Jornalista mostra a realidade de centenas de cães abandonados na Ucrânia

Jornalista chileno visitou abrigo na Ucrânia com centenas de cães, as vítimas ocultas da guerra.

O jornalista Daniel Silva, jornalista do Meganotícias, multiplataforma de informação e entretenimento chileno, passou 15 dias na Ucrânia, visitando pequenas e grandes tragédias causadas pela Ucrânia. Entre elas, o repórter conheceu um abrigo com mais de 300 cães abandonados.

O abrigo visitado pela reportagem fica em Lviv, cidade ucraniana de mais de 700 mil habitantes próxima à fronteira com a Polônia. Lviv sedia várias instalações militares e, por isso, tem sido alvo de operações russas de ataque.

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Cães abandonados

Invasões e guerras sempre deixam um rastilho de mortes e destruição. Dezenas de milhares de ucranianos e algumas centenas de russos já morreram desde o início do conflito e algumas cidades, especialmente no sul do país, estão pouco a pouco se transformando em ruínas.

Cães, gatos e outros animais de estimação são as vítimas não contabilizadas desta e de outras guerras. O abrigo em Lviv estava superlotado, com mais de 300 cachorros. Enquanto os refugiados civis já ultrapassam os dois milhões, muitos pets ficam para trás.

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Para muitos ucranianos, a esperança consiste basicamente em atravessar as fronteiras, deixando, para isso, seus pertences, empregos, estudos, sonhos e aspirações. De acordo com a ACNUR, a agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU), a Romênia já recebeu 281 mil vítimas da guerra, enquanto a Polônia já abriga mais de 200 mil.

Enquanto isso, nas estações de trens e de metrô – transformadas em abrigos antiaéreos improvisados – são deixados objetos pessoais, bagagens e, infelizmente, muitos animais de estimação. A guerra, motivada por interesses políticos, econômicos e estratégicos, vai deixando um caminho de morte, destruição e abandono.

Daniel Silva conheceu em Lviv centenas dessas tragédias caninas. Apesar das muitas histórias de heroísmo, é evidente que a imprensa tem romantizado as fugas. Na realidade, o que se vê é o acúmulo de mortes. Os ucranianos deixam o país apenas com bagagem de mão – e, muitas vezes, com as mãos abanando – e os cachorros e gatos ficam para trás.

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Guerras necessariamente provocam tragédias e é impossível dimensionar o que seria mais desastroso e deprimente. Homens de 18 a 60 anos estão impedidos de deixar o país, realidade que se traduz em separações de casais, pais e filhos, avôs e netos.

Não menos dolorosa é a situação dos cães abandonados. A guerra gera luto e incertezas: nem todos conseguiram cruzar as fronteiras levando os seus pets. A maioria provavelmente ficou nas estações e gares, muitos deles ainda vigiando os pertences abandonados pelos tutores na fuga.

Alguns abrigos nas proximidades de Kiev (a capital do país invadido pelos russos), Lviv e outras grandes cidades ucranianas estão se desdobrando para receber os animais que não puderam embarcar para a segurança nos países vizinhos.

Um fotógrafo de moda italiano, Andrea Cistermino, também está recolhendo cães abandonados nos arredores de Kiev. Curiosamente, quando se mudou para o país conflagrado, poucos anos atrás, ele foi criticado pelos ucranianos, por dar “tanta atenção aos animais”.

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Menos sorte teve a ativista dos direitos dos animais Anastasia Yalanskaia. Ele tentou chegar à capital ucraniana em busca de ração para os animais abrigados a cerca de 30 km de Kiev, mas o carro em que viajava foi atingido em um ataque – ainda não se sabe se causado por russos ou ucranianos.

Os peludos que estão no abrigo próximo a Lviv, por enquanto, estão com sorte. Eles foram deixados para trás porque alguns comboios e instalações humanitárias não permitiram o embarque de animais, mas foram recolhidos e encontraram um lugar aquecido e com alimento. Vale lembrar que a Ucrânia vive os primeiros dias da primavera e ainda faz muito frio em toda a Europa.

Alguns dos 300 cães abrigados em Lviv foram entregues pessoalmente pelos tutores, antes da tentativa de cruzar a fronteira – uma operação que sempre envolve riscos. A maioria dos refugiados partiu na esperança de se reencontrar com os peludos quando a guerra terminar.

Enquanto o dia do reencontro não chega, os cachorros abandonados sentem falta das famílias humanas. Algumas entidades internacionais, como a PETA – People for Ethical Treatment Animals, a Humane Society International e a UIPA – União Internacional Protetora dos Animais – estão arrecadando mantimentos e agasalhos e conseguindo enviá-los à Ucrânia.

O abrigo em Lviv é um dos locais contemplados com doações. A cidade está a apenas 70 km da fronteira com a Polônia, o que torna menos insegura a passagem de pessoas e gêneros. Os cães, conformados, esperam os tutores.

Quando a guerra acabar, alguns desses animais reencontrarão as famílias. Outros serão adotados por outros humanos desejosos de reconstruir a vida. Mas, pelo que se vê, o conflito está longe de ter um fim – e as sequelas da guerra permanecerão por muitos anos.

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