Uma idosa alagoana está procurando novos lares para seus mais de 20 animais de estimação.

Esta é história de Dona Rita, uma mulher de 74 anos, moradora de Boca da Mata, cidade de 26 mil habitantes distante 74 km de Maceió, a capital do Alagoas. Ela mora em uma casa simples, onde não falta amor, afeto e atenção aos cães e gatos recolhidos nas ruas ao longo dos últimos anos.

Dona Rita, no entanto, não tem condições financeiras para continuar arcando com as despesas dos mais de 20 animais de estimação que dividem com ela a casa na Rua Dom Pedro II. Com uma renda de um salário mínimo por mês, a idosa admite que não tem condições para pagar as contas e satisfazer as necessidades dos pets.

Idosa procura quem adota seus pets
Foto: Alexandre Carlos

A idosa mora em uma casa modesta, mas a sala – o cômodo mais amplo – foi adaptado e transformou-se em local de lazer e descanso para os animais. Tapetes e pedaços de papelão recobrem o piso e se transformam em camas para os pets.

A sala humilde exibe ainda um sofá cor-de-rosa, duas cadeiras de plástico, um móvel de madeira e uma mesinha em que se destaca uma imagem do Padre Cícero, de quem Dona Rita é devota fervorosa.

Idosa procura quem adota seus pets
Foto: Alexandre Carlos

Meses atrás, Dona Rita recolheu das ruas uma cachorra grávida. Ela diz ter certeza de que o pai é o Pequeno, seu cachorrinho mais travesso. A cadela deu oito filhotes à luz e a idosa preparou uma caminha.

Os cães passam o dia inteiro em casa. Já os gatos, dificilmente são vistos antes de o Sol se pôr. Dona Rita deixa a comida dos felinos na cozinha e eles entram diretamente no cômodo. Segundo a idosa, cães e gatos não brigam e mantêm uma convivência harmoniosa.

O depoimento

Dona Rita conta para o site TNH1 que já chegou a passar fome para não ter de deixar os cães e gatos famintos. Com a voz embargada de emoção, ela afirma:

“Não quero ver eles sem comida, no meio da rua, levando porrada. Quando falta para eles, quando eu não tenho dinheiro, eu compro fiado. Coloco conta por cima da conta. Eu não aguento ver um bicho morrendo de fome. Eu quero passar fome, já deixei de comer, mas não quero que o meu bicho passe fome.”

Idosa procura quem adota seus pets
Foto: Alexandre Carlos

Sobre a família de Pequeno, Dona Rita conta: “Eles ficam lá nos fundos com a mãe, os outros já correm pelo quintal, pela casa, são mais agitados. Tem a Sarita, o Negão, a Natasha, a Pretinha, a Negona” – e segue revelando os nomes dos filhotes.

A idosa diz que dá o que tem para os cães e gatos, porque não tem dinheiro para a ração: “a situação não é muito boa, não. Eu pago água, energia, o plano, o terreno do cemitério, também o mercado. Quando eu pago todo mundo, não fico nem com uma prata de dez centavos”.

Solidariedade

Quem morar próximo da cidade Boca da Mata e estiver interessado em adotar um animal de estimação ou puder indicar um abrigo para acolher os pets pode fazer uma visita para Dona Rita, ou telefonar para (82) 99804-0952. É possível também fazer uma doação, basta entrar em contato e pedir os dados.

É o que fez, por exemplo, o vigilante Alexandre Carlos, que trabalha na escola em frente à casa de Dona Rita. A princípio curioso e depois sensibilizado pela história, Alexandre acompanha a idosa todos os dias e está engajado em encontrar novas famílias para os cães e gatos.

No bairro, todos já conhecem a história e sabem a situação difícil por que vem passando a idosa. O vigilante afirma que, nas ações sociais da escola, ele sempre indica Dona Rita para receber uma cesta básica ou outra forma de ajuda.

O vigilante fez vídeos dos animais e da casa que se tornou abrigo de pets. Ele exibe as gravações para amigos, parentes e vizinhos, na esperança de encontrar novos lares para os cães e gatos tratados com tanta ternura por Dona Rita.

  • Para ver os vídeos dos depoimentos de Dona Rita, clique aqui.

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