Homem se recusa a fugir da guerra na Ucrânia deixando os cachorros para trás

Mesmo com medo da guerra na Ucrânia, este italiano se recusa a deixar os cachorros para trás em Kiev.

O dono de um abrigo para animais abandonados instalado em Kiev, a capital da Ucrânia, afirmou que prefere morrer a deixar os cachorros para trás. Mesmo com medo da aproximação das tropas russas, Andrea Cisternino se recusa a fugir da guerra.

Cisternino foi encontrado por uma equipe de reportagem do Euronews, uma rede de TV multilíngue sediada na França. O italiano vive na Ucrânia há pouco mais de uma década, na zona rural de Kiev, onde criou o abrigo de animais. Enquanto ele era entrevistado, era possível ouvir o barulho dos tiroteios a distância.

Cisternino e os cachorros

Andrea Cisternino era um fotógrafo de moda na Itália, até que conheceu a atual esposa, uma ucraniana. O amor o fez mudar de profissão e de país: ele se mudou para a região de Kiev, onde o casal mantém o abrigo com quase 400 cães resgatados.

O antigo fotógrafo já havia enfrentado problemas antes. Em 2014, uma nova legislação passou a permitir o abate de cães de rua na Ucrânia – o governo do país chegou a fornecer licenças e a oferecer recompensas pelos animais sacrificados.

O abrigo de Cisternino foi alvo dos caçadores de cães. Muitos deles tentaram invadir o abrigo, onde era mais fácil encontrar as “presas”. A resistência do italiano foi motivo para depredações e até um incêndio na propriedade.

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Quando ocorreram os primeiros conflitos entre ucranianos nacionalistas e pró-russos. Cisternino acreditou que era melhor começar a estocar provisões, mas ele nunca imaginou que as batalhas pudessem atingir a capital.

A justificativa russa para invadir a Ucrânia foi garantir a segurança de seus cidadãos que viviam no Donbass, no leste do país. Donetsk e Lugansk, duas cidades capturadas pelas tropas da Rússia, ficam nessa região, a mais de 800 km de Kiev.

A guerra, no entanto, se espalhou por todo o país. As tropas invasoras estão bombardeando e cercando a capital ucraniana, que pode cair a qualquer momento. E as bombas podem atingir o abrigo criado por Cisternino.

A região em que Cisternino vive com os cachorros está isolada do restante do país. As próprias forças ucranianas bombardearam pontes nas aldeias próximas à capital, para evitar ou atrasar a invasão, mas o exército russo já ocupou o Aeroporto de Hostomel, instalado na região metropolitana de Kiev, a apenas 30 km da propriedade do italiano.

Os combates se estendem durante todo o dia e o barulho das armas está cada vez mais próximo ao abrigo. Cisternino está apavorado com a guerra, mas também está decidido a permanecer com os animais.

O italiano e a mulher cuidam de 400 cachorros na propriedade. Ele já reservou algumas instalações para o caso de cidadãos ucranianos precisarem se refugiar no local – os moradores não conseguem prever a duração e a extensão dos conflitos.

De qualquer maneira, Cisternino não teria como transportar 400 cachorros para outro local e deixá-los para trás não é uma opção para ele. O abrigo também acolhe alguns gatos, cavalos e vacas. Por sorte, a ideia de estocar produtos desde o início dos conflitos no Donbass serviu para que o fotógrafo não precise se deslocar até a cidade para comprar alimentos e medicamentos.

Na condição de cidadão italiano, Cisternino poderia deixar a Ucrânia de maneira relativamente fácil – bastaria conseguir embarcar em um trem para a Romênia ou a Polônia. Vários amigos tentam contato com o fotógrafo, mas ele está decidido a permanecer em Kiev.

O casal, no momento, está separado. A mulher de Cisternino está isolada em um apartamento na capital, enquanto ele fica no abrigo cuidando dos cachorros. A situação é bastante difícil e o fotógrafo sabe que está se arriscando.

Mas ele entende que tem uma missão a cumprir. Depois de um começo difícil, em que os vizinhos foram contrários à instalação do abrigo – e alguns forasteiros chegaram a invadir a propriedade – o santuário foi reconhecido e é uma referência no país.

Oito pessoas trabalham no abrigo. Cisternino também se sente responsável pelos empregados. Mas, enquanto ele cuida dos cachorros que ninguém quis, a vida está em risco. Enquanto a reportagem fazia algumas fotos, foi possível ouvir tiros de morteiro próximos à propriedade.

Resta esperar que a loucura da guerra termine sem afetar muito a vida dos ucranianos – e dos estrangeiros, como Cisternino, que decidiram fixar residência no país. Cisternino está fazendo a sua parte, mesmo com muita gente empenhada na destruição.

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