Motorista de caminhão de lixo salva cachorro: ‘Ele poderia ter sido esmagado’

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O cachorro foi salvo do pior, prensado em um caminhão de lixo. Acompanhe como tudo aconteceu…

O fato aconteceu em 01/07/21, em Petersburg, cidade de pouco mais de 33 mil habitantes no Condado de Richmond, na Virgínia, costa leste dos EUA. Um cachorro foi encontrado em um caminhão de lixo, na antiga rua principal da cidade, prestes a ser triturado.

O animal foi encontrado pelo motorista do caminhão, Jermaine Jackson, que trabalha na coleta de lixo da cidade há 26 anos. O empregado declarou à WRTV, retransmissora da CBS em Richmond, que estava pronto para compactar e despejar o lixo coletado, quando reparou um movimento no caminhão.

A história

Era mais uma manhã tranquila de trabalho para Jackson, que seguia o seu itinerário pelas ruas de Petersburg. Como faz todos os dias, ele se preparava para compactar o lixo, quando notou a presença de um cachorro na parte traseira do caminhão.

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A cachorra encontrada na caçamba do caminhão de lixo.

Jackson ficou agitado com a situação. Afinal, o cachorro estava sentado sobre o monte de rejeitos e poderia ter sido esmagado com apenas um comando. O motorista disse para a imprensa que o animal estava imóvel, apenas observando o movimento com uma expressão triste.

Jackson baixou a lixeira do caminhão, mas, antes de se aproximar, quis se certificar de que o cachorro não era agressivo, não oferecia nenhum risco. O peludo, no entanto, imediatamente começou a abanar o rabo, demonstrando estar contente por ter sido encontrado. Ele não fazia ideia do perigo que estava correndo.

Na manhã daquela sexta-feira, chovia forte em Petersburg. No verão americano, na costa leste, é comum o avanço de tempestades tropicais que podem ser desastrosas. Jackson retirou o cachorro do lixo, improvisou um abrigo para protegê-lo da chuva e tentou acionar o centro de controle de animais da cidade.

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Jemaine Jackson, o herói do dia.

O serviço, no entanto, ainda não havia aberto o expediente do dia. Mas Jackson conseguiu encontrar, poucas quadras à frente, a casa de uma veterinária, Frances Vershuure. A profissional providenciou comida, água e alguns cobertores para acolher o cachorro e também constatou que se tratava de uma fêmea. Por fim, acionou o controle de animais.

Enquanto esperava o resgate, a Dra. Frances apenas sentou-se na varanda de casa com a cachorrinha. Ela disse para a imprensa que o animal se comportou da melhor maneira possível enquanto estava com ela.

Finalmente, os empregados do controle de animais de Petersburg chegaram. Foi constatado, em um exame superficial, que a cachorrinha estava com as tetas cheias de leite, sinal de que tinha dado cria poucos dias antes.

A cachorrinha agora espera adoção por uma nova família. Ao se despedir da veterinária, ela manteve a mansidão e tranquilidade. A Dra. Frances afirmou que ela parecia dizer, com os olhos, para ela e para o motorista: “muito obrigada por me tirar daqui”.

Jermaine Jackson ficou feliz com o salvamento, mas ele não acredita que a cachorra tenha entrado na caçamba por conta própria. O animal é de pequeno porte e não conseguiria pular sozinho no caminhão.

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Frances Vershuure, a veterinária que acolheu a cachorra.

Maus tratos

Jackson e Vershuure acreditam que a cachorra tenha sido deliberadamente jogada no lixo pelos antigos tutores. O motorista finalizou o depoimento para a imprensa, dizendo que tem dois cães e nunca teria pensado em jogá-los no lixo por não conseguir cuidar deles:

“Você não gostaria nem um pouco se alguém jogasse você no lixo porque não pode ou não quer cuidar mais”.

O abandono de cachorros, gatos e outros animais de estimação é um fato comum – em Petersburg e em qualquer outra cidade do mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, no Brasil, haja dez milhões de gatos e vinte milhões de cachorros abandonados, perambulando pelas ruas.

É provável que a cachorra encontrada no caminhão de lixo em Petersburg tenha sido abandonada por ter tido uma ninhada indesejada, situação que poderia facilmente ser evitada com a castração.

O abandono não é apenas uma questão de maldade. Os animais soltos nas ruas sofrem com o frio, o calor e as chuvas; a maioria morre atropelada, por desnutrição ou em briga com outros cães e gatos.

Esta maldade tem outra face. Animais abandonados tornam-se vetores de diversas doenças. Além disso, cães e gatos podem agredir transeuntes – é uma simples questão de autopreservação.

Existem formas mais adequadas de se desfazer de um animal de estimação. No Brasil, a maioria das cidades médias e grandes oferece serviços de controle, através de órgãos públicos e do terceiro setor.

Simplesmente abandonar um cachorro na rua – ou, como no caso da Virgínia, jogá-lo no lixo – mostra que os humanos ainda têm muito a aprender sobre solidariedade, altruísmo e complacência. Por ironia, os cães são excelentes professores destas “disciplinas” e uma boa dose de alteridade torna a vida melhor para nós e para todos os habitantes do planeta.

Créditos: wtvr.com