Minicavalo rejeitado pela mãe encontra um novo lar com 3 cachorrinhos

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Ele vive com três cachorrinhos em uma verdadeira mansão. Conheça a história de Peabody

Um minicavalo filhote de pouco menos de dez quilos tinha tudo para não ter um final feliz. Ao nascer, ele foi rejeitado pela mãe – na natureza, as fêmeas tendem a abandonar as crias que não parecem ser viáveis. Mas ele encontrou um novo lar e vive na companhia de três buldogues franceses, raça que também tem uma história de rejeição.

Buldogues franceses são cães de companhia por excelência – eles nunca foram usados para desempenhar nenhuma outra atividade, ao contrário dos seus ancestrais diretos, os primos ingleses, desenvolvido para combate.

A história

Peabody – este é o nome do minicavalo – mora atualmente em San Diego (Califórnia, EUA), com muita mordomia e, principalmente, com três amigos inseparáveis. Ao nascer, ele foi rejeitado pela mãe, porque era baixo demais para alcançar as tetas dela.

O animalzinho já está famoso na imprensa da Califórnia. De acordo com a tutora Faith Smith, uma criadora de minicavalos, ele é o menor do mundo para a sua idade – Peabody nasceu em 15.05.21 e, com seis semanas de vida, é muito menor do que outros animais da espécie. Ele pesa apenas 19 libras (pouco mais de 8,6 kg).

Não importa o tamanho, cavalos não são animais que possam viver em ambientes internos. Peabody, no entanto, é tão pequeno que não poderia viver fora de casa. Nas estrebarias, ele certamente se envolveria em acidentes com os parentes maiores.

É possível que Peabody recupere o tempo perdido e se desenvolva normalmente, atingindo o tamanho médio esperado para um minicavalo – pouco menos de um metro de altura. Mas não há garantias de que isso aconteça.

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CRÉDITO: SWNS

Por enquanto, o cavalinho está sendo tratado como “cão de almofada”: ele vive dentro de casa, não se cansa de brincar com os três buldogues franceses da treinadora e está muito bem adaptado ao ambiente. Peabody não apresenta sinais de problemas físicos.

Os proprietários do haras em que Peabody nasceu disseram a Faith Smith que o veterinário local sugeriu a eutanásia, uma vez que o minicavalo não conseguia mamar e certamente teria prejuízos incontornáveis no desenvolvimento. A criadora, no entanto, não quis nem pensar nesta possibilidade.

Quando Peabody foi recebido na casa de Faith, ele estava com a mandíbula desalinhada, não conseguia caminhar (na verdade, mal se mantinha em pé) e os proprietários originais acreditavam que ele era surdo e cego.

Minicavalo rejeitado pela mãe encontra um novo lar com 3 cachorrinhos
CRÉDITO: SWNS

Faith decidiu que o minicavalo merecia uma chance. Os esforços parecem estar dando resultado: a mandíbula de Peabody está se realinhando espontaneamente, a cabeça tomou proporções adequadas ao corpo e o animalzinho aprendeu a andar regularmente.

Efetivamente, Peabody é surdo, mas consegue enxergar e está se adaptando ao novo lar. Boa parte desta reabilitação é devida, além dos esforços de Faith, à amizade desenvolvida com os três buldogues franceses.

O cavalinho segue os cachorros por toda a casa. Inicialmente, ele demonstrou medo e ansiedade com a presença dos buldogues franceses – estes, por sua vez, estavam muito curiosos com o novo colega “diferentão”. Em poucos dias, cavalo e cães se adaptaram à nova rotina e estão se dando muito bem.

Faith afirma que manterá Peabody para sempre, não importa como ele cresça. Ela espera que ele se desenvolva a ponto de conseguir conviver com os outros cavalos, mas, se isso não for possível, ele será sempre um “cavalo de companhia”.

Por enquanto, Faith diz que ficará muito feliz se Peabody aprender a usar o banheiro. Os cachorros têm um espaço próximo à cozinha, em que fazem as suas necessidades; o minicavalo, no entanto, ainda está sujando a casa inteira.

Minicavalos

Ao contrário do que se possa pensar, minicavalos não são pôneis. Trata-se de uma nova espécie de equinos, que, ao chegar à idade adulta, atinge menos de 100 kg e menos de um metro de altura.

A espécie ainda não é reconhecida. Associações equinas americanas registram os minicavalos entre uma das cem raças de cavalos em miniatura existentes no mundo. Eles resultam de cruzamentos seletivos justamente para reduzir a estatura dos animais.

Apesar de baixinhos, os minicavalos apresentam a mesma robustez e rusticidade dos seus colegas maiores – Peabody é uma exceção e provavelmente tem problemas genéticos. Os cavalinhos já são vendidos no Brasil, por um preço salgado: R$ 100 mil. Nos EUA, onde surgiu a raça (ou espécie), o valor sobe bastante: um american miniature horse chega a ser negociado por US$ 200 mil.

A criação teve início na década de 1990. Os minicavalos apresentam ossatura leve e descendem dos falabellas argentinos, que cruzaram com pôneis britânicos originais (desenvolvidos naturalmente nas ilhas britânicas a partir de animais que fugiram dos quartéis romanos, talvez no século IV).

O minicavalo vive em média 20 anos não é difícil de lidar e apresenta algumas vantagens: come muito menos do que um cavalo normal e requer menos espaço para se desenvolver. É um animal rústico, não apresenta muitos problemas de saúde, está adaptado a terrenos irregulares e é muito resistente a mudanças climáticas.

O buldogue francês

Os companheiros de Peabody têm motivos históricos para receber bem o minicavalo: eles também foram rejeitados nos primeiros tempos da raça. Os primeiros espécimes, ancestrais dos atuais cães da raça, chegaram à França em 1880.

A história da raça buldogue francês está relacionada à marginalização. Na Inglaterra, lutas entre cães sempre foram muito populares – e o buldogue inglês era o mais apreciado nas rinhas. Alguns filhotes, no entanto, nasciam franzinos demais para serem vistos como “estrelas do pugilato”.

Os criadores simplesmente descartavam os animais pequenos e pouco resistentes. Alguns comerciantes franceses que negociavam dos dois lados do canal da Mancha, contudo, decidiram dar uma chance aos nanicos.

Inicialmente, os pequenos buldogues foram empregados para a caça de ratos que infestavam as grandes cidades. Alguns artistas, no entanto, decidiram usar os cachorrinhos como fonte de inspiração: cães parecidos com os atuais podem ser vistos em telas de Toulouse-Lautrec e Edgar Degas, dois pintores impressionistas que produziram as suas obras na virada do século 20.

Em pouco tempo, o buldogue francês conquistou os criadores. É um cão de colo, vivaz, inteligente e cheio de energia, sempre procurando brinquedos novos. Os cães da raça atingem 30 cm de altura na cernelha e pesam 12 kg. São cães braquicefálicos e podem exibir diversos transtornos de saúde.