ao veterinário. O exame clínico não encontrou nenhum motivo e o cachorro foi submetido a radiografias – não havia nada de anormal com Billy. Mesmo assim, foi preciso comprar analgésicos para aliviar as pretensas dores do cão.

O atendimento médico saiu caro para Jones. Entre a consulta e as radiografias, o tutor desembolsou 300 libras – o equivalente a quase 20% do salário mínimo inglês. E a saúde do cachorro estava perfeita. Nada justificava as “mancadas” do pet.

O “mistério do cachorro manco” foi solucionado quando Billy saiu de casa com o tutor e começou a correr normalmente pelo jardim, como se nada tivesse acontecido. Inicialmente, a farsa foi descoberta pela namorada de Jones, que observou o pet brincando normalmente, sem nenhum indício de dor.

Para tirar a prova, Jones decidiu levar o pet para um passeio – acidentado, ele precisou seguir de scooter, enquanto o fiel companheiro caminhava ao seu lado. A dupla percorreu alguns quilômetros pelas ruas da vizinhança.

Jones verificou que o cachorro caminhava normalmente, parava para inspecionar postes e troncos de árvores, como se nada tivesse acontecido, apesar de ter passado alguns dias mancando. O cão teria se recuperado de forma espontânea?

Então, ele percebeu que Billy só coxeava quando via o tutor mancando. O cachorro estava imitando o tutor, reproduzindo o comportamento observado, em um gesto de altruísmo e solidariedade.

Jones filmou as peripécias do pet e postou na internet. As imagens receberam milhões de curtidas nas redes sociais e acabaram sendo compartilhadas pelos internautas algumas dezenas de milhares de vezes.

A popularidade de Jones e do seu cachorro manco aumentou tanto que a dupla se tornou manchete no “Daily Mail”, um dos tabloides britânicos mais vendidos, e foi entrevistado no “This Morning”, um programa de variedades da ITV transmitido para a Inglaterra e Irlanda. A dupla foi ao ar em 19 de janeiro, mesmo dia em que a notícia foi publicada no tabloide.

Reincidente

Billy, como todos os cachorros do mundo, é um animal fiel e muito apegado ao tutor. Ele decidiu mancar em um gesto de solidariedade ao tutor acidentado – que já está há sete semanas com a perna direita engessada.

Não é a primeira vez que o cachorro age assim. Sempre que Michelle, a namorada de Jones, sente dores nas costas, ela é obrigada a se deitar no sofá ou na cama por alguns instantes. E Billy se aproxima, faz carinhos e deita-se imediatamente ao lado, esperando que a parceira se recupere.

Russel Jones afirma que Billy é a sua alma gêmea. “Ele está sempre de olho, cuidando de mim, e é muito sentimental. Percebemos que ele estava mancando apenas por simpatia, ele nunca mais mancou. Ele estava apenas me copiando”.

Por quê?

Desde que passaram a conviver com os humanos, há alguns milhares de anos, os cães passaram a observar e reproduzir o comportamento. É uma questão de adaptação e, portanto, de sobrevivência do grupo. Identificar e imitar os gestos dos colegas é uma forma de afirmar-se como membro da matilha.

Os lobos são animais gregários e já exibem uma série de condutas identificáveis; quando um lobo uiva à noite, por exemplo, toda a alcatéia sabe exatamente quem está uivando e por quê – o uivo pode ser um alerta ou apenas um sinal de que está tudo bem.

Os cães mantiveram esta característica, com alguns aprimoramentos. Depois dos humanos, os nossos peludos são os animais com maior repertório de expressões faciais, à frente dos nossos primos mais próximos, os gorilas e chimpanzés.

Em 2011, pesquisadores da Universidade de Viena (Áustria) obtiveram a primeira comprovação científica da imitação por parte dos cães. Na experiência, os cães voluntários foram divididos em dois grupos.

No total, 42 animais foram empregados no experimento. O primeiro grupo observou um humano abrindo uma porta deslizante usando a mão. Para o segundo, o voluntário humano abriu a porta com a cabeça. 

O gesto se repetiu várias vezes e, antes do experimento, o humano se posicionou, para os cães, como o “alfa da matilha” – o chefe do bando. Os pesquisadores verificaram que a quase totalidade dos animais tendia a imitar o comportamento do líder, mesmo sem receber recompensa para abrir a porta.

Uma semana depois, os cães continuavam abrindo a porta da forma como haviam observado o humano fazer. O líder do estudo, Friederike Range concluiu que os cachorros, assim como os humanos, são inclinados a imitar o comportamento do líder.

Nenhum dos cães do experimento procurou encontrar uma maneira mais fácil de abrir a porta. Conclui-se que a imitação surge antes da participação criativa. Em função dos milênios de domesticação, os cachorros continuarão imitando os comportamentos identificados nos tutores.

Em 2017, também na Universidade de Viena, a pesquisadora Iris Schoberl descobriu que tanto os humanos quanto os caninos tendem a imitar o comportamento dos “familiares”. O estudo envolveu 132 duplas de tutores e pets.

A pesquisadora concluiu igualmente que os cães de tutores neuróticos são menos capazes de lidar com situações de estresse, enquanto pessoas mais relaxadas conviviam com pets tranquilos e amigáveis.

O estudo indica que os tutores que estabelecem padrões de conduta por serem pessimistas ou neuróticos transmitem o medo para os cães, que interpretam as emoções e tornam-se reativos, passam a encarar o mundo como um local perigoso, do qual precisam se defender.

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