Idosa é presa por querer jogar cachorro no rio

A idosa pediu para jogarem o animal no rio. Ela foi presa por maus tratos a animais.

Algumas pessoas não dão o menor valor à vida: se um ser qualquer estiver atrapalhando, ele deve ser eliminado. Uma idosa mineira foi denunciada por querer se livrar de um cachorro e, para tanto, ela se prontificou a gratificar o homem que jogaria o animal no rio.

A legislação brasileira classifica como crime a prática de maus tratos e também a negligência em relação a animais de estimação, domésticos e silvestres. Os autores dos crimes, se condenados pela justiça, podem permanecer presos por até cinco anos.

O episódio

O caso aconteceu em Varginha, cidade do sul de Minas Gerais, distante 320 km de Belo Horizonte. Uma idosa de 62 anos está sendo acusada de pedir para jogarem um cachorro no rio próximo à sua casa.

O animal foi encontrado em um saco plástico, com o focinho e as pernas amarradas. A mulher propôs dar um maço de cigarros ao homem, um morador de rua, que se encarregaria de dar um fim à vida do cachorro.

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De acordo com informações da Polícia Militar de Minas Gerais, a idosa ofereceu a gratificação e quase matou o cachorro. O animal foi salvo por vizinhos da mulher, que ouviram ganidos e denunciaram os maus tratos.

Júlia Sudério é uma estudante de Medicina Veterinária que mora na cidade. Ativista dos direitos dos peludos, ela foi a responsável pelo resgate do cachorro. A jovem estava no trabalho quando foi informada da tentativa de assassinato.

Como Júlia já é conhecida na região como defensora dos animais, ela foi chamada pelos vizinhos. A mensagem que a estudante recebeu dizia apenas que “tinha um rapaz judiando de um cachorro”.

A polícia interceptou o sem-teto no bairro Nossa Senhora de Fátima, quando ele estava carregando o cachorro na sacola plástica, o que, por si só, já configura crime. Ele disse que tinha recebido um maço de cigarros para jogar o animal em um ribeirão, mas que pretendia soltá-lo.

O homem conseguiu fugir logo que os moradores se aproximaram, junto com a polícia. Júlia, no entanto, queria apenas encontrar alguma coisa para cortar os cadarços que prendiam as pernas do cachorro – a boca do animal foi atada apenas com linha de costura.

A estudante livrou o cachorro com rapidez. O animal, muito magro, estava assustado, mas não mostrava ferimentos aparentes. Júlia prestou os primeiros socorros ali mesmo, no local em que o peludo foi libertado.

A prisão

Depois de certificar-se de que o cachorro estava bem, Júlia e os moradores da região passaram a procurar o sem-teto que tinha sido “contratado” para matar o animal. Apesar da comoção pública, a estudante queria apenas saber quem tinha sido responsável.

O homem apontou a casa da idosa e Júlia resolveu conversar pessoalmente com ela. A responsável pelos maus tratos (e pela quase morte) disse que o animal “dava muito trabalho”, mas se contradisse ao explicar os motivos.

Mais tarde, a responsável pelo animal foi encaminhada à Delegacia de Polícia. À autoridade de plantão, ela alegou que o cachorro estava doente e ela não tinha condições financeiras para pagar pelo tratamento.

Antes de falar sobre a doença, no entanto, a tutora havia dito que os vizinhos reclamavam que o cachorro mordia todos que passavam em frente ao portão e, por isso, ela tinha amarrado a boca do animal.

Ela disse também que já tinha entrado em contato com o serviço de controle de zoonoses, mas nenhuma providência tinha sido tomada. Ainda de acordo com o depoimento, a tutora tinha, sem sucesso, procurado ajuda em ONGs de defesa dos animais. Por isso, ela resolveu afogar o cachorro: era a única opção que tinha.

Um boletim de ocorrência foi lavrado por maus tratos a animais. O inquérito foi encaminhado à Polícia Civil, que se responsabilizará pela investigação. Constatado o dolo, a mulher pode ser condenada a até cinco anos de prisão.

O cachorro, depois do resgate, foi encaminhado a uma clínica veterinária, onde recebeu antibióticos e soro. Ele está desnutrido e desidratado, mas não foi diagnosticado nenhum problema mais grave de saúde. O animal continua internado.

Segundo o médico veterinário Leonardo Massa Ribeiro, o cachorro está se alimentando normalmente, mas ainda não está descartada a possibilidade de infecções severas. O primeiro teste deu negativo para cinomose, mas é preciso aprofundar os exames e análises.

O cachorro recebeu o nome de Sansão. De acordo com o veterinário, o tratamento médico deve se prolongar por alguns meses, até que ele recupere o peso e supere as infecções. Mesmo assim, Sansão já foi disponibilizado para adoção.

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