“Culpados” são falta de atividade e maior tempo de convívio. Veja como prevenir risco de sobrepeso em cães.

Sobrepeso e obesidade não são raros entre os pets. Alguns estudos indicam que mais da metade dos cachorros e gatos sofrem com alguns quilos a mais (52% dos gatos e 59% dos cães, de acordo com a Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária – ABEV). A Covid-19 chegou para complicar ainda mais a situação: o isolamento social, considerado o melhor instrumento para reduzir o contágio, aumenta o risco do problema.

Nossos peludos estão menos ativos durante o isolamento. Os passeios, quando não são cancelados, são encurtados. O contato nas ruas com outros cães (e humanos) é praticamente nulo. E os tutores, em casa, têm mais tempo para paparicar os pets – e isto inclui oferecer petiscos muito além do necessário.

Os cachorros com peso ideal (nem subnutridos, nem obesos) desfrutam de melhor qualidade de vida e apresentam maior expectativa de longevidade. O controle do peso é fundamental para garantir o bem-estar dos pets – e a felicidade dos tutores.

Isolamento aumenta risco de sobrepeso em cachorros

Os problemas do sobrepeso

Todos os pets com mais de 20% acima do peso ideal são considerados obesos (entre 10% e 20% acima, estão com sobrepeso). Existe um teste simples para verificar a condição dos cachorros: ao acariciá-los ou apalpá-los no tórax, é preciso sentir as costelas, mesmo que elas não sejam notadas visualmente.

O sobrepeso e obesidade em cachorros está longe de ser uma questão estética. Permanecer acima do peso ideal aumenta as chances de dermatites, disfunções gastrointestinais e distúrbios cardiovasculares, além de doenças nos ossos, articulações e músculos. A probabilidade do diabetes tipo 2 também é consideravelmente maior.

O ganho excessivo de peso está relacionado também a outros contratempos:

• favorece os problemas respiratórios, especialmente nos cães idosos e nos braquicefálicos (de cara amassada);

• prejudica a fertilidade de machos e fêmeas;

• aumenta o estresse térmico (como o tecido adiposo é também isolante, o sobrepeso contribui para a elevação da temperatura corporal a níveis perigosos);

• facilita o desenvolvimento de tumores (malignos e benignos);

• aumenta os riscos em eventuais procedimentos cirúrgicos.

Ganhar peso está associado a uma equação simples: quando nós (e os nossos cães) ingerimos mais calorias do que consumimos em nossas atividades. O excedente se transforma em gordura. A diminuição da atividade física, aliada à oferta maior de alimentos, é o caminho perfeito para o sobrepeso e a obesidade.

O que fazer?

O isolamento social é necessário para prevenir ou reduzir a pandemia provocada pelo novo coronavírus SarS-CoV-2, mas está longe de ser uma solução confortável. Ficar compulsoriamente em casa gera problemas econômicos e sociais – além de ser muito desagradável. Mas é possível colocar os cães em movimento, para garantir a saúde e reduzir o tédio.

Na medida do possível, siga as dicas abaixo:

sirva as refeições sempre nos mesmos horários, na quantidade indicada para a raça, porte, sexo e idade (se for preciso, use uma balança de cozinha; não use copos ou xícaras, porque a capacidade varia de acordo com o modelo). Alguns cães são vorazes e comem mesmo sem estar com fome. Outros aproveitarão para fazer uma boquinha nos intervalos, caso haja ração disponível na tigela;

economize na hora de oferecer petiscos. Lanchinhos fora de hora são sempre bem-vindos, mas podem prejudicar a silhueta dos pets. Além disso, se eles forem servidos a qualquer momento, os cães entenderão que têm direito a eles a qualquer momento, em qualquer lugar. O peso total diário dos petiscos não deve exceder a 10% do peso da ração;

alguns peludos são mais ativos do que outros. Se você perceber que, com o isolamento, o seu pet está mais “paradão”, reduza a quantidade de ração. Produtos de boa qualidade indicam, na embalagem, a quantia diária ideal de acordo com o nível de atividade física;

resista à tentação de dividir aperitivos com o seu pet. Permanecer longas horas sem fazer nada aumenta as chances de comer fora de hora (o que é nocivo também para o peso dos tutores), mas a comida humana é desnecessária para os cães. Em alguns casos, ela pode ser prejudicial: é o caso de pratos condimentados, temperados com sal ou preparados com óleos de cozinha;

cachorros são naturalmente pidões. Isto faz parte do temperamento da maioria dos pets. É muito provável que o seu peludo “implore” para receber pelo menos parte do que você está comendo – ou de alguma coisa que pode estar guardada no armário (em qualquer armário, mesmo o de produtos de limpeza ou o maleiro). Ignore os pedidos. Se ele recebe a cota necessária de ração, certamente está bem nutrido e não precisa de extras;

a hora das refeições é um bom momento para exercitar um pouco mais os cães. Coloque a tigela em um local menos acessível, em que eles tenham de subir alguns degraus ou subir em uma cadeira. A atividade ajudará a controlar o peso, especialmente dos animais de pequeno ou médio porte. Outra opção é servir a comida em comedouros inteligentes, em que o pet precisa descobrir a forma de abrir, acionando alavancas ou pedais;

encontre novos brinquedos. Não é necessário ir à pet shop, as brincadeiras podem ser improvisadas. Uma bolinha atirada à distância enquanto você assiste à TV ou navega nas redes sociais é suficiente para manter os pets ocupados, felizes e longe do sedentarismo;

se você mora em casa térrea, deixe o cachorro na janela ou próximo à grade (a uma distância segura). O pet se distrairá observando o movimento de carros e pedestres e, nestes tempos em que o contato físico está dificultado, a atividade servirá como forma de sociabilização;

se o seu cão é um atleta, aproveite para treinar agilidade com ele. Faça-o subir e descer escadas, passar por baixo de alguns móveis, escalar um muro (pode ser o tanque, para que ele beba água diretamente da torneira). Para os mais calmos e tranquilos, inclua treinamentos de obediência. Se eles ainda não sabem o básico, ensine o significado de palavras como “sim”, “não”, “fica”, “deita”, “senta”, etc.

Ainda de acordo com a ABEV, cães de tutores obesos apresentam maior predisposição para desenvolver o problema. Além disso, mais da metade dos tutores cede aos apelos dos pets por “um pouquinho mais” de comida (ou guloseimas).

A partir dos seis anos, os peludos são mais propensos a ganhar peso desnecessário. Por isso, a vigilância sobre os velhinhos – e também sobre os cães de meia idade – deve ser redobrada. Esta faixa etária também é mais propícia ao desenvolvimento de outras doenças, inclusive genéticas.

Com estas dicas (ou com algumas delas, de acordo com a conduta de cada pet), os cachorros e os tutores conseguem se exercitar fisicamente, consomem uma parte do tempo ocioso e mantêm a boa forma física.

Apenas para lembrar: os cachorros não se infectam com o novo coronavírus (e, desta forma, não podem transmitir a Covid-19). Mas eles podem servir de veículo para trazer o vírus para casa. Por isso, nos passeios curtos, higienize os pelos e as patas dos pets sempre que voltar para casa. Esta é também uma forma de prevenção. Cuide-se e divirta-se.


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